1. Os sete produtos centrais do setor
Do ponto de vista do bombeamento, o setor de combustíveis e petroquímica brasileiro é dominado por um conjunto restrito de produtos com especificações muito bem definidas pela ANP, pela ABNT e pelas normas internacionais ASTM.
A tabela a seguir reúne os sete principais, com as propriedades físico-químicas mais relevantes para a seleção da bomba: densidade, viscosidade na temperatura de operação, ponto de fulgor, pressão de vapor a 38 °C (crítica para o cálculo de NPSH) e classe de risco conforme a NBR 17.505.
| Produto | Densidade (kg/m³) | Visc. 40 °C (cSt) | Pv 38 °C (kPa) | Classe |
|---|---|---|---|---|
| Diesel S10 | 820-865 | 2,0-4,5 | ~0,4 | III-A |
| Gasolina C (E27) | 735-765 | 0,5-0,7 | 45-60 | I-A |
| QAV-1 / Jet A1 | 775-840 | 1,2-1,8 | ~1,0 | II |
| Querosene iluminante | 780-820 | 1,5-2,5 | ~1,5 | II |
| GLP líquido (C3/C4) | 510-580 | 0,2 | 800-1.400 | I-A |
| Óleo combustível BPF (HFO) | 950-1.010 | 380-620 | desprezível | III-B |
| Nafta petroquímica | 680-720 | 0,4-0,6 | 50-80 | I-A |
2. Onde a FB Bombas atende e onde não atende
A honestidade sobre o escopo é um diferencial em um setor onde promessas exageradas causam falhas catastróficas.
A FB Bombas é qualificada pelo CRCC Petrobras para fornecimento a uma série de aplicações específicas dentro da cadeia petroquímica e de combustíveis — mas não é um fabricante de bombas para hot pump service de refinaria, e esse é um território em que a norma internacional API 610 é mandatória e fabricantes de bombas normalizadas de processo não devem concorrer.
Ser claro sobre essa fronteira é o que permite oferecer uma solução tecnicamente correta onde a linha FBCN de fato brilha.
As aplicações corretas para a linha FBCN e FBE no setor são: transferência de diesel, gasolina C, QAV-1 e etanol anidro em bases de distribuição; operações de carregamento e descarga de caminhões-tanque e vagões; transferência tanque-a-tanque em terminais e TRR; utilidades em refinaria (água de processo, água de resfriamento, água de combate a incêndio nas bombas booster e jockey, circuitos de óleo lubrificante de coolers, água desmineralizada); alimentação de caldeiras industriais com BPF aquecido (serviço típico de FBE 1.1/2" a 2"); alimentação de fornos, geradores diesel de emergência e sistemas de óleo térmico associados.
As aplicações fora do escopo — e que devem ser atendidas por fabricantes API 610 especializados — são: hot pump service com bombas de carga de unidades de destilação atmosférica e à vácuo, bombas de carga de hidrotratamento e reforma catalítica, FCC slurry, streams com H₂S elevado, e qualquer serviço contínuo acima de 40 bar com fluido quente.
3. NPSH em produtos voláteis: cálculo concreto para gasolina C
O desafio real de bombear gasolina, QAV-1 e nafta está na pressão de vapor, não na viscosidade. A gasolina C a 38 °C tem pressão de vapor de aproximadamente 50 kPa — cerca de metade da atmosfera. Qualquer erro no cálculo do NPSH disponível leva a cavitação imediata na sucção e degradação acelerada do impelidor.
O exemplo a seguir demonstra o cálculo aplicado a um sistema típico de transferência tanque-a-tanque em uma base de distribuição.
Considere um sistema com tanque atmosférico, nível mínimo dois metros acima do eixo da bomba (sucção afogada), linha de sucção DN100, comprimento total de 30 metros com duas curvas de 90° e um strainer tipo Y. Temperatura ambiente de 30 °C. A pressão atmosférica local é de 101,3 kPa e a pressão de vapor da gasolina a 30 °C é de cerca de 50 kPa. A densidade é 745 kg/m³.
O cálculo do NPSHa fica: primeiro, (Patm − Pv) / (ρ × g) = (101.300 − 50.000) / (745 × 9,81) = 7,02 metros; somando a coluna estática de +2,00 m, subtraindo a perda por atrito na linha e acessórios de aproximadamente 0,8 m a uma vazão de 80 m³/h, e descontando uma margem de segurança de 0,3 m para o strainer parcialmente sujo, chega-se a um NPSHa próximo de 7,9 metros.
