1. Normas da bomba de incêndio: NFPA 20, NBR 16704 e NBR 13714
A NFPA 20 (Standard for the Installation of Stationary Pumps for Fire Protection) é a norma da NFPA para a instalação de bombas estacionárias de proteção contra incêndio. Ela trata das bombas centrífugas, das verticais tipo turbina e das de deslocamento positivo, do acionamento elétrico e diesel com seus controladores, da fonte de energia, do tanque de combustível e dos ensaios de aceitação.
A NBR 16704 estabelece os requisitos dos conjuntos de bombas estacionárias para sistemas automáticos de proteção contra incêndios.
A NBR 13714 (sistemas de hidrantes e de mangotinhos) trata do sistema que a bomba alimenta e, com isso, da demanda. A ficha do ABNT Catálogo a registra em vigor, confirmada em 25/04/2024.
Quem fixa o tipo de sistema, a vazão, a pressão e a reserva de incêndio exigidos na obra é a Instrução Técnica do Corpo de Bombeiros do estado, nas Tabelas 2 e 3 da IT 22 de São Paulo e da NT 22 de Goiás; o artigo da NBR 13714 traz os valores com o estado de cada um.
Cada estado publica a regulamentação que o Corpo de Bombeiros aplica na análise e na vistoria. Em São Paulo, a IT 22 do CBPMESP trata de hidrantes e mangotinhos e reúne no Anexo C as regras das bombas de incêndio; a IT 23 trata de chuveiros automáticos.
Em Goiás, a NT 23 do CBMGO manda os conjuntos de bombas de sprinklers seguirem o anexo C da NT 22 e a NBR 16704 e exige que essas bombas trabalhem em pressão positiva, sem reservatório de escorva. Essas regras valem na jurisdição que as publicou.
Nota
Norma de projeto, certificação de produto e aprovação da instalação são coisas diferentes. A NFPA e a ABNT publicam normas; a listagem ou a certificação de um modelo só se comprova pelo documento emitido pelo organismo que a concedeu; em São Paulo, o AVCB é emitido pelo Corpo de Bombeiros para a edificação (Decreto estadual 69.118/2024, art. 3º, XI). Peça a evidência de cada uma pelo nome do documento.
1.1 NBR 16704: instalação do conjunto de bombas
Pela ficha do ABNT Catálogo, a NBR 16704 estabelece os requisitos mínimos para a seleção e a instalação de conjuntos de bombas estacionárias para sistemas automáticos de proteção contra incêndio, e está em vigor. É a referência brasileira de instalação do conjunto, ao lado da NFPA 20. Em Goiás, a NT 23 manda os conjuntos de bombas de sprinklers seguirem o anexo C da NT 22 e a NBR 16704.
A ficha registra que a norma possui programa de certificação. A certificação de um modelo só se comprova pelo certificado emitido para ele; a FB declara o projeto do conjunto conforme a NFPA 20.
2. Guias técnicos por tipo de ocupação
A ocupação muda os dados de entrada, não o método de seleção. A regra local enquadra a edificação por área construída e ocupação e, com isso, define o tipo de sistema e a reserva mínima; em São Paulo, esse enquadramento está na Tabela 3 da IT 22. A bomba sai do cálculo hidráulico do memorial, com os dois jatos mais desfavoráveis em uso simultâneo, e a IT 22 não admite referência a outro projeto para justificar o dimensionamento.
Os guias abaixo detalham as decisões de cada tipo de edificação. Use-os com a revisão atual do memorial para preparar a consulta técnica.
- Galpões e armazéns: a proteção depende da mercadoria e da forma de armazenamento; em Goiás, a NT 23 manda proteger qualquer armazenamento, mesmo transitório, pela NBR 16981.
- Shoppings, hospitais e condomínios: edificações ocupadas, com hidrantes e, conforme o enquadramento, chuveiros automáticos; a IT 22 de São Paulo (C.1.2) e a NT 22 de Goiás (C.1.1) pedem casa de bombas com acesso em toda a volta das bombas e espaço para remover qualquer uma delas.
- Usinas, refinarias e terminais: em São Paulo, a proteção de tanques e parques de tanques segue a IT 25; quando esses tanques estão separados das demais construções conforme a IT 25, a reserva dos hidrantes não se soma à dos sistemas de resfriamento e de espuma (IT 22, 4.12.2 e 4.12.6).
