1. Função da jockey e o limite do tamanho dela
A NFPA 20 define a jockey como a bomba projetada para manter a pressão do sistema de proteção contra incêndio entre limites preestabelecidos quando o sistema não está com vazão. A NBR 13714 e a NT 22 de Goiás descrevem o mesmo papel para a bomba de pressurização: equipamento hidráulico centrífugo destinado a manter o sistema pressurizado em uma faixa preestabelecida. Nas regras de hidrantes e mangotinhos, ela serve para compensar pequenas perdas de pressão da rede.
Quando o contrato adota a NFPA 20, toda bomba de incêndio acionada por pressão precisa de um meio de manter a pressão do sistema: uma jockey, uma unidade de deslocamento positivo de névoa d’água conforme o 8.5.7.2 ou outro meio aprovado que não seja a bomba principal (4.27.1). A bomba principal ou a reserva não pode ser usada como jockey, salvo o que o capítulo 8 permite (4.27.7).
O anexo acrescenta que a jockey costuma ser necessária com bombas de controle automático e que, num sistema de abastecimento de uso duplo, a bomba de água de consumo pode funcionar como meio de manter a pressão.
O limite da jockey é o tamanho. Pelo anexo da NFPA 20, quando ela atende só tubulação acima do solo de sprinklers e de hidrantes (standpipe), deve ter vazão menor que a de um único sprinkler. A bomba principal deve partir e seguir funcionando, com sinal de bomba em funcionamento, em qualquer situação de vazão com um sprinkler aberto, e isso não acontece se a jockey for grande demais.
Por isso, uma queda de pressão persistente pede investigação da rede, e não uma jockey maior: com vazão acima da de um sprinkler, a jockey passaria a atender uma abertura real, e a bomba principal não partiria.
Nota
A NFPA 20 trata a jockey de forma diferente da bomba principal: ela não precisa ser listada, mas precisa ser aprovada pela autoridade competente (4.27.2 e 4.27.2.1), e não precisa de fonte de energia alternativa ou reserva (4.27.9).
2. Vazão e pressão: vazamento admissível, não porcentagem da principal
Quando o contrato adota a NFPA 20, a jockey é dimensionada para repor a pressão do sistema perdida por vazamento admissível e por quedas normais de pressão (4.27.2.2), com vazão nominal não menor que qualquer vazamento normal (4.27.3) e pressão de descarga suficiente para manter a pressão desejada no sistema (4.27.4).
O anexo explica que esse dimensionamento pede uma análise do tipo e do tamanho do sistema atendido: jockeys de sistemas com grandes redes enterradas precisam ser maiores que as de pequenos sistemas acima do solo, porque a NFPA 24 admite algum vazamento na rede enterrada, enquanto a tubulação acima do solo deve ser estanque quando nova.
Uma orientação que o anexo registra como usada com sucesso é selecionar uma bomba que reponha a taxa de vazamento admissível em 10 minutos ou 1 gpm (3,8 L/min), o que for maior. Para tubulação só acima do solo, vale o teto da seção 1: vazão menor que a de um único sprinkler.
Nenhum desses critérios parte de uma porcentagem da vazão da bomba principal. A regra de 1% da vazão da principal circula como alvo prático entre projetistas, mas não aparece nos itens da jockey da NFPA 20, na IT 22 de São Paulo, na NT 22 de Goiás nem na NBR 13714.
Aplicada a uma principal de 1.500 gpm, ela daria uma jockey de 15 gpm, cerca de 57 L/min, quase o triplo do teto de 20 L/min que essas três regras brasileiras fixam para redes de hidrantes e mangotinhos.
Nas regras brasileiras, o critério é de vazão máxima. Em São Paulo e em Goiás, a rede de hidrantes ou mangotinhos com mais de seis saídas leva jockey, com vazão máxima de 20 L/min, e a jockey é dispensada quando o reservatório de incêndio é elevado, qualquer que seja o número de saídas (IT 22, C.1.15; NT 22, C.2.1).
