É a norma da National Fire Protection Association para a instalação de bombas estacionárias de proteção contra incêndio: seleção, suprimento, sucção e descarga, energia, acionamentos e controles. Ela exige curvas certificadas de fábrica, teste hidrostático e ensaio de aceitação em campo; nas bombas que partem por pressão, um meio de manter a pressão da rede, como a jockey; e, em certos casos, fonte alternativa de energia. A vazão e a pressão do sistema vêm do projeto e das regras locais.
Em resumo
- Principal, reserva e jockey têm funções diferentes; quantidade e acionamento dependem do projeto.
- Verifique a curva e os documentos da FBCN selecionada, além dos limites gerais da série.
- O escopo do skid precisa discriminar equipamentos, ensaios, interfaces e serviços.
- Registre edição normativa e jurisdição; revisão de norma não substitui o texto adotado.
1. O que é a NFPA 20 e o que ela cobre
A NFPA 20 é a norma da National Fire Protection Association para a instalação de bombas estacionárias de proteção contra incêndio. Ela trata da seleção e da instalação das bombas e inclui no escopo o suprimento de líquido, a sucção, a descarga e os equipamentos auxiliares, as fontes de energia e seus arranjos, os acionamentos elétrico, a diesel e a turbina a vapor com os respectivos controles, e os ensaios de aceitação e a operação.
A norma também diz o que não cobre: a vazão e a pressão que o sistema exige do suprimento, a inspeção, o teste e a manutenção periódicos, e a fiação de instalação das unidades. A demanda vem do projeto do sistema, como o de sprinklers ou de hidrantes, e a inspeção, o teste e a manutenção periódicos são o tema da NFPA 25.
No Brasil, identifique a regulamentação do Corpo de Bombeiros da jurisdição, as normas citadas no projeto e os requisitos contratuais. A NFPA 20 não substitui automaticamente as regras locais, e referências ABNT diferentes tratam de partes diferentes do sistema. Registre as edições e resolva divergências com o responsável técnico e a autoridade competente. As referências mais citadas são:
- NFPA 20 — instalação de bombas estacionárias para proteção contra incêndio
- NBR 10897 — Sistemas de proteção contra incêndio por chuveiros automáticos (sprinklers). Define vazão e pressão nos chuveiros
- NBR 13714 — Sistemas de hidrantes e de mangotinhos para combate a incêndio
- NBR 16704 — requisitos para conjuntos de bombas estacionárias para sistemas automáticos de proteção contra incêndios
- NFPA 25 — inspeção, teste e manutenção de sistemas de proteção contra incêndio à base de água, incluindo as bombas
2. Funções: principal, reserva e jockey
Diferencie a função hidráulica de cada bomba da fonte de energia que a aciona. A NT 22 do CBMGO (Goiás), por exemplo, distingue bomba de reforço e bomba fixa e prevê condições de reserva. Essa regra local não deve ser transposta para todas as instalações brasileiras.
Na NFPA 20, bomba reserva e fonte alternativa de energia são coisas diferentes, e a norma relaciona as duas. Para a bomba elétrica, a norma exige ao menos uma fonte alternativa quando a fonte normal não é confiável ou quando a energia atende um edifício alto. Essa fonte deixa de ser exigida quando há bomba reserva acionada por motor de combustão, por turbina a vapor ou por motor elétrico com fonte de energia independente.
Nas bombas de incêndio que partem por pressão, a norma pede um meio de manter a pressão na rede: bomba jockey, unidade de bombeamento de névoa d’água de deslocamento positivo ou outro meio aprovado que não seja a bomba principal. A jockey é dimensionada para repor o vazamento admissível e as quedas normais de pressão. A principal e a reserva não podem fazer o papel de jockey, salvo o previsto para bombas de deslocamento positivo.
| Bomba | Acionamento | Função | Quando opera |
|---|---|---|---|
| Principal | Elétrico ou combustão, conforme projeto | Fornece vazão e pressão para o sistema de sprinklers e/ou hidrantes | Conforme comando e sequência especificados |
| Reserva, quando exigida | Acionamento e energia definidos no projeto | Assume quando falta energia elétrica ou a bomba principal falha | Conforme estratégia de redundância e controle |
| Jockey | Definido no projeto | Repõe perdas previstas e mantém pressão | Parte e para conforme ajustes de pressão |
3. Bomba principal — FBCN para sistemas de incêndio
A NFPA 20 pede que a bomba seja selecionada pelas condições em que será instalada e usada, e que o fabricante receba informação completa sobre o líquido e a fonte de energia. Na bomba centrífuga, a maior demanda individual de qualquer sistema ligado a ela deve ficar em até 150% da vazão nominal.