- Skid pré-montado: o conjunto é montado numa base metálica conforme o arranjo contratado; as interfaces de sucção, recalque, energia e escape ficam definidas no projeto, e os componentes e o escopo do fornecimento, na proposta.
3. Guias técnicos por componente do sistema
O conjunto reúne bomba principal, bomba de pressurização (jockey), acionador, painel e válvulas.
A NT 22 de Goiás define a bomba fixa como a destinada a recalcar água para os sistemas de combate a incêndio (item 4.4), a bomba de reforço como a que fornece água aos hidrantes ou mangotinhos mais desfavoráveis quando o reservatório elevado sozinho não os abastece (item 4.3) e a jockey como o dispositivo hidráulico centrífugo que mantém o sistema pressurizado em uma faixa preestabelecida (item 4.5).
Em São Paulo, o Anexo C da IT 22 fixa regras que valem para qualquer acionamento. A bomba de incêndio serve só a esse fim e fica protegida contra danos mecânicos, intempéries, agentes químicos, fogo e umidade. A principal é acoplada diretamente por luva elástica, sem correias nem correntes, com válvula de paragem a montante e válvulas de retenção e de paragem a jusante.
Depois da partida automática, o desligamento é só manual, no painel da casa de bombas, e a bomba deve atingir pleno regime em cerca de 30 s.
- Motor elétrico: alimentação independente do consumo geral, chave sinalizada “ALIMENTAÇÃO DA BOMBA DE INCÊNDIO – NÃO DESLIGUE”, partida magnética e aceleração em até 10 s (IT 22, C.2.7, C.2.11 e C.2.18).
- Motor diesel: operação a plena carga por 6 h ininterruptas, controlador de rotação com tolerância de 10%, dois jogos de baterias com carregador duplo e recarga de uma bateria descarregada em até 24 h (IT 22, C.3.1.4, C.3.2, C.3.10 e C.3.11).
- Jockey: exigida em São Paulo quando a rede tem mais de seis saídas, salvo com reservatório elevado; vazão máxima de 20 L/min e pressão máxima igual ao shutoff da principal, com cerca de 10 mca recomendados entre partidas sequenciais (IT 22, C.1.15 e C.1.15.1).
- Sprinklers e hidrantes: a demanda de cada sistema sai da sua norma, e a IT 22 admite interligar as reservas nos parâmetros da IT 23.
4. Fluxo de decisão: qual guia consultar em cada fase do projeto
O guia de partida depende da fase do projeto. No anteprojeto, comece pelo guia da ocupação, que organiza enquadramento, sistemas exigidos e dados de entrada. Na especificação, siga para os guias de componente e para o artigo de dimensionamento. Na execução e na aceitação, use os guias de casa de bombas, comissionamento e manutenção.
| Fase do projeto | Guia recomendado |
|---|---|
| Anteprojeto e memorial: enquadramento, sistemas exigidos e reserva | Guia da ocupação: galpão, shopping e hospital, usina e refinaria |
| Especificação da bomba: vazão, pressão, sucção e curva | Artigo: Como dimensionar bomba contra incêndio NFPA 20 |
| Escolha do acionamento: energia disponível, partida e combustível | Guias de motor elétrico e de motor diesel |
| Pressurização da rede: faixa de pressão e sequência de partidas | Guia da bomba jockey |
| Delimitação do fornecimento: escopo, interfaces e aceitação | Guia do skid pré-montado |
| Sistemas combinados: hidrantes e chuveiros automáticos | Guia de sprinklers e hidrantes |
| Instalação e operação: casa de bombas, testes e manutenção | Artigos de casa de bombas e de NFPA 25 |
5. Como dimensionar: vazão, pressão, NPSH e curva
A vazão de projeto é a maior demanda simultânea do memorial. Em São Paulo, os sistemas de hidrantes e mangotinhos vão do tipo 1 ao tipo 5 da Tabela 2 da IT 22, com vazão mínima de 100 a 600 L/min na válvula do hidrante mais desfavorável, e o cálculo considera os dois jatos mais desfavoráveis em uso simultâneo.
Nos chuveiros automáticos, a classificação de risco e a área de operação vêm das normas técnicas do sistema; em Goiás, a NT 23 aceita a NFPA 13 no que as normas brasileiras não contemplam.
