1. O que é viscosidade
Viscosidade é a medida de quanto um fluido resiste ao escoamento. Água escoa facilmente (baixa viscosidade), mel escoa lentamente (alta viscosidade), e asfalto quente escoa apenas sob pressão e temperatura elevadas (viscosidade extrema). Fisicamente, a viscosidade é causada pelas forças intermoleculares de coesão dentro do fluido — moléculas grandes e cadeias longas (como polímeros e óleos pesados) geram mais resistência que moléculas pequenas (como água e solventes).
Existem dois tipos de viscosidade: (1) Viscosidade dinâmica (ou absoluta) — mede a resistência ao escoamento em função da força aplicada. Unidade SI: Pa·s (pascal-segundo). Unidade industrial: cP (centipoise). Referência: água a 20°C = 1,0 cP. (2) Viscosidade cinemática — é a viscosidade dinâmica dividida pela densidade do fluido. Unidade SI: m²/s. Unidade industrial: cSt (centistokes). Referência: água a 20°C = 1,0 cSt. A relação entre elas: cSt = cP / densidade (g/cm³).
2. Unidades de viscosidade e como converter
Na indústria de bombas, as três unidades mais usadas são cSt, cP e SSU. A escala SSU (Saybolt Universal Seconds) é a mais comum em catálogos de bombas americanas e brasileiras — incluindo os manuais da FB Bombas. SSU mede o tempo em segundos que 60 mL de fluido levam para escoar por um orifício padrão (viscosímetro Saybolt) a uma temperatura específica. Conversão aproximada: para SSU > 100, cSt ≈ SSU × 0,2158.
Para valores mais precisos: cSt = 0,2253 × SSU - (194,4 / SSU) para SSU entre 32 e 100; cSt = 0,2158 × SSU - (13,56 / SSU) para SSU > 100.
3. Tabela de viscosidade de fluidos industriais
Valores típicos a 20°C (referência): Água = 1 cSt / 31 SSU. Diesel = 3-6 cSt / 36-45 SSU. Óleo hidráulico ISO 32 = 32 cSt / 150 SSU. Óleo hidráulico ISO 68 = 68 cSt / 315 SSU. Óleo lubrificante SAE 30 = 100 cSt / 465 SSU. Óleo lubrificante SAE 90 = 200 cSt / 930 SSU. Mel = 2.000-10.000 cSt. Glicerina = 1.500 cSt a 20°C. Chocolate derretido (40°C) = 500-2.000 cSt.
Asfalto CAP 50/70 (180°C) = 200-400 SSU. Resina epóxi = 5.000-30.000 cSt. Graxa = > 100.000 cSt. Nota: a temperatura afeta drasticamente a viscosidade — o asfalto CAP a 25°C é sólido, mas a 180°C tem viscosidade bombeável (~300 SSU). Sempre especificar a temperatura junto com a viscosidade.
4. Como a viscosidade determina o tipo de bomba
A viscosidade é o critério de corte entre bomba centrífuga e bomba de engrenagem. A regra prática da FB Bombas: abaixo de ~200 cSt (1.000 SSU), use centrífuga FBCN — a eficiência é alta e o custo é menor. Acima de ~200 cSt, use engrenagem FBE ou FBEI — a eficiência volumétrica da engrenagem aumenta com a viscosidade (o fluido viscoso veda melhor os espaços entre engrenagem e carcaça, reduzindo o slip).
Na faixa intermediária (100-500 cSt), ambas podem funcionar — a decisão depende de vazão, pressão e outros fatores.
Impacto na centrífuga: quando uma bomba centrífuga FBCN opera com fluido viscoso, três coisas acontecem simultaneamente: a vazão cai (o fluido resiste mais ao movimento), a altura manométrica cai, e a potência consumida aumenta. As curvas de performance do fabricante (vazão × altura × eficiência) são válidas apenas para água — para fluidos viscosos, é necessário aplicar fatores de correção do Hydraulic Institute. Acima de ~500 cSt, a eficiência de uma centrífuga cai tanto que se torna antieconômica.
5. Tabela de rotação máxima por viscosidade — Manual FBE
Dados extraídos do manual técnico FBE (MTEC-01/01) da FB Bombas — esta tabela é a referência oficial para seleção: 30–250 SSU → 1.750 rpm, transmissão direta, modelos 1/8" a 1"D. 250–2.500 SSU → 1.150 rpm, transmissão direta, modelos 1/8" a 5". 2.500–7.500 SSU → 850 rpm, transmissão direta, modelos 1/2" a 6". 7.500–10.000 SSU → 700–500 rpm, polia ou redutor, modelos 1.1/2" a 6". 10.000–50.000 SSU → 500–300 rpm, polia ou redutor, modelos 1.1/2" a 6".
50.000–100.000 SSU → 300–150 rpm, polia ou redutor, modelos 3" a 6". Operar acima da rotação máxima para a faixa de viscosidade causa cavitação — o fluido não consegue preencher a câmara entre dentes na velocidade de rotação, gerando vácuo parcial e colapso de bolhas.
6. Temperatura × viscosidade: o erro mais caro
O erro mais frequente em seleção de bombas industriais é especificar a bomba para a viscosidade na temperatura de operação normal — e esquecer a condição de partida a frio. Exemplo real: um sistema de transferência de óleo térmico (FBOT) opera a 280°C com viscosidade de 2 cSt (bombeamento trivial). Mas na partida a 20°C, o mesmo óleo tem 500 cSt — e a bomba centrífuga dimensionada para 2 cSt simplesmente não consegue mover o fluido.
Solução: usar bomba de engrenagem FBE para a partida a frio (pré-aquecimento), e depois transferir para a centrífuga FBOT quando a temperatura atingir a faixa de operação. A FB Bombas projeta sistemas com chave de transferência automática exatamente para esse cenário.
7. Não tem certeza da viscosidade? Fale com o engenheiro
Se você não tem a viscosidade exata do fluido, não adivinhe. Envie o nome comercial do fluido, a faixa de temperatura de operação e a aplicação para a engenharia de aplicação da FB Bombas. Mantemos um banco de dados de viscosidade de mais de 500 fluidos industriais, construído ao longo de 80 anos de experiência. A seleção de modelo, rotação e transmissão é feita com base nos dados reais — e o orçamento inclui a análise de NPSH da instalação.
Contato: comercial@fbbombas.com.br ou WhatsApp +55 11 97287-4837.