1. A cadeia brasileira de fertilizantes: pontos de bombeamento
A indústria de fertilizantes opera em três etapas com requisitos de bombeamento muito diferentes. A primeira é o manuseio de matérias-primas: ácidos sulfúrico e fosfórico e amônia. A segunda é a produção de intermediários: sulfato de amônio, fosfatos de amônio (MAP e DAP), ureia, NPK granulado e NPK fluido. A terceira é a expedição e a formulação final, incluindo soluções para aplicação foliar e para fertirrigação.
O enquadramento na linha FB depende da compatibilidade completa do fluido com a construção proposta. Para ácidos, amônia e ureia fundida, apresente a especificação do licenciador ou do responsável pelo processo. Se as opções documentadas não atenderem, confirme a viabilidade de outra construção; não presuma que qualquer liga ou revestimento esteja disponível.
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| Produto | Etapa | Dado decisivo | Linha FB |
|---|---|---|---|
| Ácido sulfúrico concentrado | Matéria-prima | Concentração, temperatura e velocidade na tabela de corrosão | Compatibilidade e construção a confirmar para a concentração real |
| Amônia anidra | Matéria-prima | Gás liquefeito sob pressão; toxicidade | Fora da linha FB |
| Ácido fosfórico | Matéria-prima e processo | Concentração, impurezas (fluoretos, cloretos), sólidos, temperatura | FBCN somente com compatibilidade confirmada; não presumir outras ligas |
| Sulfato de amônio (solução) | Intermediário | pH, concentração, tendência a cristalizar | FBCN; vedação S3 se houver cristalização |
| Ureia fundida | Intermediário | Fusão a cerca de 133 °C; aquecimento de bomba e linhas | Sob consulta (execução especial) |
| NPK fluido (solução) | Produto final | pH, cloretos (quando o potássio vem de cloreto), sólidos | FBCN; material pela FDS e pela análise |
| Glicerina e subprodutos viscosos | Subproduto | Viscosidade na temperatura de bombeamento, pH | FBE |
2. NPK fluido e suspensões: critérios de material e vedação na FBCN
Fertilizantes fluidos podem ser soluções ou suspensões. Nas soluções NPK, a composição nitrogenada, fosfatada e potássica depende da formulação; o uso de cloreto de potássio acrescenta cloretos. Identifique concentração, pH, temperatura, viscosidade e sólidos na FDS e na análise do produto. Suspensões precisam também de teor, tamanho e abrasividade das partículas.
Na FBCN, a carcaça pode ser de ferro fundido, aço carbono WCB ou inox CF8M (MTEC-03/00). A escolha segue a compatibilidade do produto na temperatura de operação; cloretos favorecem ligas com molibdênio, como o CF8M, versão fundida do 316 (IMOA), sem dispensar a verificação.
Na vedação, a FBCN prevê lavagem com líquido limpo externo (arranjo S3) para fluidos com tendência a cristalizar, o arranjo S2 para partículas sólidas em suspensão e selo mecânico definido para a aplicação; soluções que cristalizam ao secar pedem atenção à vedação nas paradas. Suspensões com cargas minerais finas têm sólidos em suspensão e são avaliadas pela FB caso a caso (item 2.3).
3. Ureia em fusão: serviço especial, avaliado sob consulta
Para ureia pura, o NIST registra fusão em torno de 133 °C. A corrente industrial pode ter composição diferente: o processo deve informar o limite de solidificação, a temperatura admissível e o tempo de residência. Defina aquecimento de bomba, linhas e válvulas e o procedimento de parada e drenagem para essa corrente, sem transferir automaticamente o valor da substância pura.
Os catálogos analisados não comprovam uma execução para ureia fundida. A presença de câmara de aquecimento na FBE ou camisa na FBEI não aprova essa aplicação: faltam a avaliação de materiais, viscosidade, cristalização, folgas e vedação para o processo real. Encaminhe esses dados para confirmar viabilidade e escopo antes de escolher modelo ou assumir fornecimento especial.
Atenção
Não feche especificação de bomba para ureia fundida sem três dados: temperatura mínima para manter o produto fundido em toda a linha, fonte e controle do aquecimento (vapor, fluido térmico ou elétrico) e procedimento de parada com drenagem. Sem eles, a cristalização pode travar a bomba nas paradas.
4. Ácidos sulfúrico e fosfórico: onde termina o catálogo
A corrosividade dos ácidos sulfúrico e fosfórico muda muito com a concentração, a temperatura, a velocidade e as impurezas — a mesma liga pode servir numa faixa e falhar em outra. A seleção de material vem de tabela de corrosão do fornecedor do ácido ou de especialista em corrosão, para a condição real, e não de uma regra geral.
A FBCN documenta carcaças em FoFo, WCB e CF8M. A compatibilidade precisa abranger carcaça, rotor, eixo, juntas e vedação, além da condição hidráulica. Se a análise exigir outra liga ou revestimento, peça confirmação de viabilidade e disponibilidade antes de incluir essa construção no pedido; a indicação de uma necessidade não equivale a uma opção oferecida em catálogo.