A NBR 13714 pede a jockey quando for necessário manter a rede pressurizada e fixa o mesmo teto de 20 L/min (B.1.13). A pressão máxima de operação da jockey é igual à da bomba principal medida sem vazão (shutoff); na NT 22, à da bomba de reforço fixa (IT 22, C.1.15.1; NT 22, C.2.2; NBR 13714, B.1.13.1).
| Referência | Quando há jockey | Vazão | Pressão |
|---|---|---|---|
| NFPA 20 (4.27) | Bomba acionada por pressão: jockey ou outro meio aprovado | Repõe vazamento admissível e quedas normais | Suficiente para manter a pressão desejada |
| IT 22 de SP (C.1.15) | Mais de seis saídas, salvo reservatório elevado | Até 20 L/min | Máxima igual à da principal sem vazão |
| NT 22 de GO (C.2) | Mais de seis saídas, salvo reservatório elevado | Até 20 L/min | Máxima igual à da bomba de reforço fixa sem vazão |
| NBR 13714 (B.1.13) | Quando for necessário manter a pressão | Até 20 L/min | Máxima igual à da principal sem vazão |
3. Tipo de bomba, tubulação e válvulas
As regras não fixam uma construção única para a jockey. A NBR 13714 e a NT 22 de Goiás a descrevem como equipamento centrífugo. O anexo da NFPA 20 diz que a jockey do tipo centrífugo é preferível, e o texto da norma prevê também a bomba periférica (turbine vane), que exige válvula de alívio na descarga (4.27.5.1).
Número de estágios, posição de montagem, materiais e motor saem da seleção para o ponto de trabalho e para a água do sistema e devem constar da folha de dados do equipamento.
A válvula de alívio também é exigida quando a jockey centrífuga, operando em shutoff, tem pressão total de descarga acima da pressão de trabalho dos equipamentos de proteção contra incêndio; ela é dimensionada para evitar sobrepressão no sistema (4.27.5.1). Onde a jockey é capaz de passar da pressão de trabalho do sistema, não se usam temporizadores de tempo de funcionamento (4.27.5.2).
Na tubulação, a NFPA 20 pede tubo de aço na sucção e na descarga da jockey, inclusive nos sistemas pré-fabricados em conjunto (4.27.6.1); válvula de bloqueio na sucção, para isolar a bomba para reparo (4.27.6.3); válvula de retenção e válvula de bloqueio na descarga (4.27.6.4); e válvulas indicadoras onde for preciso para dar acesso de reparo à bomba, à retenção e às demais conexões (4.27.6.5).
Válvulas e componentes da jockey não precisam ser listados (4.27.6.2), e as válvulas de bloqueio dela não precisam ser supervisionadas (4.27.6.7).
O anexo lembra que a sucção da jockey pode vir da linha de enchimento do reservatório, o que permite manter pressão alta no sistema mesmo com o reservatório vazio para reparo. Nos conjuntos FBFS da FB Bombas, a jockey faz parte das três configurações; peça que a proposta identifique o fabricante, o modelo, a curva, os materiais, o motor e o manual dela, porque a integração num skid FB não torna automaticamente todo componente um produto fabricado pela FB Bombas.
4. Partidas frequentes e operação contínua
Compare a frequência e a duração das partidas da jockey com os registros da aceitação. Uma mudança de comportamento pode indicar alteração da rede, perda de pressão ou problema no comando, e a operação prolongada, sozinha, não identifica a causa.
O anexo de conectividade e coleta de dados da NFPA 25, que é informativo, lista para a jockey o número total de partidas e o tempo total de funcionamento desde o último reset, as pressões de partida e de parada e a duração da última partida. Registrar os mesmos dados na aceitação dá a referência para a comparação.
Antes de mexer nos ajustes, a equipe responsável confere vazamentos, válvulas, alimentação de água, instrumentos e pressostatos. Entre as observações antes de operar a bomba, o anexo da NFPA 25 registra que leituras dos manômetros de sucção e de descarga acima da pressão de sucção indicam vazamento de retorno da pressão do sistema pela bomba de incêndio ou pela jockey.
