1. Bomba industrial para combustíveis: qual série para cada produto
A viscosidade na temperatura de bombeamento é o primeiro critério, mas não o único. Combustíveis leves podem ser bombeados por centrífuga ou por engrenagem: o catálogo FBE 2026 cita diesel, querosene e gasolina entre as aplicações da série em refinarias. Para produtos pesados e aquecidos, como BPF e bunker, avalie a FBE com rotação adequada à viscosidade. Reduzir a rotação reduz a vazão; tamanho, motor e sucção precisam atender ao ponto requerido nessa condição.
A decisão combina viscosidade, vazão, pressão, condição de sucção (tanque abaixo da bomba, tanque subterrâneo, caminhão-tanque), regime (batelada ou contínuo) e exigências de vedação. Por isso, a tabela abaixo indica a série a avaliar e o dado que precisa vir da especificação do combustível ou do certificado do lote, em vez de faixas típicas genéricas.
Na FB Bombas, a bomba industrial para combustíveis sai de duas séries fabricadas em Cabreúva-SP: a FBE, de engrenagem externa, e a FBCN, centrífuga normalizada. A fábrica tem usinagem CNC, montagem e bancada de ensaio de desempenho conforme ANSI/HI 14.6, a norma de ensaio de bombas rotodinâmicas como a FBCN; a curva e o FAT certificados entram quando fazem parte do escopo contratado.
Para cotar, informe o produto, a viscosidade na temperatura de bombeamento, a vazão, a pressão na descarga, a condição de sucção e a zona da área classificada.
| Combustível | Característica relevante | Série a avaliar | Dado a confirmar |
|---|---|---|---|
| Gasolina e etanol (hidratado ou anidro) | Baixa viscosidade e pressão de vapor elevada | FBCN; FBE quando a instalação pedir deslocamento positivo | Pressão de vapor na temperatura máxima; teor de etanol; compatibilidade de elastômeros |
| Querosene e QAV (JET-A1) | Baixa viscosidade; requisitos de qualidade do sistema de abastecimento | FBCN ou FBE | Especificação do comprador para materiais, filtragem e limpeza |
| Diesel S10 / S500 | Baixa viscosidade | FBCN ou FBE, conforme vazão, pressão e sucção | Viscosidade da especificação ou do certificado; condição de sucção |
| Óleo combustível BPF | Viscoso; precisa de aquecimento para escoar | FBE, com câmara de aquecimento (CA) quando necessário | Curva viscosidade × temperatura; temperatura de bombeamento |
| Bunker (combustível marítimo pesado) | Muito viscoso; aquecimento e filtragem | FBE com rotação reduzida pela tabela de viscosidade | Viscosidade do lote na temperatura; sólidos em suspensão (consultar a FB, conforme MTEC-01/01) |
2. Áreas classificadas, motor Ex e segurança
Instalações de armazenamento e transferência de combustíveis costumam ter áreas classificadas. A classificação é feita pelo projeto da instalação conforme a ABNT NBR IEC 60079-10-1, em zonas: Zona 0 (atmosfera explosiva presente continuamente ou por longos períodos, como o interior de tanques), Zona 1 (provável em operação normal) e Zona 2 (improvável em operação normal e, se ocorrer, por curto período).
A zona define o nível de proteção do equipamento: pela ABNT NBR IEC 60079-14, EPL Ga na Zona 0; Ga ou Gb na Zona 1; Ga, Gb ou Gc na Zona 2 — além do grupo de gás e da classe de temperatura.
No Brasil, a NR-10 (item 10.9.2) exige que equipamentos para atmosferas potencialmente explosivas sejam avaliados quanto à conformidade no Sistema Brasileiro de Certificação, e a Portaria Inmetro nº 115/2022 trata da certificação compulsória de equipamentos elétricos para atmosferas explosivas. A certificação Ex do motor é do fabricante do motor. Informe zona, grupo de gás e classe de temperatura na consulta para que o conjunto seja cotado com motor e acessórios compatíveis.
Além do motor, o projeto da instalação trata aterramento e equipotencialização entre bomba, tubulação e tanque (descarga eletrostática), proteção contra sobrepressão em bombas de deslocamento positivo, instrumentação adequada à zona e ventilação da casa de bombas. Nos acessórios da bomba, os manuais FBE e FBCN preveem protetor de acoplamento em aço carbono ou em material anticentelhante.
Atenção
Motor sem certificação Ex adequada não deve ser instalado em área classificada. A escolha do tipo de proteção (por exemplo, Ex d ou Ex e) cabe ao projeto elétrico, conforme zona, grupo de gás e classe de temperatura; a proposta da FB registra o motor cotado e o certificado emitido para o fabricante do motor.
3. Normas brasileiras aplicáveis à instalação de bombas de combustível
A instalação de transferência de combustível responde a normas técnicas (ABNT), regulamentos de segurança do trabalho (NRs) e exigências regulatórias e ambientais do empreendimento. Elas definem requisitos do projeto e da operação da instalação; não são certificações da bomba. A FB Bombas recebe esses requisitos na consulta e registra na proposta o escopo do equipamento: motor, materiais, acessórios e documentos.
