1. Componentes e limites do skid
A NFPA 20 chama o skid de conjunto de bomba de incêndio pré-montado (packaged fire pump assembly): componentes da unidade de bomba de incêndio reunidos em uma instalação de montagem e enviados como uma unidade ao local da instalação. Onde a norma exige listagem, o escopo de componentes listados inclui bomba, acionador, controlador e os demais acessórios que o montador identificar, sobre uma base, com ou sem abrigo (3.3.52.13).
Os conjuntos FBFS da FB Bombas têm três configurações, elétrica, diesel e elétrica com diesel, com a centrífuga normalizada FBCN como bomba principal. A elétrica tem bomba principal com motor elétrico, jockey para manutenção de pressão e comando automático. A diesel tem bomba principal com motor diesel, jockey e painel de controle dedicado, e o projeto define o sistema de partida, o tanque de combustível e as condições de ventilação, refrigeração e escape.
A combinada reúne uma bomba com motor elétrico e outra com motor diesel, além da jockey e de comandos próprios para cada acionamento.
O manual da FBCN (MTEC-03/00, p.8) lista os acessórios do conjunto motobomba: acionamento por motor elétrico ou diesel, acoplamento flexível com ou sem espaçador, do padrão FB ou de outros fabricantes, protetor de acoplamento de aço carbono ou de material antifaiscante e base de aço estrutural soldado. A tabela de conexões (p.12) prevê tomadas de 1/4″ NPT para manômetro e manovacuômetro e dreno da base de 1″ NPT.
As regras brasileiras citadas nesta página são a IT 22 de São Paulo, a NT 22 de Goiás e a NBR 13714. Elas pedem manômetro no recalque da bomba principal e, quando ela opera em sucção negativa, manovacuômetro na sucção (IT 22, C.1.17; NT 22, C.1.17; NBR 13714, B.1.15).
Quando o contrato adota a NFPA 20, o manômetro de recalque tem mostrador de no mínimo 89 mm, fica perto do bocal de recalque com válvula de 6 mm e indica pelo menos o dobro da pressão de trabalho nominal, nunca menos de 200 psi (13,8 bar). Há também manômetro na sucção, perto da bomba, e ele é composto, de pressão e vácuo, quando a pressão mínima de sucção fica abaixo de 20 psi (1,3 bar) em qualquer vazão (4.12).
Os pressostatos que ligam e desligam a jockey e só ligam a principal seguem o cavalete de automação das regras e ficam ligados aos painéis e às chaves de partida de cada bomba (IT 22, C.1.15.2; NT 22, C.2.3; NBR 13714, B.1.13.2). Pela NFPA 20, cada controlador, inclusive o da jockey, tem sua própria linha de sensor de pressão, tomada entre a válvula de retenção e a válvula de bloqueio do recalque daquela bomba.
A linha é de latão, cobre rígido tipo K, L ou M ou aço inoxidável série 300, com conexões nominais de 1/2″ (15 mm), não tem válvula de bloqueio e leva duas válvulas de teste de inspeção (4.32.1 a 4.32.6).
Para amortecer, a norma pede duas válvulas de retenção de bronze ou inox, a pelo menos 1,52 m uma da outra, com furo de 2,4 mm na portinhola; com água limpa, admite no lugar delas uniões de face retificada com diafragma não corrosivo furado (4.32.4).
Quando o contrato adota a NFPA 20, cada bomba de incêndio tem válvula de alívio de circulação automática e listada, no recalque e antes da retenção: 3/4″ (19 mm) até 2.500 gpm (9.462 L/min) e 1″ (25 mm) de 3.000 a 5.000 gpm (11.355 a 18.925 L/min), ajustada abaixo da pressão de shutoff com a menor pressão de sucção esperada e com descarga visível para um dreno (4.13).
A exigência não vale para a bomba diesel cuja água de refrigeração do motor sai do recalque da própria bomba (4.13.1.2). A tubulação de sucção e de recalque da jockey é de aço também nos sistemas pré-fabricados, com válvula de bloqueio na sucção e retenção e bloqueio no recalque (4.27.6).