5. Normas, regulação e segurança que tocam a bomba
Envie a ficha com dados de segurança do produto; o catálogo ABNT identifica a NBR 14725:2023, Versão Corrigida 2:2025, como referência em vigor para GHS, classificação, FDS e rotulagem. Para gases e vapores inflamáveis, o estudo de áreas usa a referência aplicável da série IEC 60079; a certificação do equipamento elétrico no Brasil segue a Portaria Inmetro 115/2022. A FDS e o certificado do motor não substituem a seleção e a análise de segurança do conjunto.
O registro do fertilizante ou do defensivo é obrigação do fabricante do produto perante o órgão competente, não da bomba. A FB não declara conformidade das bombas com normas regulamentadoras ou de registro de produto; os documentos de cada fornecimento (folha de dados, curva do modelo, certificados de material quando contratados e certificado do motor Ex quando especificado) são definidos na proposta.
6. Fertirrigação por pivô central e aplicação foliar
Na fertirrigação, o fertilizante é injetado na própria água de irrigação. Há dois papéis de bomba: a principal, que move a água (vazão e pressão definidas pelo projeto do pivô ou do sistema de irrigação), e a injetora, que dosa a solução concentrada na linha. Os números de cada uma vêm do projeto de irrigação e da recomendação agronômica, não de uma faixa típica.
A bomba principal deve ser selecionada para a água e para os produtos que efetivamente passam por ela. A injeção é outro serviço: informe vazão de dosagem, pressão da linha, precisão, viscosidade e composição do concentrado. A FBE tem vazão dependente de rotação, pressão e viscosidade; só pode ser avaliada se o fluido e a faixa de operação forem compatíveis. Um medidor não torna automaticamente adequada uma bomba ao produto nem lhe confere precisão de dosadora.
7. Defensivos agrícolas: formulações e o que muda na bomba
Identifique a formulação e sua composição completa. SL significa concentrado solúvel e não garante base exclusivamente aquosa; SC é suspensão concentrada aquosa, com partículas; EC é concentrado emulsionável, que pode conter solventes inflamáveis. A classificação da FAO/OMS ajuda a distinguir as formas, mas a seleção precisa da FDS e dos dados reais de solventes, viscosidade, densidade e sólidos.
Avalie FBCN para líquidos compatíveis com sua hidráulica e materiais, e FBE para viscosos compatíveis com a matriz de modelos e rotações. Suspensões exigem consulta específica sobre sólidos. O acoplamento magnético da FBE (MTEC-01/01) é uma opção de construção a confirmar, sem garantia universal de estanqueidade. Solventes, tensoativos, entrada de ar e temperatura também entram na avaliação de vedação, sucção e área classificada.
8. Logística: descarga portuária, terminal e caminhão tanque
Em terminais, fertilizantes sólidos são movimentados como granéis, sem bombeamento; os líquidos (soluções nitrogenadas, ácidos, soluções concentradas) são transferidos entre navio, tanques e caminhões. Vazão, pressão e material vêm do produto e da operação: tempo de descarga, comprimento das linhas e diferença de nível. Na FB, a FBCN atende os produtos aquosos compatíveis com seus materiais, com motor acionado por inversor quando a operação exige variar a vazão.
Descarga de caminhão-tanque: o tanque costuma ficar acima da bomba, mas o nível cai até esvaziar, e no fim da descarga o NPSH disponível diminui e a bomba pode aspirar ar. A FBCN não é autoescorvante: exige sucção afogada ou sistema de escorva. A FBEI é apresentada como autoescorvante no catálogo FBEI 2026 (p.3), o que ajuda onde a bomba fica acima do nível; confira materiais e vedação para o produto.
9. Erros mais comuns em projetos de fertilizantes e agroindústria
Estes erros de especificação se repetem em serviços químicos da agroindústria; cada um tem um dado que evita o problema:
- Escolher o material pelo nome do produto, e não pela FDS e pela análise: soluções com cloretos e soluções ácidas pedem verificação de compatibilidade na temperatura real
- Não aquecer bomba e linhas de produtos que cristalizam ou solidificam (ureia fundida, soluções saturadas, gorduras): o produto trava a bomba na parada
- Aplicar inox a ácido sem tabela de corrosão: a resistência muda com concentração e temperatura, e o material certo sai da condição real
- Esquecer a documentação que o cliente final vai exigir (folha de dados e certificados de material): defina tudo na proposta
- Instalar motor sem certificação Ex em área classificada por solventes: a zona sai do estudo de classificação de áreas, e o motor precisa de certificação do Inmetro
- Aceitar sucção com entrada de ar ou NPSH marginal em formulações com tensoativo: espuma, cavitação e vazão instável
- Usar centrífuga sem escorva onde a bomba fica acima do nível: a FBCN precisa de sucção afogada ou sistema de escorva
- Não prever reserva instalada em serviço contínuo crítico: a decisão por 1+1 vem da consequência da parada, avaliada pela planta
Ponto-chave
Antes do pedido, envie à engenharia de aplicação da FB: FDS do produto, concentração, pH, viscosidade e densidade na temperatura de operação, sólidos, vazão e pressão, classificação da área e regime de operação. Com esses dados, a FB indica série, material, vedação e motor e registra o escopo na proposta.


