1. Formulação e reologia: os dados que mudam a seleção
Um ponto de partida importante é não tratar todos os produtos do setor como líquidos semelhantes. Detergentes, xampus, cremes, loções e géis cobrem um espectro reológico amplo, e muitos não são newtonianos: a viscosidade medida em repouso pode ser diferente da viscosidade dentro da bomba.
Algumas formulações toleram o cisalhamento de uma centrífuga; emulsões e géis estruturados podem perder consistência ou separar fases com cisalhamento intenso. Essa sensibilidade é uma propriedade da formulação e deve ser informada pelo formulador.
A primeira pergunta de qualquer projeto é, portanto: qual é a curva de viscosidade do produto na temperatura de operação e qual é a sua sensibilidade ao cisalhamento.
| Família | Exemplos | Dado a confirmar | Série FB a avaliar |
|---|---|---|---|
| Líquidos de baixa viscosidade | Detergente diluído, água de processo, tônicos | Viscosidade, compatibilidade química, inflamabilidade (produtos com álcool) | FBCN; FBE quando a instalação pedir deslocamento positivo |
| Líquidos de média viscosidade | Xampu, condicionador líquido, sabonete líquido | Curva de viscosidade e sensibilidade ao cisalhamento | FBCN ou FBE após avaliação da reologia e do ponto de trabalho |
| Viscosos e emulsões sensíveis | Cremes, loções, géis, pastas | Viscosidade na taxa de cisalhamento do processo; sólidos em suspensão | FBE ou FBEI em baixa rotação |
2. Xampu e condicionador: seleção para produtos de média viscosidade
O xampu é, em geral, uma solução ou dispersão aquosa de tensoativos, como lauril éter sulfato de sódio e cocamidopropil betaína, com agentes condicionantes, conservantes, fragrância e corantes. A viscosidade é ajustada na formulação e varia de produto para produto.
Formação de espuma, aeração e sensibilidade ao cisalhamento precisam ser avaliadas na recirculação e no enchimento. Confirme esses comportamentos com o formulador e envie dados reológicos. A correção de desempenho da ANSI/HI 9.6.7 é voltada a líquidos newtonianos; não deve ser aplicada automaticamente a xampus, géis ou emulsões cujo comportamento dependa do cisalhamento.
Com a FBCN, a seleção considera as rotações de 1.750 e 3.500 rpm do manual (60 Hz), o controle por inversor quando necessário, carcaça em inox A743 CF8M e rotor em aço inoxidável entre as opções documentadas, e selo mecânico definido pela aplicação, com elastômeros escolhidos pela compatibilidade com tensoativos, fragrâncias e agentes de limpeza. Condicionadores com agentes catiônicos seguem o mesmo raciocínio; a compatibilidade do elastômero deve ser confirmada com o fabricante do selo.
3. Cremes e loções: bombas de engrenagem e cisalhamento controlado
Cremes, loções, hidratantes e produtos similares são emulsões — óleo em água (O/W) ou água em óleo (W/O) — estabilizadas por emulsificantes. A estrutura pode ser afetada por cisalhamento excessivo, temperatura e incorporação de ar.
Centrífugas em alta rotação impõem cisalhamento elevado ao produto; por isso, emulsões sensíveis costumam ser transferidas por bombas de deslocamento positivo em baixa rotação — engrenagem, lóbulos ou parafuso, conforme viscosidade, sólidos e exigências de limpeza.
Na FB Bombas, a FBE trabalha com rotação escolhida pela viscosidade (catálogo 2026, p.5), e a FBEI é acionada por redutor e trabalha em baixa rotação, com vazão constante, autoescorvante e rotação reversível (catálogo FBEI 2026). A escolha entre elas depende de viscosidade, vazão, pressão e requisitos de vedação e limpeza; a sensibilidade da emulsão ao cisalhamento deve ser validada pelo fabricante do produto.
Pelo catálogo FBEI 2026 (p.4), a baixa rotação por redutor dá maior vida útil, baixo NPSH requerido, maior rendimento e menor ruído.
Quando a viscosidade do produto é informada em centipoise (cP), é preciso convertê-la, porque o catálogo FBE 2026 escolhe a rotação em SSU. A conversão está no próprio catálogo (p.5): a viscosidade cinemática, em centistokes (cSt), é a viscosidade em cP dividida pela densidade em g/cm³, e acima de 300 SSU vale a aproximação SSU = cSt × 4,635. Em produto não newtoniano, converta a viscosidade medida na taxa de cisalhamento do processo.
Exemplo com valor ilustrativo: um produto de 10.000 cP com densidade de 1,0 g/cm³ tem 10.000 cSt, ou cerca de 46.000 SSU. Na tabela de rotação recomendada do catálogo (p.5), a faixa de 10.000 a 50.000 SSU pede de 500 a 300 rpm, com polia ou redutor, nos tamanhos de 1.1/2" a 6"; de 50.000 a 100.000 SSU, a rotação cai para 300 a 150 rpm, só de 3" a 6".
