Depende da função. Num sistema de espuma projetado pela NFPA 11, a bomba que injeta LGE segue também a NFPA 20, que trata a bomba de concentrado entre as de deslocamento positivo: ela deve ser listada para o serviço, adequada à viscosidade, com pressão de descarga acima da maior pressão da água no ponto de injeção, alívio de pressão, vedação compatível e partida automática. Para descarregar, abastecer ou transferir concentrado entre tanques, uma bomba de engrenagem industrial pode ser avaliada pelo boletim técnico do concentrado.
O que é LGE e o que verificar na troca de concentrado
LGE (líquido gerador de espuma) é o concentrado de espuma: na definição da NFPA 11, o agente espumante líquido concentrado, como sai do fabricante. Dosado na água na proporção especificada, ele forma a solução de espuma; o AFFF, por exemplo, é usualmente diluído a 1%, 3% ou 6%. A mesma norma define o tipo do concentrado pela composição, pelo percentual de uso, pela temperatura mínima de uso e pelos combustíveis em que ele é eficaz.
O AFFF usa tensoativos fluorados. O concentrado resistente a álcool (AR) serve para líquidos solúveis em água e outros combustíveis que destroem a espuma comum, além de hidrocarbonetos. O SFFF, espuma sintética sem flúor, é à base de tensoativos de hidrocarboneto e não é formulado com PFAS. AFFF e AR-AFFF continuam sendo espumas fluoradas: resistência a álcool não significa ausência de flúor.
Na migração para SFFF, a NFPA Global Solutions aponta mudanças que o sistema pode exigir: tanque maior, porque a densidade de aplicação pode subir; outro dispositivo de descarga, porque muitos SFFF são aplicados com expansão maior; e proporcionador próprio para os SFFF de alta viscosidade. Não há viscosidade única para todos os SFFF, e o uso de espuma fluorada depende da regra local: confirme com a autoridade competente.
A troca também não se faz completando o tanque. A NFPA 11 proíbe misturar tipos diferentes de concentrado na armazenagem, e marcas diferentes do mesmo tipo só se misturam com dados do fabricante, aceitos pela autoridade competente, que provem a compatibilidade. O concentrado de reposição também precisa ser listado para uso com os componentes do sistema.
Trocar o concentrado exige verificar a compatibilidade do sistema: materiais, bomba, proporcionador, dispositivos de descarga e procedimento de conversão. Use a documentação dos fabricantes envolvidos.
Centrífuga, pistão ou engrenagem: o que a viscosidade muda
Na bomba centrífuga, o líquido viscoso aumenta o atrito: a potência sobe, e a altura, a vazão e o rendimento caem em relação ao ensaio com água. No exemplo do Hydraulic Institute (HI), uma centrífuga passa de perto de 80% de rendimento com água para cerca de 50% com 1.000 SSU. Por isso, diz o HI, a centrífuga pode ficar limitada acima de certa viscosidade, e a de deslocamento positivo pode oferecer uma solução melhor.
Na definição da NFPA 20, a bomba de deslocamento positivo captura um volume por rotação; na de engrenagem, os dentes e a carcaça deslocam o líquido. Segundo o HI, a vazão teórica é proporcional à rotação, e a diferença para a vazão entregue é o escorregamento interno; viscosidade maior reduz esse escorregamento e aumenta o rendimento volumétrico, mas também eleva a potência de acionamento e a pressão líquida positiva requerida na entrada (NPIPR).
O próprio HI avisa que essas generalidades não são absolutas: o projeto específico muda a capacidade, e o fabricante da bomba deve ser consultado. Um ensaio de outro fabricante ou sistema não comprova o desempenho de uma FBE. Peça dados da execução no serviço pretendido: pressão, vazão, rotação, temperatura e comportamento do concentrado. A escolha sai dessa comparação, não de um ranking universal entre centrífuga, pistão e engrenagem.