Na sinalização, a IT 22 de SP, a NT 22 de GO e a NBR 13714 permitem que a jockey tenha só sinal ótico de bomba em funcionamento (IT 22, C.2.14; NT 22, C.4.11; NBR 13714, B.2.8). Defina no plano de manutenção como registrar eventos e comunicar falhas, e não altere pressostatos nem desligue o sistema para silenciar um alarme sem avaliação do responsável técnico.
5. Comando, linha de sensor e ajuste dos pressostatos
Na NFPA 20, o controlador da jockey precisa ser listado, mas não para serviço de bomba de incêndio (4.27.8). Em toda instalação, inclusive a da jockey, cada controlador tem a sua própria linha de sensor de pressão (4.32.1), ligada entre a válvula de retenção e a válvula de bloqueio da descarga da própria bomba (4.32.2), em latão, tubo de cobre rígido tipos K, L ou M ou tubo de aço inoxidável série 300, com conexões de 1/2″ (15 mm) (4.32.3).
Os desenhos do projeto indicam, quando aplicável, o arranjo da jockey e do controlador, com o detalhe da linha de sensor (4.2.3.2).
Nas regras brasileiras, os pressostatos do cavalete de automação ligam e desligam a jockey automaticamente e só ligam a bomba principal (na NT 22, a bomba de reforço fixa), e ficam conectados aos painéis de comando e às chaves de partida dos motores de cada bomba (IT 22, C.1.15.2; NT 22, C.2.3; NBR 13714, B.1.13.2).
Depois de partir, a bomba principal só desliga manualmente, no próprio painel de comando, na casa de bombas (IT 22, C.1.6; NBR 13714, B.1.6); a NT 22 de Goiás pede o desligamento só manual para a bomba fixa ou de reforço (C.1.7).
Para os valores, as regras brasileiras recomendam um diferencial de aproximadamente 10 mca (100 kPa) entre os acionamentos sequenciais das bombas (IT 22, C.1.15.1; NT 22, C.2.2; NBR 13714, B.1.13.1). O anexo da NFPA 20, para o sistema com partida por queda de pressão, propõe este escalonamento, com os ajustes finais pelas pressões lidas nos manômetros de ensaio:
- Parada da jockey: pressão de shutoff da bomba principal somada à pressão estática mínima de alimentação.
- Partida da jockey: pelo menos 10 psi (0,69 bar) abaixo da parada da jockey.
- Partida da bomba principal: 5 psi (0,34 bar) abaixo da partida da jockey, com mais 10 psi (0,69 bar) de intervalo para cada bomba adicional.
- Onde houver temporizador de tempo mínimo de funcionamento, as bombas continuam operando na pressão de shutoff além do ajuste de parada, e as pressões finais não devem passar da pressão nominal dos componentes do sistema.
- Onde o diferencial dos pressostatos não permitir esses valores, os ajustes ficam o mais perto deles que o equipamento permitir.
| Ajuste | Conta | Resultado |
|---|---|---|
| Parada da jockey | 115 + 50 psi | 165 psi (11,4 bar) |
| Partida da jockey | 165 − 10 psi | 155 psi (10,7 bar) |
| Parada da bomba principal | 115 + 50 psi | 165 psi (11,4 bar) |
| Partida da bomba principal | 155 − 5 psi | 150 psi (10,3 bar) |
| Shutoff máximo da principal | 115 + 60 psi | 175 psi (12,1 bar) |
Nota de engenharia
A linha de parada da principal do exemplo não se aplica onde a regra adotada exige desligamento manual, como a IT 22, a NT 22 e a NBR 13714. Na aceitação, a NBR 13714 manda ensaiar a automação no cavalete, conferindo as pressões de regulagem dos pressostatos da jockey (liga e desliga) e da principal (liga) e o acionamento dos alarmes (C.1.3.1). Registre os valores efetivos e entregue ao operador o diagrama atualizado.