Nota
Produtos com partículas sólidas — esfoliantes e cremes com micropérolas — exigem atenção ao desgaste de engrenagens e buchas. O manual FBE orienta consultar a FB para fluidos com sólidos em suspensão; em alguns casos, outra tecnologia de deslocamento positivo é mais adequada.
4. Sabão em pó e detergente: escala industrial e química variável
A saboaria produz sabão em pó, sabão em barra, detergente líquido e amaciantes, com processos bem diferentes entre si.
O sabão em pó é produzido por secagem por atomização (spray drying) de uma pasta alcalina, seguida de mistura com ingredientes secos; o sabão em barra, por saponificação de óleos e gorduras com soda cáustica, seguida de acabamento e moldagem; o detergente líquido, por mistura de tensoativos em água com ajuste de pH, corantes e fragrância.
Cada etapa tem seus próprios pontos de bombeamento, com requisitos distintos.
Na saponificação, os pontos críticos são a alimentação de óleos, a transferência da solução de soda cáustica, a circulação da massa saponificada, viscosa, e a transferência para o acabamento. Soluções cáusticas e massas alcalinas pedem materiais e vedação escolhidos pela concentração e pela temperatura; a FBE lista sabões, detergentes e bases entre as aplicações do catálogo 2026. No detergente líquido, a FBCN atende a transferência de líquidos de baixa viscosidade, e produtos concentrados ou espessados podem pedir FBE.
Pastas para spray drying precisam de avaliação pela concentração de sólidos: consulte a FB.
Na FBE, a válvula de alívio interna é um acessório do catálogo 2026 e sai em latão ou inox AISI 304 (p.3); inclua-a na verificação de compatibilidade química, junto com a carcaça. Quando a massa precisa ser mantida aquecida dentro da bomba, a câmara de aquecimento, outro acessório do catálogo, existe de 1.1/2" a 6" (manual MTEC-01/01, Tabela 1).
5. Tensoativos e intermediários: química agressiva a montante
A cadeia a montante produz tensoativos — LAS (alquilbenzeno sulfonato linear), lauril sulfato, lauril éter sulfato, betaínas e outros —, muitas vezes em forma concentrada, ácida ou alcalina.
As bombas dessa cadeia podem operar com pH extremos, temperatura elevada e produtos cuja viscosidade muda com a concentração. Peça ao fornecedor do tensoativo as fichas técnica e de segurança, com viscosidade, temperatura de manuseio e compatibilidade de materiais.
O manual FBCN documenta carcaças em ferro fundido, aço carbono A216 WCB e inox A743 CF8M; ligas especiais fora dessa lista são avaliadas como solução sob encomenda. Em produtos ácidos concentrados, como o ácido sulfônico que dá origem ao LAS, a compatibilidade do material na temperatura de operação decide a viabilidade — confirme com a engenharia antes de especificar.
Na vedação da FBCN, a execução com gaxeta que o manual indica para fluidos tóxicos, agressivos ou de mau odor é a S1, com selagem por líquido limpo de fonte externa, até 105 °C (MTEC-03/00, item 10); com selo mecânico, o arranjo segue a aplicação. Na FBE, o catálogo 2026 lista ácidos e bases no card Química (p.3); confirme com a engenharia a compatibilidade de cada produto.
6. Boas práticas de fabricação: o que cabe à bomba
Fabricantes de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes seguem as boas práticas de fabricação definidas pela ANVISA. Qualificação de equipamentos, validação de limpeza e controle da água de processo são responsabilidades do fabricante do cosmético, dentro do seu sistema de qualidade.
Para a bomba, isso se traduz em dados de compra: materiais das partes molhadas, elastômeros compatíveis com o produto e com os agentes de limpeza, facilidade de desmontagem e drenagem e documentação do equipamento. FBCN, FBE e FBEI são bombas industriais; quando o processo exige projeto higiênico específico, informe o requisito para avaliação.
A documentação é definida na proposta — por exemplo, certificados de material das partes molhadas e certificado de ensaio com curva, quando contratados. Informe na consulta quais documentos a qualificação da sua planta exige.
Na FBE, a vedação é selecionada conforme o fluido bombeado (manual MTEC-01/01, p.1): o catálogo 2026 oferece gaxeta, selo mecânico ou retentor (p.3), e o selo padrão do manual é o tipo 21, em cerâmica, grafite e Viton, com mola em inox AISI 304 (item 2.5). Informe na consulta o produto e os agentes de limpeza, para a verificação desse elastômero.
Na FBEI, o catálogo 2026 prevê gaxetas e selo mecânico simples, duplo ou cartucho (p.4).