O NPSHr típico de uma FBCN 80-200 (DN80 de sucção, vazão nominal de 80 m³/h, rotação de 1.750 rpm) está entre 3,0 e 3,5 metros. A margem disponível de aproximadamente 4,4 metros é confortável. A boa prática do Hydraulic Institute recomenda margem mínima de 1,0 metro acima do NPSHr, ou 1,3 vezes o NPSHr para hidrocarbonetos voláteis.
Em uma configuração com sucção negativa (tanque enterrado, por exemplo 2 metros abaixo do eixo da bomba), o cálculo cai para cerca de 3,0 metros — marginal, exigindo bomba de eixo vertical, rotação reduzida ou instalação de bomba booster dedicada.
NPSHa = (Patm − Pv) / (ρ × g) + Hs − Hf ≈ 7,02 + 2,00 − 0,8 − 0,3 ≈ 7,9 mCálculo do NPSHa em fluido volátil (gasolina a 30 °C)
4. ATEX, INMETRO e áreas classificadas Zona 1
Todas as ilhas de bombas e áreas de manipulação de combustíveis voláteis em bases de distribuição e terminais brasileiros operam em Zona 1 (presença provável de atmosfera explosiva) ou Zona 2 (presença improvável e de curta duração), conforme classificação da ABNT NBR IEC 60079-10-1.
O padrão de projeto elétrico em áreas classificadas no Brasil segue também a Petrobras N-2708 para instalações contratadas por aquela empresa, e a prática complementar API RP 500/505.
Uma observação importante de compliance: no Brasil, a certificação equivalente ao selo ATEX europeu é emitida pelo INMETRO conforme a Portaria 179/2010 — ATEX e INMETRO são equivalentes do ponto de vista técnico mas não do ponto de vista legal, e o cliente brasileiro precisa exigir certificação INMETRO, não apenas selo ATEX.
No skid de bomba, isso tem implicações específicas: o motor elétrico precisa ser Ex d IIB T3 para gasolina e GLP, Ex d IIA T3 para diesel e BPF, e em Zona 2 é aceitável Ex nA. O acoplamento entre bomba e motor deve ter guarda antifaísca, tipicamente em bronze ou compósito não metálico, conforme EN 13463-1. O aterramento equipotencial entre bomba, motor, base e skid precisa ter resistência total abaixo de 10 ohms, verificada periodicamente.
A instrumentação (sensores de pressão, transmissores de temperatura, pressostatos) deve ser Ex ia (intrinsecamente segura) ou Ex d, e todos os cabos devem ser passados com prensa-cabo Ex d certificado pelo INMETRO. A FB Bombas fornece skids completos com motorização WEG ou Siemens já certificada, atendendo diretamente os requisitos de compliance para bases de distribuição e terminais sem exigir que o cliente gerencie a certificação de fornecedores múltiplos.
5. Selagem: planos API 682 aplicados por produto
O selo mecânico é o componente mais crítico de uma bomba em serviço de combustíveis voláteis — não porque seja o mais caro, mas porque sua falha significa emissão direta de vapor inflamável para a atmosfera. A norma API 682 padroniza os planos de selagem, e a escolha entre eles depende do produto, da volatilidade, da compliance ambiental e da tolerância do sistema a complexidade adicional.
Para produtos de baixa volatilidade como diesel S10 e S500, o plano 11 (circulação do recalque pela própria face do selo) é tipicamente suficiente. Para gasolina, nafta e GLP, a regra é selo mecânico duplo com plano 53A ou 53B (barreira pressurizada com fluido limpo), exigido tanto pela volatilidade quanto pelas emissões fugitivas controladas pela CONAMA 382.
O QAV-1 e o querosene ocupam uma posição intermediária: plano 11 ou 13 simples é aceitável no mínimo regulatório, mas o plano duplo é preferível em instalações modernas e em aeroportos onde a ANAC exige controle mais rigoroso.
O óleo combustível BPF aquecido, a 80-90 °C, exige plano 32 (flush externo com fluido limpo para manter a face do selo livre de coqueamento) ou plano 62 (quench externo) — e aqui a escolha cai tipicamente sobre a linha FBE da FB Bombas, que é bomba de engrenagem adequada à viscosidade elevada do BPF a essa temperatura.
A FBCN padrão da FB Bombas sai de fábrica com selo mecânico tipo cartucho conforme ISO 21049 / API 682, faces em carbeto de silício e carbono, e elastômeros em FKM (Viton), cobrindo a maior parte das aplicações de combustíveis não-BPF sem configuração adicional.
6. Diesel S10: o problema da lubricidade reduzida
O diesel S10, com teor máximo de enxofre de 10 ppm, tem lubricidade reduzida em relação ao diesel S500 e ao diesel sem restrição de enxofre.
