Um sistema com bombas combina fonte de água, bomba principal, acionamento, controlador e rede. A jockey mantém a pressão da rede, e a reserva e a fonte alternativa de energia dependem da norma e do projeto. A NFPA 20 trata da instalação das bombas; para hidrantes, a NBR 13714 e instruções técnicas estaduais, como as de São Paulo e de Goiás, fixam itens como a partida automática e o desligamento só manual. Na consulta à FB Bombas, discrimine o conjunto e os serviços incluídos.
Em resumo
- Abastecimento, bombeamento, controle e rede precisam ser compatíveis com a demanda do projeto.
- A jockey mantém pressão; vazão e ajustes dependem da rede e dos requisitos adotados.
- Elétrico, diesel e redundância são decisões de projeto, não pacotes universais por ocupação.
- Avalie a FBCN pela curva da configuração e pelas condições de sucção e acionamento.
- Defina documentos, ensaios, interfaces e serviços no escopo contratado.
1. Componentes e interfaces do sistema
A proteção depende da compatibilidade entre abastecimento, bombeamento, controle e rede. A especificação deve identificar o papel de cada componente e os requisitos da instalação. O conjunto de bombas é uma parte dessa arquitetura, e sua entrega não substitui o projeto da edificação.
Na NFPA 20, bomba, acionador e controlador devem atender à norma como uma unidade, e uma única entidade responde pelo desempenho da bomba, do acionador, do controlador e da chave de transferência. Nos sistemas de hidrantes e mangotinhos, a NBR 13714 e instruções técnicas estaduais, como a IT 22 de São Paulo e a NT 22 do CBMGO, acrescentam exigências para a casa de bombas, as válvulas, a automação e a sinalização. Os componentes a especificar são:
- Bomba principal — selecionada pela demanda hidráulica, sucção e critérios de aceitação; a FBCN deve ser avaliada pela curva da configuração proposta
- Acionador — motor elétrico ou diesel, escolhido pela energia disponível e pela regra aplicável (seção 2)
- Bomba jockey — mantém a pressão e repõe pequenas perdas; nos hidrantes e mangotinhos, a NBR 13714 limita sua vazão a 20 L/min, e a IT 22 de São Paulo a exige acima de seis saídas, salvo com reservatório elevado
- Controlador — comandos, sinalização, alimentação e proteções próprios do serviço de incêndio especificado
- Válvulas — na bomba principal, a NBR 13714 pede válvula de paragem a montante e, a jusante, uma válvula de retenção e outra de paragem; as demais funções e a supervisão seguem o arranjo
- Instrumentação — manômetro na descarga da bomba principal e manovacuômetro na sucção quando ela é negativa (NBR 13714), além da medição e da supervisão exigidas para operação e ensaio
- Casa de bombas — acesso em toda a volta das bombas, espaço para manutenção e para remover qualquer uma delas, e proteção das bombas contra danos mecânicos, intempéries, agentes químicos, fogo e umidade (NBR 13714)
2. Acionamento elétrico, diesel e redundância
Na NFPA 20, a bomba elétrica precisa de fonte normal de energia continuamente disponível. Quando essa fonte não é confiável, ou quando a energia atende um edifício alto, a norma exige fonte alternativa. A exigência cai se houver bomba reserva acionada por motor de combustão, por turbina a vapor ou por motor elétrico com fonte independente.
Regras locais podem ir além. Para hidrantes, a NT 22 do CBMGO (Goiás) define a quantidade mínima de bombas pela função: a bomba de reforço é uma principal com fonte de energia reserva, e a bomba fixa usa principal e reserva, esta com fonte de energia reserva, com jockey quando necessária. Edificações de risco baixo, com carga de incêndio de até 300 MJ/m², dispensam a reserva, e a principal passa a ter a fonte reserva.
Na mesma norma, a principal e a reserva não podem funcionar ao mesmo tempo: se a reserva estiver operando por falta de energia, a principal elétrica não pode partir quando a energia volta. A fonte reserva pode ser um gerador ou outra fonte, como baterias, e pode ser dispensada com bomba a combustão interna.
A NT 22 do CBMGO também fixa a autonomia mínima da bomba de reforço e da bomba fixa, funcionando a plena carga: 2 horas para carga de incêndio de até 1.200 MJ/m², 4 horas de 1.200 a 2.400 MJ/m² e 6 horas acima de 2.400 MJ/m².
