1. As duas grandes famílias: base água e base solvente
A tecnologia de revestimentos se organiza em duas grandes famílias: tintas e vernizes à base de solvente orgânico (por exemplo tolueno, xileno, acetato de etila, metiletilcetona e hidrocarbonetos alifáticos) e tintas à base de água, em que o veículo é uma dispersão de resina em meio aquoso estabilizada por tensoativos.
Tintas imobiliárias látex e acrílicas são, em geral, à base de água; muitos revestimentos industriais, marítimos, automotivos e para madeira ainda usam solvente por requisitos de aderência, cura e resistência.
Para a especificação da bomba, a diferença é grande: linhas à base de água costumam operar sem atmosfera inflamável relevante, enquanto linhas com solvente têm áreas classificadas definidas pelo projeto, com motor e instrumentos Ex, aterramento equipotencial e ventilação. A classificação de área — e não o nome do produto — decide o motor; uma mesma fábrica pode ter áreas com e sem classificação, separadas fisicamente.
2. Resinas base: alquídicas, epóxi, poliéster, poliuretano, acrílicas
As resinas são os ingredientes estruturais das tintas e vernizes: o componente que forma o filme após a secagem ou cura.
As famílias mais comuns são: (1) alquídicas, obtidas de óleos vegetais ou ácidos graxos, polióis e ácidos policarboxílicos, usadas em esmaltes e tintas para madeira; (2) epóxi, obtidas da reação de bisfenol A com epicloridrina, usadas em pintura industrial anticorrosiva; (3) poliéster, usadas em tintas em pó e revestimentos industriais; (4) poliuretanas, usadas em vernizes e pintura automotiva; e (5) acrílicas e vinílicas, frequentes em tintas imobiliárias à base de água.
Cada família é produzida em reatores de síntese, com intermediários cuja viscosidade cresce ao longo da reação.
Para a bomba, isso significa selecionar para a faixa de viscosidade do ciclo inteiro, da carga inicial ao produto final, e para a temperatura de processo. A FBE tem rotação recomendada por faixa de viscosidade de 30 a 100.000 SSU (catálogo 2026, p.5); a FBEI publica máximo independente de 140.000 cP e temperatura da série até 340 °C, com a camisa limitada a vapor até 185 °C e fluido térmico até 232 °C, ambos a 10 bar (MAN001-10).
Quando a viscosidade máxima do ciclo ou a temperatura excedem o que uma configuração documentada atende, a engenharia avalia alternativas sob encomenda.
Nota
O aquecimento de reatores de resina costuma usar óleo térmico. A FBOT é a série da FB Bombas para essa circulação (limite da série: 350 °C), selecionada pelos dados do fluido térmico e pelo ponto de operação; o guia de óleo térmico detalha os critérios.
3. Dispersão de pigmentos: moagem e recirculação abrasiva
A dispersão de pigmentos é uma das etapas mais exigentes para a bomba: pigmentos e cargas minerais, como dióxido de titânio, óxidos de ferro e carbonato de cálcio, são dispersos no veículo até a finura especificada, medida por exemplo na escala Hegman.
No processo com moinhos de microesferas, a mistura recircula entre bomba, moinho e tanque; enquanto a dispersão não está completa, partículas duras aceleram o desgaste de rotores, engrenagens, buchas e vedação.
Os manuais FBE e FBCN orientam consultar a FB para fluidos com sólidos em suspensão. Na FBCN, a execução S3 da câmara de selagem prevê lavagem com líquido limpo de fonte externa para fluidos com partículas abrasivas ou tendência à cristalização (até 105 °C); na FBE, materiais de engrenagens e buchas e rotação reduzida entram na avaliação.
Informe o tipo e o teor de sólidos, a granulometria e o regime de recirculação. O desgaste desses serviços deve entrar no plano de manutenção, com peças de reposição definidas; revestimentos especiais fora da documentação padrão são avaliados sob encomenda. A FB não publica vida útil de componentes para serviço abrasivo.