A lista de fornecimento identifica cada equipamento, tubulação, válvula, instrumento e conexão incluídos e o que fica para a instalação local; a palavra completo não a substitui. Confira nela, no mínimo:
- bomba principal: modelo, diâmetro do rotor, rotação e curva;
- acionamento, acoplamento e protetor de acoplamento;
- jockey, painéis e pressostatos;
- válvulas de bloqueio, de retenção e de alívio de circulação;
- manômetros, manovacuômetro e linhas de sensor de pressão;
- base, pontos de içamento e, se houver, abrigo;
- no diesel, os itens de combustível, partida, refrigeração e escape montados no conjunto.
2. Requisitos do conjunto e serviços de campo
Quando o contrato adota a NFPA 20, o conjunto pré-montado atende a cinco requisitos (4.31.1): componentes montados e fixados em uma estrutura de aço; soldadores qualificados pela seção 9 do código ASME de caldeiras e vasos de pressão ou pela AWS D1.1/D1.1M, o código de soldagem estrutural de aço; conjunto listado para serviço de bomba de incêndio; projeto de todo o conjunto por um projetista do sistema, identificado nos documentos de projeto (4.3.2); e desenhos e folhas de dados submetidos à revisão da autoridade competente, com cópias carimbadas dos documentos aprovados usadas na montagem e guardadas como registro.
Os componentes elétricos, os afastamentos e a fiação seguem os artigos aplicáveis da NFPA 70 (4.31.2). O skid cumpre ainda todos os demais requisitos da norma, entre eles os de proteção do equipamento, tubos e conexões, tubulação de sucção e de recalque, supervisão de válvulas e proteção da tubulação contra danos por movimento (4.31.3, que remete às seções 4.14 a 4.19).
A listagem é do conjunto, dada por uma organização aceita pela autoridade competente, e um projeto conforme a NFPA 20 não a substitui: se a especificação pedir conjunto listado, peça o documento do conjunto ofertado. A norma também pede uma única entidade responsável pelo desempenho da unidade formada por bomba, acionador, controlador e chave de transferência (4.4.3). Defina no contrato quem é ela.
A obra prepara base, acessos, tubulação, alimentação e drenagem conforme os desenhos, e essas interfaces não desaparecem com a montagem prévia. Por isso a comparação entre propostas começa pelo escopo: compras, montagem, transporte, instalação e ensaios incluídos em cada uma.
Prazos e custos precisam de proposta específica. Não há um percentual universal de economia nem garantia de instalar e liberar o sistema no mesmo dia.
Ponto-chave
Liste interfaces e responsáveis antes de emitir o pedido. Isso permite identificar serviços ausentes ao comparar os fornecedores.
3. Transporte, assentamento e alinhamento
A NFPA 20 pede atenção aos danos possíveis no transporte até a obra: a estrutura mantém a integridade com mínima flexão e movimento, e os suportes e travamentos necessários ficam instalados para evitar danos e quebras em trânsito (4.31.4). Os pontos de içamento corretos vêm marcados no conjunto, para a amarração segura (4.31.5). Registre a condição de recebimento antes da instalação: identificação, componentes, integridade e documentos de transporte.
Com o skid assentado na fundação definitiva, as tubulações de sucção e de recalque são inspecionadas por completo, incluindo todas as conexões flangeadas e mecânicas, conforme as recomendações dos fabricantes (4.31.7).
O conjunto é ancorado e grauteado conforme a seção 6.4 (4.31.8): bomba e acionador sobre base comum grauteada, conforme as instruções do fabricante; base presa a uma fundação sólida de modo que o alinhamento dos eixos fique garantido; fundação robusta o bastante para ser suporte permanente e rígido; e base nivelada (6.4.1 e 6.4.3 a 6.4.5).
A bomba separadamente acoplada, com motor elétrico ou diesel, liga-se ao acionador por acoplamento flexível ou eixo de conexão flexível, listado para serviço de bomba de incêndio e instalado conforme a listagem (6.5.1). O alinhamento segue as especificações dos fabricantes do acoplamento e da bomba e a ANSI/HI 1.4, a norma de instalação, operação e manutenção de bombas rotodinâmicas (6.5.2).
Nas regras brasileiras, a bomba principal é acoplada diretamente por luva elástica, sem correias nem correntes (IT 22, C.1.5; NT 22, C.1.6; NBR 13714, B.1.5).
