1. Bomba centrífuga para processo químico: matriz de materiais por família
A seleção de material para uma bomba centrífuga de processo químico começa sempre pela identificação da família do fluido.
Não existe material universal: a resistência de um mesmo material muda com a concentração, a temperatura, a velocidade do fluido e as impurezas, como cloretos. Um material adequado a uma solução alcalina pode ser atacado por um ácido diluído, e aços inoxidáveis austeníticos podem sofrer corrosão localizada em meios com cloretos.
Por isso, a matriz abaixo não recomenda material por concentração: indica o que precisa ser confirmado em cada família e quais opções estão documentadas nas séries FB. A escolha final usa tabelas de corrosão do fabricante do material, ensaios ou o histórico da planta.
| Família química | O que confirmar | Fonte da confirmação | Opção documentada FB |
|---|---|---|---|
| Ácidos inorgânicos (sulfúrico, fosfórico, nítrico) | Concentração, temperatura, velocidade, impurezas | Tabela de corrosão do fabricante do material; histórico da planta | FBCN em CF8M quando compatível; ligas especiais sob encomenda |
| Ácido clorídrico e meios com cloretos | Corrosão localizada e por frestas | Tabelas de corrosão; especificação do comprador | Avaliação caso a caso (materiais fora da documentação padrão) |
| Bases cáusticas (soda, potassa) | Concentração e temperatura | Tabelas de corrosão; ficha do produto | FBCN em ferro fundido, WCB ou CF8M, conforme a confirmação |
| Solventes orgânicos | Área classificada; compatibilidade de elastômeros | Ficha de segurança; classificação de área | FBCN; FBE quando a instalação pedir deslocamento positivo (o catálogo FBE cita solventes) |
| Polímeros e resinas em solução | Viscosidade ao longo do ciclo; temperatura | Curva de viscosidade do processo | FBE e FBEI; FBCN apenas em baixa viscosidade |
| Intermediários e utilidades farmacêuticas | Limpeza, documentação e fronteira com contato sanitário | Especificação de requisitos do usuário (URS); sistema de qualidade | FBCN em CF8M para utilidades e etapas químicas |
2. Ácidos inorgânicos e orgânicos: fronteira crítica de material
Os ácidos inorgânicos — sulfúrico, clorídrico, nítrico, fosfórico, fluorídrico — são os fluidos mais desafiadores para a seleção de material. O comportamento depende fortemente da concentração e da temperatura, e a recomendação pode mudar com poucos graus ou poucos pontos percentuais de concentração.
O ácido sulfúrico é o exemplo clássico: o comportamento do aço carbono, dos inoxidáveis e das ligas especiais muda com a concentração e a temperatura — um material aceitável em uma faixa pode ser atacado rapidamente em outra — e, dentro da bomba, a velocidade do fluido agrava a corrosão-erosão. Por isso, o material não é escolhido pelo nome do ácido, e sim pela condição real de serviço.
Ácidos orgânicos, como acético, fórmico, lático, cítrico e oxálico, também precisam de avaliação por concentração, temperatura e impurezas. A classificação como orgânico ou inorgânico não basta para ordenar a agressividade nem escolher o material da bomba. Envie esses dados e o histórico do material usado na planta para conferir a compatibilidade na condição real.
3. Solventes orgânicos voláteis e área classificada
O bombeamento de solventes voláteis — tolueno, xileno, hexano, acetato de etila, álcool isopropílico — envolve duas preocupações: a compatibilidade dos materiais, em geral menos crítica para solventes limpos do que para ácidos, e a segurança em atmosferas explosivas.
Esses solventes têm pontos de fulgor baixos e formam misturas inflamáveis com o ar; a área é classificada pelo projeto conforme a ABNT NBR IEC 60079-10-1. No Brasil, a NR-10 (item 10.9.2) exige avaliação da conformidade dos equipamentos para atmosferas potencialmente explosivas, com certificação compulsória dos equipamentos elétricos abrangidos pela Portaria Inmetro nº 115/2022.
Para a FBCN em serviço de solvente, os pontos são: material das partes molhadas (ferro fundido, aço carbono ou inox CF8M, conforme a compatibilidade); motor Ex compatível com a zona, o grupo de gás e a classe de temperatura da classificação; protetor de acoplamento em material anticentelhante, opção do manual; aterramento equipotencial; e vedação escolhida para contenção — por exemplo, selo duplo com fluido de barreira definido com o fabricante do selo, ou a execução S1 da câmara de selagem, indicada para fluidos tóxicos ou agressivos.
A FB Bombas cota o conjunto com motor certificado pelo fabricante do motor.
4. Polímeros, resinas e loops de óleo térmico
A fabricação de polímeros e resinas envolve reações em temperatura elevada, muitas vezes com viscosidade crescente à medida que o polímero se forma.
Uma planta típica tem reatores agitados aquecidos por óleo térmico, linhas de alimentação de monômeros (frequentemente voláteis), circuitos de resfriamento e linhas de transferência do produto para armazenamento.
Nesse ambiente, as séries FB se complementam: FBCN para monômeros de baixa viscosidade e circuitos de água, com material conforme a química; FBE e FBEI para produtos viscosos, com seleção pela viscosidade máxima do ciclo (FBE: rotação recomendada por faixa até 100.000 SSU; FBEI: máximo independente de 140.000 cP); e FBOT para o circuito de óleo térmico do reator (limite da série: 350 °C). Cada ponto é selecionado pelos seus próprios dados de fluido e operação.
5. Indústria farmacêutica: BPF, ANVISA e fronteira sanitária
No Brasil, a RDC nº 658/2022 da ANVISA estabelece as Diretrizes Gerais de Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos e adota as diretrizes do PIC/S como requisitos mínimos.
Para bombas em contato direto com medicamento em processo, o comprador define os requisitos sanitários — acabamento superficial, ausência de frestas, drenabilidade, conexões e compatibilidade com limpeza e esterilização — na sua especificação de requisitos do usuário (URS), muitas vezes com referência a normas de equipamentos para bioprocessos, como a ASME BPE. Esses requisitos são atendidos por bombas sanitárias dedicadas.
A FB Bombas atua nas utilidades e nas etapas químicas fora do núcleo sanitário — água de utilidades, resfriamento e aquecimento, transferência de solventes, ácidos e bases na síntese de intermediários —, com FBCN em inox A743 CF8M entre as opções do manual. A engenharia de aplicação orienta essa fronteira caso a caso e avalia os pontos de bombeamento a partir dos dados da planta.
Nota
Plantas farmacêuticas costumam exigir rastreabilidade por número de série. A documentação da bomba — certificados de material das partes molhadas, relatório dimensional e certificado de ensaio com curva — é definida na proposta, conforme o que for contratado.