A NFPA 11 trata os concentrados resistentes a álcool como não newtonianos: manda calcular a perda de carga deles com os dados do fabricante e reserva a fórmula de Darcy-Weisbach aos newtonianos. Em fluido não newtoniano, a viscosidade medida depende do cisalhamento do ensaio; por isso, compare dados obtidos na temperatura e na condição do serviço. A NFPA Global Solutions trata a viscosidade como propriedade a acompanhar conforme o concentrado envelhece.
| Tipo de bomba | Efeito da viscosidade | O que pedir ao fornecedor |
|---|---|---|
| Centrífuga | Potência sobe; altura, vazão e rendimento caem | Curva corrigida para o concentrado, NPSH requerido e torque de partida |
| Pistão (alternativa) | Escorregamento cai; potência e NPIPR sobem | Vazão, pulsação e capacidade de entrada no fluido |
| Engrenagem (rotativa) | Escorregamento cai; potência e NPIPR sobem | Vazão real, potência, sucção e compatibilidade |
O que a NFPA 11 e a NFPA 20 exigem da bomba de concentrado
A NFPA 11 é a norma dos sistemas de espuma de baixa, média e alta expansão: define tipos de concentrado, taxas de aplicação, métodos de proporcionamento e os ensaios do sistema. Ela não diz onde a espuma é exigida; isso vem da regra local. Para o bombeamento, o princípio é a compatibilidade: projeto, materiais e vedação da bomba precisam servir ao concentrado real.
Na NFPA 11, os componentes do sistema devem ser listados para o uso pretendido e, onde não houver listagem, aprovados; o concentrado deve ser listado com o equipamento de proporcionamento e os dispositivos de descarga. A bomba de água ou de concentrado exigida pelo sistema é projetada e instalada conforme a NFPA 20, que trata a bomba de concentrado entre as de deslocamento positivo. Para a bomba de concentrado, as duas normas pedem, entre outros itens:
- Listagem para o serviço (NFPA 11) e para a aplicação, com as curvas de desempenho do modelo verificadas pela listagem (NFPA 20)
- Projeto e materiais aprovados para o tipo de concentrado (NFPA 11); adequação à viscosidade do líquido e materiais escolhidos pelo potencial de corrosão do ambiente, do fluido e da operação (NFPA 20)
- Vazão nominal igual ou maior que a demanda máxima do sistema, inclusive na maior taxa de proporcionamento admitida
- Pressão de descarga, na vazão de projeto, acima da maior pressão da água, em qualquer condição, no ponto de injeção do concentrado
- Válvula de alívio de segurança listada na descarga, capaz de aliviar 100% da vazão nominal a até 125% da pressão de ajuste (NFPA 20), com retorno ao tanque de concentrado, à linha de retorno ou à sucção com meio contra superaquecimento, sem passar da pressão de trabalho da tubulação de concentrado (NFPA 11)
- Vedação compatível com o concentrado; na NFPA 20, selo mecânico ou retentor (selo de lábio), sem gaxeta
- NPSH disponível maior que o requerido pelo fabricante mais 1,52 m (5 ft) de líquido
- Capacidade de funcionar a seco por 10 minutos sem dano
- Meio de lavagem, dreno e partida automática com o acionamento do sistema
Listagem é do equipamento e do escopo identificados, não do tipo “engrenagem” nem de toda uma marca. O catálogo FBE 2026 não apresenta listagem: se a bomba vai injetar concentrado num sistema que segue a NFPA 11, confirme a listagem exigida antes de fechar o fornecimento. Os requisitos podem mudar entre edições: confira a edição adotada pelo projeto e pela autoridade competente.
Como especificar a bomba de LGE na prática
Comece pelo boletim técnico do concentrado. A NFPA 11 pede que a listagem publique faixas aceitáveis de densidade, pH, índice de refração e viscosidade, usadas depois nos ensaios da NFPA 25, e que o concentrado fique armazenado dentro dos limites de temperatura da listagem. Com esses dados, defina a vazão, a altura manométrica, a temperatura mínima de operação e a viscosidade nessa temperatura, além dos materiais molhados.
Se o boletim trouxer viscosidade dinâmica (cP), divida-a pela densidade para obter a viscosidade cinemática e converta-a para SSU pela tabela de conversão antes de comparar com o limite de cada diâmetro da FBE, na tabela desta seção: de 2.500 SSU nos tamanhos de 1/8″ a 1/4″ a 100.000 SSU nos de 3″ a 6″ (manual MTEC-01/01, Tabela 2).
A rotação vai de 1.750 rpm até 150 rpm, com polia ou redutor, e o catálogo FBE 2026 recomenda rotação menor quanto maior a viscosidade.
Na linha de concentrado, a NFPA 11 não admite aço-carbono nem tubo galvanizado e aceita latão, bronze, inox 304 ou 316, cobre-níquel 90/10 ou outro material com certificação de compatibilidade do fabricante do concentrado, aprovado pela autoridade competente.