Um alinhamento feito antes do embarque não dispensa a conferência depois do transporte e da fixação. Registre o procedimento e os valores medidos; não declare precisão em micrômetros nem alinhamento a laser sem o registro correspondente. O ensaio de fábrica também não reproduz as condições de sucção e alimentação da obra.
Quando o fornecimento inclui abrigo pré-fabricado, o piso interno é de construção sólida, com caimento para drenar os componentes, e a estrutura fica sobre uma fundação projetada para as cargas do conjunto e do vento, com os pontos de ancoragem necessários (4.31.9). A norma admite piso de chapa estrutural antiderrapante com furos para graute, desde que haja proteção contra corrosão e drenagem para derramamentos e vazamentos da casa de bombas (4.31.10).
4. Documentação, ensaios e aceitação
No recebimento, confira as placas com a ficha e a curva. Pelas regras brasileiras, cada bomba principal ou de reforço tem placa com nome do fabricante, número de série, modelo, vazão nominal, pressão nominal, rotação de regime e diâmetro do rotor, e o motor elétrico tem placa com fabricante, tipo, modelo, número de série, potência em CV, rotação, tensão, corrente e frequência (IT 22, C.2.15 e C.2.16; NT 22, C.4.12 e C.4.13; NBR 13714, B.2.9 e B.2.10).
Pela NFPA 20, a placa é feita e fixada com material resistente à corrosão e indica a potência máxima que a bomba demanda em qualquer vazão, inclusive acima de 150% da nominal (4.11).
O painel de comando da bomba elétrica é fornecido com desenhos dimensionais, leiaute, diagrama elétrico, régua de bornes, diagrama elétrico interno e lista dos materiais aplicados (IT 22, C.2.18.4; NT 22, C.4.17; NBR 13714, B.2.14). Manuais, lista de componentes e relatórios completam o dossiê; para projetos brasileiros, esclareça as responsabilidades técnicas e os registros exigidos para cada serviço.
Quando o contrato adota a NFPA 20, o fabricante entrega ao comprador as curvas certificadas do ensaio de fábrica, com altura por vazão e potência no eixo (4.5.1).
Cada bomba é ensaiada na fábrica para gerar dados de desempenho e demonstrar o atendimento à especificação (4.24.1) e, antes do embarque, passa por teste hidrostático de pelo menos 5 minutos, a no mínimo 1,5 vez a soma da altura de shutoff com a máxima altura de sucção admissível, nunca abaixo de 250 psi (17,24 bar) (4.24.2).
Defina no contrato os ensaios de fábrica e de campo, os critérios, a participação das partes e os relatórios. FAT e SAT precisam de escopo e registro, não apenas de siglas.
A aceitação vale para a unidade inteira. Pela NFPA 20, bomba, acionador e controlador cumprem a norma como uma unidade quando instalados ou quando há troca de componentes (4.4.1), e a unidade completa passa por teste de aceitação em campo depois de concluída toda a instalação (4.4.2 e 4.34).
Os critérios de desempenho da seção 6.2 valem na fábrica e no campo: pelo menos 150% da vazão nominal a no mínimo 65% da altura total nominal, e altura de shutoff de no máximo 140% da nominal.
A regularização da edificação, como o AVCB em São Paulo, é distinta da aceitação do skid. A proposta não deve prometer aprovação automática pela autoridade ou pela seguradora.
5. Preparação da consulta à FB Bombas
Envie vazão e pressão de projeto, fonte de água e condição de sucção, alimentação elétrica ou diesel, norma adotada e autoridade competente, com o desenho da casa de bombas e dos acessos. A NFPA 20 pede que o fabricante receba informação completa sobre o líquido e a alimentação de energia (4.2.2).
A FB Bombas define por projeto entregáveis como folha de dados, curva Q×H, desenho dimensional, plano de FAT e certificado de ensaio em bancada. Na fábrica de Cabreúva-SP, faz usinagem CNC, montagem e ensaios em bancada hidráulica pela ANSI/HI 14.6; fornecimento, transporte, ensaios e atendimento em campo são confirmados na proposta.
Para reposição ou retrofit, envie fotografias das placas, curvas e desenhos existentes. A análise deve considerar compatibilidade e interfaces antes de definir substituições.
Nota de engenharia
Uma proposta útil identifica o conjunto, os documentos de seleção e os ensaios, além das condições comerciais.