A FB Bombas fornece a linha FBFS em três configurações, que ilustram alternativas de acionamento e redundância. Elas não representam pacotes padronizados nem indicam aprovação automática para uma ocupação. A escolha deve considerar a energia disponível, a demanda e a regulamentação aplicável. A tabela resume o que conferir em cada uma.
| Configuração | Componentes | O que verificar |
|---|---|---|
| Elétrica | Bomba principal elétrica + jockey + painel | Alimentação, fonte alternativa de energia e controlador |
| Diesel | Bomba principal diesel + jockey + painel dedicado | Ponto de trabalho, partida, tanque de combustível, ventilação, refrigeração e escape |
| Elétrica + Diesel (redundante) | Bomba elétrica + bomba diesel + jockey | Função de cada bomba, comandos próprios e sequência |
3. Normas aplicáveis: NFPA 20 e NBR 16704
A NFPA 20 trata da seleção e da instalação de bombas estacionárias para proteção contra incêndio, com suprimento, sucção, descarga, energia, acionamentos, controles e ensaios de aceitação. Ela não define a demanda de vazão e pressão do sistema nem a inspeção, o teste e a manutenção periódicos, que são o tema da NFPA 25. Sua aplicação exige identificar a edição, o tipo de conjunto e os critérios do projeto.
A NBR 16704 trata de requisitos para conjuntos de bombas estacionárias para sistemas automáticos de proteção contra incêndios. NBR 10897 e NBR 13714 tratam, respectivamente, de sprinklers e de hidrantes e mangotinhos. Confira as regras locais e as edições adotadas; referências diferentes não são automaticamente equivalentes.
Nos sistemas de hidrantes e mangotinhos, o anexo B da NBR 13714 reúne os requisitos das bombas: pelo menos uma bomba elétrica ou de combustão interna, usada só para incêndio; bomba principal acoplada diretamente por luva elástica, sem correias nem correntes; partida automática pela simples abertura de qualquer hidrante; e pleno regime em cerca de 30 segundos.
A IT 22 de São Paulo e a NT 22 do CBMGO repetem esses pontos, com ajustes próprios; as duas admitem, por exemplo, acionamento manual junto a cada hidrante ou mangotinho em redes de até seis pontos.
Liste no pedido as normas, suas edições e os documentos de aceitação exigidos. Confirme na proposta quais registros, ensaios e serviços acompanham o fornecimento.
4. Como dimensionar o sistema — dados necessários
A análise da ocupação, dos materiais e dos processos define quais sistemas precisam ser projetados. O memorial estabelece demandas e condições de simultaneidade conforme as referências aplicáveis. A bomba é selecionada a partir desses resultados e das condições reais de abastecimento.
Na bomba centrífuga, a NFPA 20 pede que a maior demanda individual de qualquer sistema ligado a ela fique em até 150% da vazão nominal, com pressão líquida nominal de pelo menos 40 psi (2,7 bar). A curva também tem limites: a 150% da vazão, pelo menos 65% da altura nominal, e shutoff de no máximo 140% da nominal. Os dados a reunir são:
- Vazão — demanda hidráulica e simultaneidade documentadas no projeto
- Altura — balanço de energia com elevação, perdas, pressão disponível e residual exigida
- Acionamento — energia disponível, reserva exigida e condições de operação
- Local — espaço, acesso, ambiente, fonte de água, nível mínimo e perdas na sucção; a NBR 13714 prefere a sucção positiva e ainda a considera assim com o eixo da bomba até 2 m acima do nível de água de referência, ou a 1/3 da capacidade efetiva do reservatório, o que for menor
- Pressão máxima — a NBR 13714 não recomenda bombas de incêndio com pressão acima de 1 MPa, limite que a IT 22 de São Paulo repete como 100 mca
5. Partida e sequência de controle
Num sistema com jockey, a rede fica pressurizada numa faixa preestabelecida e as bombas ficam paradas. Uma pequena queda de pressão aciona a jockey, e uma queda maior, como a abertura de um hidrante, parte a bomba principal. Na NBR 13714 e na IT 22 de São Paulo, a automação por pressostatos liga e desliga a jockey, só liga a principal, e o diferencial recomendado entre os acionamentos sequenciais é de cerca de 100 kPa (10 mca).
Os pontos de partida e parada e a atuação de uma reserva devem ser coordenados pelo projeto. A sequência depende do controlador e da regulamentação; não ajuste pressostatos copiando diferenças de pressão de outra instalação.