A altura manométrica soma o desnível, as perdas de carga e a pressão exigida no ponto mais desfavorável. A IT 22 aceita Darcy-Weisbach ou Hazen-Williams e dá o fator C de tubo novo por material: 100 para ferro fundido ou dúctil sem revestimento e aço preto em tubo seco, 120 para aço preto em tubo molhado e aço galvanizado, 140 para ferro fundido ou dúctil com revestimento de cimento e 150 para cobre e plástico.
A pressão de trabalho nos esguichos não pode passar de 100 mca, e a IT 22 não recomenda bomba de incêndio acima de 100 mca.
Na sucção, a IT 22 limita a velocidade a 2 m/s em sucção negativa e a 3 m/s em sucção positiva, e a 5 m/s no restante da tubulação (item 4.8.11 e 4.8.12 da IT de São Paulo; itens 5.8.9 e 5.8.10 da NT de Goiás). Com sucção negativa, o NPSH disponível é calculado com 1,5 vez a vazão nominal do sistema e deve ser maior ou igual ao NPSH requerido da curva da bomba nessa vazão.
A IT 22 prefere a sucção positiva e só admite bombas com sucção acima do nível de água nos sistemas tipos 1, 2 e 3, com tubulação de sucção própria, válvula de pé com crivo e reservatório de escorva.
A curva precisa cobrir a demanda do memorial dentro da faixa que a norma de projeto adotada admite para a bomba. Os pontos de leitura do ensaio de aceitação em campo vêm do capítulo de ensaios da norma adotada (na NFPA 20, o capítulo 14): peça o procedimento e os pontos na proposta.
Em São Paulo, a IT 22 pede que bombas com vazão nominal acima de 600 L/min tenham fluxo contínuo de água por tubo ou placa de orifício de 6 mm, derivado da voluta, para evitar superaquecimento.
Ponto-chave
O artigo “Como dimensionar bomba contra incêndio NFPA 20” mostra a conta completa, do ponto nominal ao ponto de 150%, com exemplos numéricos de vazão, altura manométrica, NPSH, tanque diesel e ajustes da jockey.
6. Bomba principal de incêndio industrial: o que verificar na proposta
Uma centrífuga de catálogo pode ter o mesmo ponto nominal do projeto e ainda assim não servir como bomba de incêndio. O que decide é a curva do shutoff a 150% da vazão, o acoplamento, o acionamento, o painel e a documentação do conjunto. A tabela organiza o que a regra pede e a evidência que a proposta deve trazer.
| Aspecto | O que a regra pede | Evidência na proposta |
|---|---|---|
| Curva | A curva cobre a demanda do memorial dentro da faixa da norma de projeto adotada (NFPA 20 ou NBR 16704) | Curva do modelo, rotor e rotação ofertados |
| Ensaio | NFPA 20: ensaio de aceitação em campo pelo capítulo 14, com os pontos de leitura do procedimento | Procedimento de aceitação em campo e registro das leituras |
| Acoplamento | IT 22 (SP): direto, por luva elástica, sem correias nem correntes | Desenho do conjunto com base e acoplamento |
| Placa da bomba | IT 22 (SP): fabricante, número de série, modelo, vazão e pressão nominais, rotação e diâmetro do rotor | Dados de placa na folha de dados |
| Motor elétrico | IT 22 (SP): partida magnética e aceleração em até 10 s | Diagrama elétrico e lista de materiais do painel |
| Motor diesel | NFPA 20 (edição vigente, 11.4.1.3.1): 12 h de motor pelo consumo publicado, mais 5% de expansão e 5% de fundo; IT 22 (SP): o dobro do tempo da reserva de água | Memória de cálculo do tanque e especificação das baterias |
| Sucção | IT 22 (SP): NPSH disponível a 1,5 vez a vazão nominal, com sucção negativa | Cálculo do NPSH disponível e curva de NPSH requerido |
Atenção
Norma citada na proposta não substitui evidência. Peça curva, folha de dados, desenhos e relatórios que identifiquem o equipamento efetivamente ofertado.