As vazões nominais das bombas centrífugas saem de uma tabela padronizada da norma, com pressão líquida nominal de pelo menos 40 psi (2,7 bar). Acima de 5.000 gpm (18.925 L/min), a bomba passa por revisão individual da autoridade competente ou de um laboratório de listagem.
Para avaliar uma FBCN no sistema, confira a curva do modelo, rotor e rotação, o acionamento e a documentação exigida. A conformidade do conjunto não se deduz apenas do nome da série. O manual FBCN ajuda a verificar construção, limites de operação e procedimentos de instalação. Confira também estes pontos:
- Vazão: demanda e simultaneidade documentadas no memorial
- Pressão: conforme altura do edifício + perdas de carga + pressão mínima no ponto mais desfavorável
- Construção back-pull-out: prever espaço para retirar o conjunto e acesso de manutenção
- Materiais: confirmar compatibilidade com a água, aditivos e condições de serviço
- Rotação máxima: 3.500 rpm em parte dos tamanhos e 1.750 rpm nos demais (Tabela 1 do manual FBCN)
4. Skid: definir o escopo de fornecimento
A NFPA 20 trata bomba, acionador e controlador como uma unidade: o conjunto precisa atender à norma como um todo depois de instalado ou quando um componente é trocado. A norma também pede que uma única entidade responda pelo desempenho da bomba, do acionador, do controlador e da chave de transferência. Em fornecimento montado, deixe essa responsabilidade escrita no contrato.
Ao solicitar um conjunto montado, discrimine o que será integrado e o que pertence à instalação. A lista abaixo serve para conferir a proposta, sem presumir que todos os itens acompanham qualquer fornecimento:
- Bomba principal e acionamento selecionados pelo projeto
- Bomba reserva e componentes diesel quando especificados
- Jockey e controle para manutenção de pressão quando previstos
- Painel de controle automático (partida por pressostato, alarmes, supervisão)
- Válvulas e dispositivos de ensaio requeridos pelo arranjo
- Coletores de sucção e recalque com flanges
- Base metálica estrutural com pés de nivelamento
A montagem em fábrica não elimina verificações de fundação, alinhamento, esforços da tubulação, alimentação e comissionamento no local. Defina quem executa e registra cada etapa.
5. Curvas e ensaios: documentar a aceitação
Para bombas centrífugas, a NFPA 20 fixa a forma da curva: a 150% da vazão nominal, a bomba deve entregar pelo menos 65% da altura total nominal, e a altura em vazão zero (shutoff) não pode passar de 140% da nominal, qualquer que seja o tipo de bomba centrífuga. Na prática, o limite de shutoff restringe a pressão que a bomba impõe à rede com as saídas fechadas.
A especificação precisa indicar o tipo de bomba, os pontos de operação e os critérios da edição normativa adotada. Confira também a pressão máxima da instalação, considerando a sucção, e a potência em toda a faixa exigida. Um ponto nominal isolado não demonstra o comportamento completo.
A comprovação começa na fábrica. A norma exige que cada bomba seja ensaiada para gerar dados de desempenho e demonstrar a conformidade com a especificação, e que o fabricante entregue ao comprador as curvas certificadas do ensaio, com altura, vazão e potência.
A norma exige ainda que, antes do embarque, o fabricante submeta cada bomba a teste hidrostático de pelo menos 5 minutos, a no mínimo 1,5 vez a soma da altura de shutoff com a máxima altura de sucção admissível, e nunca abaixo de 250 psi (17,24 bar).