- ABNT NBR 17505: armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis (tanques, distâncias, contenção e ventilação), aplicada pelo projeto da instalação
- ABNT NBR IEC 60079 (atmosferas explosivas): a Parte 10-1 trata da classificação de áreas e a Parte 14, do projeto, seleção e montagem de instalações elétricas
- NR-20: segurança e saúde no trabalho com inflamáveis e combustíveis — requisitos de gestão, capacitação e procedimentos da instalação
- NR-10, item 10.9.2: equipamentos para atmosferas potencialmente explosivas avaliados quanto à conformidade no Sistema Brasileiro de Certificação; certificação compulsória de equipamentos elétricos Ex pela Portaria Inmetro nº 115/2022
- API 610: norma de bombas centrífugas para as indústrias de petróleo, petroquímica e gás natural, comum em especificações de refinarias e grandes terminais. A FBCN não é declarada conforme API 610; quando a especificação exigir, a engenharia avalia caso a caso
- Licenciamento ambiental e regulação da atividade (órgão ambiental competente e ANP): exigências do empreendimento, tratadas pelo responsável pela instalação
4. Tipos de operação: descarga, recirculação, abastecimento, transferência inter-tanque
Cada operação tem vazão, pressão, ciclo e condição de sucção próprios. Em vez de adotar faixas típicas genéricas, mapeie o regime real — operações por dia, volume por operação, tempo disponível, tipo de combustível e geometria da sucção — antes de fechar a especificação. A tabela resume o que muda em cada operação e o dado que define a seleção.
| Operação | O que muda | Dado que define a seleção | Série a avaliar |
|---|---|---|---|
| Descarga de caminhão-tanque | Sucção a partir do caminhão, mangotes, bateladas curtas | Volume e tempo de descarga; desnível e comprimento da sucção; NPSH disponível | FBE (deslocamento positivo) ou FBCN com sucção afogada |
| Transferência entre tanques | Batelada ou contínua, vazões maiores | Vazão, perda de carga da linha, nível mínimo do tanque de sucção | FBCN ou FBE, conforme a viscosidade |
| Recirculação e aquecimento de óleo pesado | Produto aquecido, operação contínua | Temperatura, viscosidade no ponto, aquecimento da bomba | FBE com câmara CA |
| Alimentação de queimador | Vazão e pressão estáveis | Consumo do queimador, pressão requerida, viscosidade na temperatura | FBE (o catálogo 2026 cita queimadores de óleo) |
| Carregamento de embarcação e grandes terminais | Vazões altas, bombas em paralelo | Vazão total, número de bombas, normas exigidas pelo terminal (por exemplo, API 610) | Avaliação caso a caso |
| Abastecimento de aeronaves (QAV) | Requisitos de qualidade do combustível | Especificação do operador para materiais, filtragem e controle de água | Avaliação caso a caso |
5. Dimensionamento da bomba: vazão, pressão, NPSH e válvula de alívio
O dimensionamento segue a metodologia de qualquer bomba: vazão de projeto, altura manométrica total e NPSH disponível. A transferência de combustível acrescenta três variáveis: temperatura do produto (viscosidade e pressão de vapor), classificação de área (motor e acessórios) e proteção contra sobrepressão em bombas de deslocamento positivo.
Bomba de engrenagem precisa de proteção contra sobrepressão: se a descarga for bloqueada, a pressão sobe até o limite mecânico do conjunto. A FBE tem válvula de alívio interna como acessório (catálogo 2026, p.3).
O manual FBEI MAN001-10 exige, em bombas sem válvula de alívio, um sistema de proteção como válvula na linha, pressostato ou limitador de torque; determina que a válvula de alívio não seja usada para controlar pressão ou vazão; e pede que a pressão de início de abertura seja conferida na instalação.
Na centrífuga, a pressão com a descarga fechada é limitada pela curva, mas a operação com vazão muito baixa aquece o líquido e aumenta as cargas. A Tabela 1 do manual FBCN MTEC-03/00 fixa a vazão mínima em 0,1 Qot nos suportes de mancal 30 e 40 e em 0,15 Qot do suporte 50 em diante, com máxima de 1,1 Qot. Em sistemas com fechamento automático de válvulas, preveja recirculação mínima ou intertravamento.
No NPSH disponível, use a pressão de vapor real do produto na temperatura máxima de operação: NPSHa = pressão absoluta na superfície do líquido + altura estática − perdas na sucção − pressão de vapor, todos em metros de coluna do próprio líquido. Gasolina e etanol têm pressão de vapor muito maior que a da água, e o aquecimento de óleos também a eleva; tanques subterrâneos e sucção negativa reduzem o NPSHa.
Use o valor da especificação do produto ou do certificado do lote e compare com o NPSH requerido da curva do modelo.