O catálogo FBE 2026 oferece carcaça em ferro fundido, ferro nodular, aço WCB ou inox CF8M, eixos e engrenagens em aço SAE 1045 ou inox 316L e vedação por gaxeta, selo mecânico ou retentor. Para concentrado, a compatibilidade de cada material precisa ser confirmada com o fabricante do LGE; numa bomba que segue a NFPA 20, a gaxeta fica de fora.
Na sucção, a NFPA 11 pede a saída do tanque atmosférico posicionada para dar carga positiva à bomba e a tomada pelo menos 25 mm acima do fundo; o concentrado abaixo dela não conta como utilizável.
O filtro de sucção deve ser removível e limpável e ficar a pelo menos 10 diâmetros da entrada da bomba, com a perda de carga calculada para garantir NPSH suficiente (NFPA 20). Pela NFPA 11, a área aberta do cesto é de pelo menos 10 vezes a do tubo de entrada, a área livre de pelo menos quatro vezes a da tubulação de sucção, e a malha segue a recomendação do fabricante da bomba para a viscosidade do concentrado.
Com o boletim, avalie a bomba de engrenagem quanto à vazão real, pressão, rotação, sucção, alívio e materiais, e encaminhe os dados do concentrado à engenharia da FB Bombas para confirmar se a FBE proposta atende ao serviço. Defina na proposta os ensaios e documentos necessários; os máximos gerais da série não são simultâneos e não comprovam capacidade para qualquer LGE.
| Diâmetro FBE | Viscosidade máxima |
|---|---|
| 1/8″ a 1/4″ | 2.500 SSU |
| 3/8″ a 1″ | 7.500 SSU |
| 1.1/2″ a 2″ | 50.000 SSU |
| 3″ a 6″ | 100.000 SSU |
Onde a bomba de LGE entra no sistema de incêndio completo
Há dois papéis diferentes. A bomba de concentrado do sistema injeta LGE no proporcionamento. Entre os métodos da NFPA 11 estão o proporcionador de pressão balanceada com bomba de espuma, o proporcionador em linha de pressão balanceada, com bomba ou tanque de bexiga, a injeção direta com bomba de vazão variável e a bomba de concentrado acoplada a um motor hidráulico de deslocamento positivo. Nos meios fixos, a norma prefere a injeção por pressão balanceada ou positiva.
A bomba de transferência descarrega caminhões, abastece tanques e move o concentrado entre reservatórios. A NFPA 11 exige meios de carga e transporte do concentrado e um suprimento de reserva para o pior cenário e para pôr o sistema de volta em serviço: em tanques ou compartimentos separados, em tambores ou bombonas no local, ou obtido de fonte externa aprovada em até 24 horas. Repor o tanque do sistema a partir dessa reserva é serviço de transferência.
O sistema de espuma não dispensa o de água. A bomba de água do sistema de espuma também segue a NFPA 20, e a quantidade de concentrado atende ao maior risco isolado ou ao grupo de riscos protegidos ao mesmo tempo. O consumo parte do percentual usado no projeto, como 3% ou 6%.
Em tanque de teto fixo com hidrocarboneto e descarga fixa do tipo II, a NFPA 11 pede no mínimo 4,1 L/min·m² (0,10 gpm/ft²) de solução: 30 minutos com ponto de fulgor entre 38 °C e 60 °C; 55 minutos com ponto de fulgor abaixo de 38 °C, com líquido aquecido acima do ponto de fulgor ou com petróleo cru. Por monitor ou linha manual, a tabela sobe para 6,5 L/min·m² (0,16 gpm/ft²), por 50 ou 65 minutos, respectivamente.
Com monitor ou linha manual, a vazão de solução ainda considera perdas por vento e condições ambientes, com fator mínimo de 1,5 sobre a taxa de aplicação. Como exercício aritmético, 1.900 L/min de solução a 3% pedem 57 L/min de concentrado; em 30 minutos, 1.710 L, sem contar a reserva. Esses valores não dimensionam uma instalação real: taxa, tempo, área e percentual vêm do projeto e da regra aplicável.
Na consulta à FB Bombas, separe o conjunto de bombas de água, com projeto conforme NFPA 20 e NBR 16704, e a bomba de transferência de LGE, que pode ser uma FBE avaliada pelo boletim do concentrado. Informe também se o projeto tem bomba de concentrado sujeita à NFPA 11: ela precisa ser listada, e o catálogo FBE 2026 não apresenta listagem.
Confirme na proposta equipamentos, materiais, aprovações exigidas, ensaios, documentação e atividades de campo incluídas, sem presumir certificação nem FAT padrão para todo conjunto.