Concluída a instalação inteira, a unidade completa passa pelo ensaio de aceitação em campo, conforme a própria NFPA 20. É nesse ensaio que a curva medida na fábrica encontra a sucção, a energia e o controle reais da obra.
Defina quais ensaios serão feitos em fábrica e na instalação, os instrumentos, tolerâncias e responsáveis. O relatório deve identificar o equipamento e as condições de medição. Ensaios de fábrica e comissionamento têm contextos distintos; a documentação precisa permitir comparar o fornecimento ao memorial e verificar a operação no local.
Compare curva proposta, protocolo de ensaio e critérios de aceitação antes de comparar preços. Confirme separadamente os certificados exigidos e sua validade para o conjunto.
6. Pontos de atenção na especificação
A revisão da especificação pode identificar incompatibilidades antes da compra. Confira estes sete pontos com o projetista e o fornecedor:
- Conferir a curva completa, além da vazão e pressão nominais
- Distinguir bomba reserva de fonte alternativa de energia e justificar o arranjo adotado
- Definir manutenção de pressão e sequência de comando para a rede
- Listar documentos, ensaios, serviços e responsáveis no escopo contratado
- Confirmar que o suprimento de água foi avaliado antes de especificar a bomba, como pede a NFPA 20
- Tirar a demanda de vazão e pressão do projeto do sistema e da regra local: a NFPA 20 não define essa demanda
- Não prever a bomba principal ou a reserva como meio de manter a pressão da rede, salvo o previsto para bombas de deslocamento positivo
7. Onde se aplica: tipos de edificação e indústria
Edifícios altos têm capítulo próprio na NFPA 20. Nesse capítulo, com bomba elétrica, a instalação precisa de fonte alternativa confiável na forma de gerador de reserva no local, ou de bomba reserva nas condições da norma.
A ocupação, o armazenamento, a altura e os processos influenciam a proteção exigida. Estes são contextos que precisam de avaliação própria, sem associação automática entre nome da edificação e pacote de bombas:
- Shopping centers, hospitais e condomínios — avaliar redes e demandas conforme o projeto
- Galpões e armazéns — caracterizar mercadorias, armazenamento e proteção
- Refinarias e terminais — identificar fluidos, riscos e sistemas específicos
- Usinas sucroalcooleiras — bagaço combustível + etanol inflamável
- Indústrias de papel e celulose — materiais fibrosos e caldeiras
Para consultar a FB Bombas, envie o memorial, as edições normativas, o local e as condições de abastecimento. A proposta deve explicitar o equipamento, os documentos e os serviços incluídos.
8. Edição de 2025: o que mudou e como manter a referência do projeto
Segundo o histórico de origem e desenvolvimento que abre a própria norma, a edição de 2025 da NFPA 20 padronizou o termo jockey pump para as bombas de manutenção de pressão e de reposição e esclareceu os arranjos de controlador e chave de transferência automática, incluindo o controlador combinado com chave de transferência de energia. Também refinou e ampliou o teste automático e o teste automático remoto das bombas elétricas e criou requisitos equivalentes para as bombas a diesel.
A mesma edição acrescentou condições para monitorar o teste automático e passou a exigir fonte alternativa de energia para os componentes elétricos da casa de bombas diesel. Outras revisões esclarecem a diferença entre a válvula de alívio de circulação e a válvula de alívio principal, a proteção por sprinklers das próprias bombas, o isolamento de bombas redundantes de rotação variável e a proteção contra sobrecorrente das bombas elétricas.
Uma atualização de norma precisa ser avaliada pelo conteúdo publicado, pelo contrato e pela regra da autoridade competente. Registre número, edição e eventuais emendas usadas no memorial. Documentos de consulta ou revisão ajudam a acompanhar mudanças, mas não equivalem automaticamente ao texto final adotado.
Ao revisar uma instalação existente, preserve os documentos de origem e identifique o que mudou na proteção, abastecimento, acionamento ou controle. O responsável técnico deve definir a aplicação das referências atuais ao caso. A simples troca do ano no título de uma norma não comprova conformidade.