Nos sistemas de hidrantes e mangotinhos, a bomba principal automatizada parte sozinha, mas não para sozinha. Na NBR 13714, na IT 22 de São Paulo e na NT 22 do CBMGO, depois que o motor parte, a bomba principal ou de reforço (na NT 22, fixa ou de reforço) só se desliga manualmente; nas duas primeiras, no próprio painel de comando, na casa de bombas.
As três pedem ainda pelo menos um ponto de acionamento manual em local seguro e de fácil acesso, e a NT 22 admite que esse ponto também desligue a bomba. Registre essa lógica de parada no projeto, confirme os comandos aplicáveis ao seu sistema e treine os responsáveis para a operação e os testes.
A NFPA 20 também separa a tomada de pressão: nenhum controlador, nem o da jockey, compartilha linha de sensor; cada um tem a sua, ligada entre a válvula de retenção e a válvula de bloqueio da descarga da própria bomba.
O painel de sinalização das bombas principal ou de reforço fica onde haja vigilância permanente, com botoeira para ligá-las manualmente e sinais óticos e acústicos. Na bomba elétrica, indica ao menos painel energizado, bomba em funcionamento, falta de fase e falta de energia no comando de partida; na de combustão interna, painel energizado, bomba em funcionamento, baixa carga da bateria e chave seletora em manual ou painel desligado (NBR 13714).
Registre os ajustes no comissionamento. Se a jockey passar a ciclar de forma anormal, investigue perdas, pressão, instrumentos e controle antes de alterar os pontos de ajuste.
6. A rotina que mantém o sistema vivo: testes conforme NFPA 25
A NFPA 25 pede teste sem vazão semanal na bomba diesel, por no mínimo 30 minutos, e mensal na maioria das elétricas, por no mínimo 10 minutos. Quatro casos de bomba elétrica continuam semanais, salvo com bomba redundante, quando podem passar a mensal; entre eles estão a bomba de turbina vertical e a que atende edificação além da capacidade de bombeamento do Corpo de Bombeiros.
Uma vez por ano, o ensaio com vazão levanta a curva de campo: vazão zero (churn), 100% da vazão nominal e a vazão máxima, até 150% da nominal. O teste sem vazão confirma a partida; o ensaio anual, o desempenho hidráulico.
Na inspeção semanal do sistema diesel, a norma confere, entre outros itens, o tanque de combustível com pelo menos dois terços da capacidade, o seletor do controlador em automático e a tensão e a corrente de carga das baterias. O anexo da norma dá como exemplos de indisponibilidade a bomba que não partiu automaticamente no teste, a válvula de sucção ou de descarga não totalmente aberta e o seletor do controlador diesel fora do automático.
O plano de inspeção, teste e manutenção precisa identificar a edição normativa, os equipamentos e os procedimentos aplicáveis. Testes sem fluxo verificam funções diferentes dos ensaios de desempenho com vazão. Frequência, duração e supervisão devem seguir a referência adotada e os manuais, sem uma regra única para diesel e elétrico.
Registre condições iniciais, parâmetros medidos, anomalias e ações corretivas. Falhas de bateria, abastecimento, posição de válvulas ou controle devem ser investigadas pelo procedimento da instalação. A manutenção reduz a exposição a falhas, mas não permite prometer que elas nunca ocorrerão.
7. Especificar o conjunto FB Bombas
Para solicitar um conjunto, reúna vazão, altura, sucção, acionamento e requisitos de controle. Indique quais bombas, válvulas, instrumentos, coletores e componentes devem integrar a base. Descreva também as interfaces com reservatório, tubulações, alimentação e casa de bombas.
A FB Bombas é fabricante brasileira fundada em 1944, com fábrica em Cabreúva-SP, e o catálogo FBE 2026 lista combate a incêndio como linha de produto própria, ao lado das séries FBE, FBEI, FBCN e FBOT. Use a consulta técnica para confirmar a configuração proposta, os desenhos, as curvas e o escopo de montagem e ensaios. Prazo, garantia, assistência e comissionamento devem estar claros na proposta para permitir comparar os fornecimentos.
Na FB Bombas, curva Q×H, plano de FAT, certificado de ensaio em bancada e testemunho do cliente são definidos na proposta. A NFPA 20 exige do fabricante o ensaio de cada bomba, as curvas certificadas e o teste hidrostático antes do embarque; a aceitação em campo vem depois da instalação completa.
Envie o memorial hidráulico, a localização da instalação e os requisitos de fornecimento. Identifique dados ainda pendentes para que a análise técnica parta de condições verificáveis.