4. Bombas de solvente e tintas base solvente: área classificada, vedação e NPSH
Linhas de tinta com solvente têm áreas classificadas definidas pelo projeto, em zonas: Zona 1 (atmosfera explosiva provável em operação normal) ou Zona 2 (improvável em operação normal e, se ocorrer, de curta duração).
O projeto elétrico segue a ABNT NBR IEC 60079-10-1 para a classificação e a ABNT NBR IEC 60079-14 para projeto, seleção e montagem. No Brasil, a NR-10 (item 10.9.2) exige avaliação da conformidade de equipamentos para atmosferas potencialmente explosivas, e os equipamentos elétricos abrangidos pelo regulamento têm certificação compulsória pela Portaria Inmetro nº 115/2022; a certificação exigida no país é a do Inmetro.
Na bomba, isso se traduz em motor Ex compatível com a zona, o grupo de gás e a classe de temperatura; protetor de acoplamento em material anticentelhante, opção prevista nos manuais FBE e FBCN; aterramento equipotencial entre bomba, motor, base e tubulação; e instrumentação adequada à zona. A FB Bombas cota o conjunto com motor certificado pelo fabricante do motor, e FBE, FBEI e FBCN podem ser especificadas nessa configuração conforme a viscosidade do produto.
Em bombas de solvente, a vedação vem primeiro. O catálogo FBE 2026 inclui solventes no card Química (p.3) e oferece vedação por gaxeta, selo mecânico ou retentor, com válvula de alívio em latão ou inox AISI 304; o catálogo FBEI 2026 prevê gaxetas e selo mecânico simples, duplo ou cartucho entre as opções de vedação (p.3).
Na FBCN, usada nos produtos de baixa viscosidade, a execução com gaxeta que o manual indica para fluidos tóxicos, agressivos ou de mau odor é a S1, com selagem por líquido limpo de fonte externa (MTEC-03/00, item 10); com selo mecânico, o arranjo segue a aplicação.
Na sucção, a pressão de vapor do solvente na temperatura real entra no NPSH disponível. A 20 °C, pelos dados do NIST, a água tem 2,34 kPa, o tolueno 2,9 kPa e a acetona 24,6 kPa — cerca de dez vezes a água. Use o valor do solvente e da temperatura da linha, da ficha de segurança ou de base de dados, e prefira sucção afogada e curta quando o produto for volátil.
5. Limpeza e troca de cor: o gargalo operacional
Fábricas de tintas produzem muitas cores e formulações em equipamentos compartilhados; cada troca exige limpeza da bomba, da tubulação, do misturador e da envasadora com solvente compatível ou água com detergente.
Para a bomba, a limpeza depende de drenar o produto, circular o agente de limpeza e, quando necessário, desmontar para limpeza manual — por exemplo, na troca de cores fortes para cores claras.
Na especificação, informe a frequência de trocas, o agente de limpeza e a temperatura, para que materiais e elastômeros sejam compatíveis. A FBEI tem construção back-pull-out e sentido de rotação reversível (catálogo 2026), e o catálogo FBE lista os componentes de reposição da série; pontos de dreno, tipo de vedação e acesso para limpeza são definidos na proposta. A FB não publica tempos de troca de cor.
Especifique corpo, peças internas e vedação
Para tintas e resinas, comece pela composição do produto e defina o material de cada parte da bomba. Na FBE, carcaça e tampas têm opções próprias, assim como eixos, engrenagens e buchas. Na FBEI, as especificações gerais de carcaça, engrenagens e buchas e as opções de corpo e suporte da série padrão têm escopos distintos. A proposta deve identificar a construção escolhida; o material do corpo não define o das peças internas.
Na FBEI, a vedação pode ser por gaxetas ou selos mecânicos simples, duplos ou de cartucho. Informe produto, temperatura, pigmentos, cargas, agentes de limpeza e requisitos de contenção para avaliar a configuração. Se o pedido exigir API 682, confirme a execução do selo: a menção entre as opções de vedação não certifica a bomba completa.