6. Materiais e selagem por tipo de combustível
A compatibilidade química entre o combustível e os materiais de carcaça, rotor, buchas e vedação precisa ser confirmada para o produto e a temperatura. As séries têm opções documentadas.
A FBE lista carcaça em ferro fundido ASTM A48 CL30, nodular ASTM A536, aço carbono ASTM A216 WCB ou inox ASTM A743 CF8M, eixos e engrenagens em SAE 1045 ou inox 316L e vedação por gaxeta, selo mecânico ou retentor (catálogo 2026); o manual MTEC-01/01 descreve ainda o acoplamento magnético, vedação especial para aplicações que não admitem vazamento, como fluidos corrosivos, tóxicos ou explosivos.
A FBCN tem carcaças em ferro fundido, aço carbono A216 WCB e inox A743 CF8M, com limites de pressão × temperatura no manual MTEC-03/00, e câmara de selagem com execuções por aplicação (ST e S1 a S4) ou selo mecânico conforme a necessidade.
Para elastômeros e faces de selo, use a tabela de compatibilidade do fabricante do selo ou do elastômero para o combustível real — teor de etanol, aromáticos, biodiesel, aditivos e temperatura. O selo padrão da FBE descrito no manual é do tipo 21, cerâmica × grafite × Viton; outra combinação é especificada quando o combustível exigir.
| Combustível | Ponto de atenção | Documento para confirmar | Opção documentada nas séries |
|---|---|---|---|
| Diesel S10/S500 | Teor de biodiesel e aditivos | Especificação do produto; tabela do fabricante do selo | FBE ou FBCN com vedação definida para o produto |
| Gasolina e etanol | Teor de etanol, aromáticos e pressão de vapor | Especificação do produto; tabela de compatibilidade | Elastômeros compatíveis; acoplamento magnético na FBE quando não se admite vazamento |
| Querosene e QAV | Materiais e limpeza definidos pelo comprador | Especificação do operador do sistema | Materiais registrados na proposta |
| Óleo BPF e bunker aquecidos | Temperatura e sólidos | Curva viscosidade × temperatura; análise do produto | FBE com câmara CA; gaxeta ou selo conforme a temperatura; sólidos: consultar a FB (MTEC-01/01) |
7. Aplicações específicas: postos, TRR, refinarias, terminais e aviação
Cada tipo de cliente tem requisitos técnicos, regulatórios e de documentação diferentes. As séries FBE e FBCN são a base; motor, vedação, materiais, instrumentação e documentos variam conforme a especificação de cada instalação.
- Postos revendedores e TRR: descarga de caminhão-tanque e tanques subterrâneos — confira NPSH disponível e escorva; a classificação de área define o motor
- Bases de distribuição e terminais: bombas em paralelo, operação contínua e integração com a automação da instalação; a especificação do terminal pode exigir normas de projeto como API 610, avaliadas caso a caso
- Refinarias: serviços de processo costumam ter especificação própria do comprador; o catálogo FBE 2026 cita aplicações em refinarias para diesel, óleo cru, graxas, asfalto, querosene, gasolina e óleos em geral
- Aviação (QAV/JET-A1): os requisitos de materiais, filtragem e controle de água vêm da especificação do operador do sistema de abastecimento; a FB avalia a bomba sob essa especificação
- Indústria com consumo próprio (geradores a diesel, caldeiras e fornos a óleo): transferência e alimentação de queimadores; a FBE lista queimadores de óleo entre suas aplicações
- Instalações portuárias: óleo combustível pesado (bunker) com FBE aquecida e rotação reduzida; diesel marítimo e produtos leves com FBCN ou FBE
8. Erros a evitar em projetos de transferência de combustível
Os erros abaixo nascem na especificação e são evitados com os dados certos na consulta:
- Selecionar pela designação do combustível, sem a viscosidade na temperatura real de bombeamento
- Especificar centrífuga para óleo pesado sem corrigir a curva pela viscosidade: altura, vazão e rendimento caem
- Instalar bomba de engrenagem sem proteção contra sobrepressão ou usar a válvula de alívio para controlar vazão
- Instalar motor ou instrumento sem certificação Ex adequada à zona, ao grupo de gás e à classe de temperatura
- Escolher elastômeros sem conferir a compatibilidade com o combustível real (teor de etanol, aromáticos, biodiesel)
- Calcular o NPSH disponível sem a pressão de vapor na temperatura máxima e sem a geometria real da sucção
- Deixar de lado o aterramento e a equipotencialização entre bomba, tubulação e tanque
- Não prever a ventilação e os procedimentos da casa de bombas exigidos pelo projeto e pela NR-20
Ponto-chave
Antes do fechamento, envie à engenharia FB Bombas o projeto e os dados do combustível (tipo, viscosidade, temperatura, pressão de vapor), o regime (vazão, ciclo, redundância) e a classificação de área. A engenharia de aplicação avalia tipo de bomba, motor, materiais, vedação, proteção contra sobrepressão e NPSH para a proposta. Contato: comercial@fbbombas.com.br ou WhatsApp +55 11 97287-4837.