O ensaio HFRR conforme ASTM D6079 / ABNT NBR 14.359 limita o desgaste a no máximo 460 micrômetros, e aditivos de lubricidade são adicionados pela distribuidora para atender esse limite — mas a margem de segurança em relação à bomba é menor do que no diesel S500.
Para bombas centrífugas como a FBCN, essa redução não tem impacto prático: a lubrificação hidrodinâmica nos mancais externos é feita por graxa ou por óleo do próprio mancal, independente do fluido bombeado. O impacto aparece em dois pontos específicos: nas faces do selo mecânico em serviço de arranque, e em bombas de engrenagem que usam o próprio fluido bombeado para lubrificar os dentes.
Nas faces do selo, o diesel S10 puro pode provocar stick-slip (atrito intermitente) em combinações de faces carbeto contra carbeto. A solução recomendada é especificar faces carbeto de silício contra carbono, ou carbeto de silício contra carbeto de silício com perfil hidropad — configurações que mantêm um filme hidrodinâmico adequado mesmo em arranques a seco.
Para bombas de engrenagem FBE aplicadas ao diesel S10 puro, a recomendação é trabalhar com rotação reduzida (não acima de 1.150 rpm) e folgas levemente alargadas — mas a FBE não é a escolha ideal para diesel limpo, e a FBCN é preferível sempre que a viscosidade do fluido permitir (ou seja, sempre para diesel puro).
7. Pontos típicos de bombeamento em uma base de distribuição
Uma base de distribuição de combustíveis tem entre oito e quinze pontos distintos de bombeamento, dependendo do porte e do número de produtos manuseados. A tabela a seguir reúne os dez pontos mais frequentes, com a faixa típica de vazão e a série FB Bombas aplicável.
Observe que a bomba de alimentação de caldeira com BPF aquecido é o único ponto da base onde a série FBE de engrenagem externa é tipicamente escolhida — todas as demais são centrífugas FBCN em diferentes configurações de material, selagem e certificação.
| Ponto | Vazão (m³/h) | Série FB |
|---|---|---|
| Descarga rodoviária (caminhão → tanque) diesel/gasolina | 60-120 | FBCN 80-200 / 100-250 |
| Descarga ferroviária (vagão-tanque) | 150-300 | FBCN 100-315 / 150-315 |
| Transferência tanque-a-tanque (rebombeio) | 50-150 | FBCN 80-160 / 100-200 |
| Carregamento de caminhão (loading arm) gasolina | 60-100 | FBCN 80-160 c/ VFD |
| Carregamento QAV-1 em aeroporto | 80-180 | FBCN 100-200 inox CF8M |
| Recuperação de slop / drain de bacia | 5-20 | FBCN 50-160 |
| Água de combate a incêndio (booster/jockey) | 30 / 500 | FBCN 65-200 / 150-400 |
| Água de utilidades / processo | 20-80 | FBCN 50-160 / 80-200 |
| BPF para queimador de caldeira (aquecido) | 3-15 | FBE 1.1/2" / 2" |
| Alimentação de gerador diesel de emergência | 5-15 | FBCN 32-160 |
8. Matriz de materiais por produto combustível
A seleção de materiais no setor de combustíveis tem regras diferentes das aplicadas em sucroalcooleiro ou petroquímica hot service.
A maioria dos produtos é quimicamente inerte sobre aço carbono e sobre ferro fundido; as exceções importantes são o etanol hidratado (que exige inox AISI 316), a gasolina C com 27% de etanol (que corrói lentamente o ferro fundido por absorção de umidade e corrosão galvânica), e a nafta petroquímica em temperatura elevada. A tabela a seguir resume as combinações recomendadas, refletindo a prática consolidada para qualificação CRCC Petrobras.
| Produto | Carcaça | Impelidor | Elastômero |
|---|---|---|---|
| Diesel S10 / S500 | A216 WCB | CF8M | FKM (Viton) |
| Gasolina C (E27) | A216 WCB ou CF8M | CF8M | FKM ou FFKM |
| QAV-1 | A216 WCB | CF8M | FKM (Viton) |
| Etanol hidratado | CF8M (AISI 316) | CF8M | EPDM |
| BPF aquecido (80 °C) | A216 WCB | CA6NM | FKM + Plan 62 |
| Óleo lubrificante | Ferro fundido ou WCB | Bronze ou CF8M | NBR ou FKM |
| Água de combate a incêndio | Ferro fundido ou WCB | Bronze B62 | NBR |
| Nafta petroquímica | CF8M | CF8M | FFKM (Kalrez) |




