O que é LGE — e o que mudou com o fim do AFFF
O líquido gerador de espuma é o concentrado que, proporcionado na água (tipicamente a 1%, 3% ou 6%), forma a espuma que sufoca incêndios de líquidos inflamáveis — tanques de combustível, diques, refinarias, hangares. Por décadas o padrão foi o AFFF, um concentrado fluorado de comportamento quase newtoniano: fino, previsível, fácil de bombear.
A eliminação global dos compostos PFAS mudou o jogo: os concentrados fluorine-free (SFFF) e os AR-AFFF resistentes a álcool que os substituem são pseudoplásticos — em repouso, a viscosidade sobe para milhares de centipoise, e o fluido só "afina" sob cisalhamento. O sistema de bombeamento dimensionado para AFFF antigo frequentemente não consegue sequer escorvar com o concentrado novo. Requalificar o bombeamento virou parte obrigatória da migração.
Por que a bomba de engrenagem domina o serviço de concentrado
A física decide. A bomba centrífuga gera vazão por energia cinética: com fluido viscoso, o rendimento despenca e a curva "derrete" — com SFFF em repouso, muitas centrífugas nem escorvam. A bomba de pistão tolera mais viscosidade, mas tem teto prático na faixa de poucos milhares de centipoise.
A bomba de engrenagem desloca volume confinado entre dentes e carcaça: a vazão é proporcional à rotação e quase indiferente à viscosidade — o mesmo princípio que a consagrou em asfalto e óleos pesados.
No setor de proteção contra incêndio, ensaios com proporcionadores de bomba de engrenagem reportam operação estável com concentrados na casa de 8.000 cP — território onde pistão e centrífuga já ficaram para trás. Para o especificador, a leitura é direta: concentrado moderno pede deslocamento positivo rotativo, e a engrenagem é a configuração com mais lastro de campo.
| Tipo de bomba | AFFF legado (baixa viscosidade) | AR-AFFF / SFFF (alta viscosidade, não-newtoniano) |
|---|---|---|
| Centrífuga | Viável | Rendimento colapsa; risco de não escorvar |
| Pistão | Viável | Teto prático ~4.000–4.500 cP |
| Engrenagem (deslocamento positivo) | Viável | Indicada — operação estável reportada a ~8.000 cP |
O que a NFPA 11 espera do bombeamento de concentrado
A NFPA 11 é a norma dos sistemas de espuma de baixa, média e alta expansão: define tipos de concentrado, taxas de aplicação, métodos de proporcionamento e os ensaios do sistema. Para o bombeamento, o princípio é a compatibilidade: a bomba de concentrado deve ser adequada ao fluido real — tipo, faixa de viscosidade nas temperaturas de operação e materiais molhados compatíveis com surfactantes e glicóis do LGE.
Um ponto que o especificador não pode contornar: em sistemas fixos de proporcionamento, a exigência de equipamento listado (UL/FM) aparece com frequência nas especificações de seguradoras e da autoridade competente — e listagem é do equipamento específico, não do tipo de bomba.
Já a transferência de concentrado — descarregar caminhão, abastecer tanque de LGE, transferir entre reservatórios — é serviço de bomba industrial dimensionada para o fluido, onde vale a engenharia de aplicação: é exatamente aí que a bomba de engrenagem nacional entra com prazo e custo racionais.
Como especificar a bomba de LGE na prática
Comece pelo boletim técnico do concentrado: a folha de dados do fabricante do LGE traz a curva de viscosidade por temperatura — o dado que dimensiona tudo. Com ela, defina: vazão de transferência requerida, altura manométrica do circuito, temperatura mínima de operação (viscosidade máxima) e materiais molhados. Elastômeros e metalurgia precisam ser validados contra o concentrado: surfactantes e solventes do LGE atacam borrachas comuns, e ferro fundido em contato prolongado com concentrado à base d’água pede avaliação de corrosão.
A partir daí, a seleção segue a engenharia de bomba de engrenagem para viscosos: rotação reduzida para viscosidade alta (preservando a sucção), NPSH disponível verificado na temperatura mínima, alívio de pressão no recalque (deslocamento positivo contra linha bloqueada gera pressão até o limite do acionador) e selagem compatível.
A FB Bombas seleciona a FBE para o concentrado especificado a partir do boletim do fabricante do LGE — o mesmo método de aplicação usado há décadas em fluidos viscosos como asfalto e óleos pesados, com curva e ensaio de fábrica documentados.
Onde a bomba de LGE entra no sistema de incêndio completo
O sistema de espuma não substitui o sistema de água — ele se soma a ele. A demanda hidráulica continua sendo atendida pelo conjunto NFPA 20: bomba principal, reserva e jockey pressurizando a rede; o circuito de espuma adiciona o tanque de LGE, o proporcionador e, conforme a arquitetura, a bomba de concentrado.
Em plantas com parque de tanques — refinarias, terminais, usinas — a dupla aparece completa: conjunto de água dimensionado pela demanda e circuito de LGE dimensionado pela taxa de aplicação de espuma.
Para o comprador, a consequência prática é boa: um único fabricante nacional pode responder pelos dois lados do sistema — o conjunto de bombas de água conforme NFPA 20 e NBR 16704, e a bomba de engrenagem do circuito de concentrado — com engenharia de aplicação integrada, FAT documentado e assistência local.
