1. Por que dual-diesel: a redundância exigida pela NFPA 20 capítulo 11
A NFPA 20 capítulo 11 é dedicada especificamente a instalações onde a confiabilidade do sistema de combate a incêndio precisa ser máxima: refinarias, terminais de líquidos inflamáveis, plantas petroquímicas, e usinas termelétricas de grande porte.
Nessas instalações, depender exclusivamente de uma bomba principal elétrica é um risco inaceitável — uma falha do sistema elétrico local, um curto no controlador, ou mesmo uma fase invertida durante a partida pode inviabilizar o combate em um momento crítico.
A resposta técnica é a redundância 2×100%: duas bombas principais, cada uma capaz de entregar a vazão de projeto integral, acionadas por motores diesel independentes, com tanques de combustível separados, baterias separadas, e controladores separados. Essa configuração é conhecida no setor como dual-diesel.
A lógica de operação é simples: a bomba A parte primeiro em caso de demanda (queda de pressão), opera por alguns minutos, e se a pressão continuar caindo ou se houver detecção de falha, a bomba B parte em paralelo. Se a bomba A falhar mecanicamente, a bomba B assume integralmente a demanda. Os dois controladores são interligados por sinal de supervisão mútua, e ambos têm bypass manual em caso de falha do controlador principal.
Toda a instalação é projetada para que nenhum componente único — tanque de combustível, bateria, cabo, válvula de suprimento — possa comprometer simultaneamente as duas bombas. É a filosofia N+1 aplicada de forma rigorosa.
2. Motores em área classificada: Ex d IIB T3 e certificação INMETRO
Em uma refinaria ou em um terminal de combustíveis, a casa de bombas de combate a incêndio frequentemente fica próxima a áreas classificadas — Zona 1 ou Zona 2 conforme a ABNT NBR IEC 60079-10-1, que trata do zoneamento elétrico em áreas com presença de gases ou vapores inflamáveis.
Qualquer motor elétrico auxiliar (bomba jockey, ventilação forçada da casa de bombas, bombas de drenagem, compressores de instrumentação) precisa ser certificado para a zona onde estará instalado.
O padrão técnico é Ex d IIB T3: "d" indica invólucro resistente à chama interna (flameproof); "IIB" cobre a maioria dos gases de refinaria; "T3" é a classe de temperatura correspondente a superfícies que não ultrapassam 200 °C, adequada para nafta, gasolina e querosene.
No Brasil, a certificação ATEX europeia não tem validade legal — é necessária certificação INMETRO conforme a Portaria 179/2010. Os motores Ex d usados em skids FB Bombas para refinarias vêm de fornecedores certificados como WEG (linha W22X para áreas classificadas) ou Siemens (série 1MB), ambos com certificação INMETRO emitida por órgão acreditado. O skid entregue inclui a documentação de certificação de cada componente elétrico, facilitando a aprovação do projeto pelo corpo técnico da refinaria e pela auditoria da seguradora.
3. Proporcionador de espuma: combate a líquidos inflamáveis
Em refinarias e terminais de combustíveis, o incêndio que precisa ser combatido não é apenas combustão sólida — é principalmente combustão de líquidos inflamáveis. Água sozinha não apaga esse tipo de fogo; pode até piorar, porque a água quente gera vapor que eleva a combustão e a água líquida afunda sob o combustível, espalhando-o.
A resposta técnica é espuma mecânica formada pela mistura de água, ar e concentrado de espuma (LGE, Líquido Gerador de Espuma, ou AFFF, Aqueous Film Forming Foam). A espuma flutua sobre o combustível, cria uma barreira de isolamento entre o líquido e o ar, e extingue o fogo por abafamento.
O proporcionador de espuma é o componente que faz a mistura automática da água bombeada com o concentrado de espuma em proporção precisa — tipicamente 3% ou 6% conforme o fabricante do concentrado e o tipo de combustível. Em um skid FB Bombas para refinaria, o proporcionador pode ser por linha (induzido pela vazão), por bombas dosadoras proporcionais ou por sistema de membrana — cada opção com vantagens de simplicidade ou precisão.
O reservatório de concentrado de espuma é dimensionado para autonomia mínima de operação conforme a classificação do risco: para tanques de armazenamento de combustível, tipicamente 30 a 60 minutos de operação contínua, o que pode representar vários milhares de litros de concentrado. A operação correta do proporcionador é tão importante quanto a operação da própria bomba — um erro de proporção gera espuma de qualidade inadequada que não apaga o fogo.