7. Documentação para vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB)
Em São Paulo, o AVCB é emitido pelo Corpo de Bombeiros para a edificação (Decreto estadual 69.118/2024, art. 3º, XI). Ele é da edificação, não da bomba: o fornecedor entrega os documentos do conjunto, e o projeto e a instalação completam o processo. A IT 22 exige um memorial com cálculos, dimensionamento e perspectiva isométrica da tubulação e não admite referência a outro projeto para justificar qualquer informação.
Depois da vistoria, o regulamento paulista atribui ao proprietário ou ao responsável pelo uso a manutenção e os testes periódicos das medidas de segurança, conforme as normas técnicas específicas (Decreto estadual 69.118/2024, art. 15, II). A lista abaixo reúne os documentos do conjunto que alimentam o processo.
- Folha de dados e curva Q×H do modelo, rotor e rotação ofertados.
- Placa da bomba com fabricante, número de série, modelo, vazão e pressão nominais, rotação e diâmetro do rotor (IT 22, C.2.15).
- Placa do motor elétrico com fabricante, tipo, modelo, número de série, potência em CV, rotação, tensão, corrente e frequência (C.2.16), ou do motor diesel com potência em regime contínuo e rotação nominal (C.3.8).
- Painel com desenhos dimensionais, leiaute, diagrama elétrico, régua de bornes, diagrama interno e lista de materiais (C.2.18.4).
- Desenho dimensional do conjunto e das interfaces de obra.
- Manuais de instalação, operação e manutenção dos equipamentos.
- Relatório de comissionamento do sistema; a IT 22 traz um modelo no Anexo F.
8. Etapas de planejamento: do pedido à aceitação
O prazo depende das aprovações, dos componentes e da prontidão da obra, e é confirmado na proposta. Na aceitação em campo, o teste da bomba segue o procedimento da norma adotada, com as leituras registradas ponto a ponto.
| Etapa | Condição para avançar | Registro esperado |
|---|---|---|
| Análise e proposta | Memorial, níveis da reserva e energia disponível | Seleção, escopo e lista de documentos |
| Aprovação de desenhos | Interfaces compatibilizadas com a casa de bombas | Revisão aprovada dos desenhos |
| Fabricação e montagem | Componentes e requisitos definidos | Placas de identificação e lista de componentes |
| Transporte e recebimento | Içamento e destino planejados | Conferência de recebimento |
| Instalação e comissionamento | Sucção lavada, energia e combustível disponíveis | Teste em campo pelo procedimento de aceitação da norma adotada |
| Entrega operacional | Aceitação e responsáveis definidos | Relatório de comissionamento e plano de manutenção |
9. Erros a evitar em projetos de bomba de incêndio
Cada item abaixo tem uma verificação objetiva no memorial, na proposta ou na instalação. Registre a resposta na documentação do fornecimento. As referências à IT 22 valem para São Paulo.
- Selecionar só pelo ponto nominal, sem conferir a demanda até 150% da vazão e o shutoff no envelope da norma adotada.
- Calcular o NPSH disponível na vazão nominal: com sucção negativa, a IT 22 pede 1,5 vez a vazão nominal do sistema.
- Prever sucção acima do nível de água em sistema tipo 4 ou 5: a IT 22 só admite essa condição nos tipos 1, 2 e 3.
- Usar correia ou corrente entre motor e bomba principal, quando a IT 22 pede acoplamento direto por luva elástica.
- Ligar a bomba elétrica depois da chave geral da edificação, de modo que o desligamento geral corte também a bomba; a IT 22 pede alimentação independente do consumo geral.
- Programar desligamento automático da bomba principal: depois da partida, o desligamento deve ser manual, no painel da casa de bombas.
- Dimensionar o tanque diesel sem o consumo do motor escolhido ou sem a regra aplicável (NFPA 20 ou IT 22).
- Ajustar a jockey acima do shutoff da principal ou sem diferencial entre as partidas; a IT 22 recomenda cerca de 10 mca entre os acionamentos sequenciais.
- Casa de bombas sem acesso em toda a volta das bombas, sem espaço para remover qualquer uma delas ou com máquinas que não sejam de combate a incêndio com água ou de água de consumo.
- Aplicar a regra de outro estado ou copiar outro projeto: a IT 22 não admite referência a outro projeto no memorial.
Nota
Para uma consulta objetiva, envie a revisão atual do memorial, os níveis da reserva, a energia disponível e a lista de documentos exigidos.