4. API 2030 e Petrobras N-1203: as normas do setor
Dois documentos normativos dominam o projeto de combate a incêndio em refinarias e terminais brasileiros: a API 2030 (Guidelines for Application of Water Spray Systems for Fire Protection in the Petroleum Industry) e a Petrobras N-1203 (Projeto de Sistemas de Combate a Incêndio em Instalações Terrestres). A API 2030 é a referência internacional aceita por todas as grandes seguradoras para terminais de armazenamento de líquidos inflamáveis.
Ela define critérios de dimensionamento de vazão, pressão residual, arranjo de anéis de monitores ao redor de tanques, proteção por resfriamento de paredes (water spray), e procedimentos de teste.
A Petrobras N-1203, por sua vez, é o documento técnico próprio da empresa para projetos em suas instalações — e qualquer fornecedor que deseje fornecer a uma unidade Petrobras precisa seguir rigorosamente essa norma. Ela estabelece exigências específicas sobre redundância (dual-diesel obrigatório em unidades terrestres de processamento), capacidade de reservatório mínimo, certificação de componentes, rastreabilidade de materiais e procedimentos de aceitação em fábrica (Factory Acceptance Test) e em campo (Site Acceptance Test).
A FB Bombas está qualificada pelo CRCC Petrobras (Cadastro de Registro de Cadastro Corporativo) para fornecimento de skids de combate a incêndio — esse cadastro é renovado periodicamente e exige auditoria de processo de fabricação, documentação de qualidade e histórico de fornecimento.
5. Captação de água: rio, mar e a decisão de material
Terminais de combustíveis e refinarias costuram estar localizados na costa ou próximos a grandes cursos d'água, por razões logísticas de recebimento e escoamento de produtos. Isso tem uma implicação direta na escolha da bomba de combate a incêndio: a captação pode ser feita diretamente do rio ou do mar, em vez de um reservatório dedicado.
Quando a captação é feita do mar, a água é corrosiva em qualquer material ferroso — ferro fundido e aço carbono duram poucos anos em contato contínuo com salmoura. A resposta técnica é carcaça e impelidor em aço duplex 2205 ou super duplex conforme a severidade: o duplex suporta cloretos em concentração até aproximadamente 2000 mg/L e resiste a pitting; o super duplex (25Cr) passa da faixa de 3000 mg/L.
Para captação em rio, a situação é diferente: a água doce em si não é corrosiva, mas carrega sólidos em suspensão (areia, lodo, matéria orgânica) que causam erosão no impelidor e entupimento do strainer de sucção. A FB Bombas fornece skids para essa aplicação com impelidor em bronze reforçado ou duplex, strainer duplex com limpeza automática, e bomba em vertical turbine quando a variação de nível do rio é grande.
Para usinas termelétricas com torre de resfriamento dedicada, a captação frequentemente é de um reservatório interno tratado, e o material padrão (ferro fundido ASTM A48 Classe 30B com impelidor em bronze ASTM B62) é perfeitamente adequado.
6. FAT, SAT e certificação em três etapas
Skids de combate a incêndio para refinarias e terminais passam por três etapas obrigatórias de certificação antes de serem colocados em operação. A primeira é o FAT (Factory Acceptance Test), conduzido na bancada de testes da fábrica FB Bombas em Cabreúva-SP. Nele, cada bomba é ensaiada individualmente com curva completa H-Q-η-NPSHr levantada e testemunhada pelo cliente ou por terceira parte independente.
Também são testadas a sequência do controlador, os alarmes, a partida em modo manual e automático, o teste de churn por 30 minutos com monitoramento de temperatura e a operação da válvula de alívio de circulação. Todo o ensaio é documentado em relatório assinado e arquivado.
A segunda etapa é o transporte e a instalação no site do cliente, seguidos pelo SAT (Site Acceptance Test). O SAT repete toda a sequência de testes do FAT, agora integrada ao restante do sistema — tubulação, reservatório, monitores, anéis de sprinkler, foam proportioner, alimentação elétrica. Qualquer variação entre FAT e SAT é documentada e, se significativa, gera um procedimento corretivo antes da certificação final.
A terceira etapa é a vistoria do Corpo de Bombeiros local e, em paralelo, a auditoria da seguradora — esta frequentemente feita por empresa terceirizada internacional (Risk Control Associates, Marsh, WTW) que visita o site, verifica a conformidade com os padrões contratuais e emite um relatório de conformidade que entra no arquivo da apólice. Só após essas três etapas o sistema é considerado em operação comercial.




