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Bomba Jockey: Manutenção de Pressão no Sistema de Incêndio

O que a NFPA 20, as regras de São Paulo e de Goiás e a NBR 13714 pedem da jockey: vazão, pressão, tubulação, linha de sensor, comando e ajuste dos pressostatos.

Resposta técnica FB Bombas

A bomba jockey mantém a pressão do sistema de incêndio entre limites preestabelecidos enquanto não há vazão e compensa pequenas perdas de pressão; quando um sprinkler abre, quem deve partir é a bomba principal. Quando o contrato adota a NFPA 20, a jockey repõe o vazamento admissível e as quedas normais de pressão, com vazão nominal não menor que o vazamento normal e pressão de descarga suficiente para manter a pressão desejada. A bomba não precisa ser listada, mas o controlador dela precisa. Em São Paulo (IT 22) e em Goiás (NT 22), redes de hidrantes ou mangotinhos com mais de seis saídas levam jockey de no máximo 20 L/min, dispensada com reservatório elevado. As três configurações FBFS da FB Bombas incluem jockey.

1. Função da jockey e o limite do tamanho dela

A NFPA 20 define a jockey como a bomba projetada para manter a pressão do sistema de proteção contra incêndio entre limites preestabelecidos quando o sistema não está com vazão. A NBR 13714 e a NT 22 de Goiás descrevem o mesmo papel para a bomba de pressurização: equipamento hidráulico centrífugo destinado a manter o sistema pressurizado em uma faixa preestabelecida. Nas regras de hidrantes e mangotinhos, ela serve para compensar pequenas perdas de pressão da rede.

Quando o contrato adota a NFPA 20, toda bomba de incêndio acionada por pressão precisa de um meio de manter a pressão do sistema: uma jockey, uma unidade de deslocamento positivo de névoa d’água conforme o 8.5.7.2 ou outro meio aprovado que não seja a bomba principal (4.27.1). A bomba principal ou a reserva não pode ser usada como jockey, salvo o que o capítulo 8 permite (4.27.7).

O anexo acrescenta que a jockey costuma ser necessária com bombas de controle automático e que, num sistema de abastecimento de uso duplo, a bomba de água de consumo pode funcionar como meio de manter a pressão.

O limite da jockey é o tamanho. Pelo anexo da NFPA 20, quando ela atende só tubulação acima do solo de sprinklers e de hidrantes (standpipe), deve ter vazão menor que a de um único sprinkler. A bomba principal deve partir e seguir funcionando, com sinal de bomba em funcionamento, em qualquer situação de vazão com um sprinkler aberto, e isso não acontece se a jockey for grande demais.

Por isso, uma queda de pressão persistente pede investigação da rede, e não uma jockey maior: com vazão acima da de um sprinkler, a jockey passaria a atender uma abertura real, e a bomba principal não partiria.

Nota

A NFPA 20 trata a jockey de forma diferente da bomba principal: ela não precisa ser listada, mas precisa ser aprovada pela autoridade competente (4.27.2 e 4.27.2.1), e não precisa de fonte de energia alternativa ou reserva (4.27.9).

2. Vazão e pressão: vazamento admissível, não porcentagem da principal

Quando o contrato adota a NFPA 20, a jockey é dimensionada para repor a pressão do sistema perdida por vazamento admissível e por quedas normais de pressão (4.27.2.2), com vazão nominal não menor que qualquer vazamento normal (4.27.3) e pressão de descarga suficiente para manter a pressão desejada no sistema (4.27.4).

O anexo explica que esse dimensionamento pede uma análise do tipo e do tamanho do sistema atendido: jockeys de sistemas com grandes redes enterradas precisam ser maiores que as de pequenos sistemas acima do solo, porque a NFPA 24 admite algum vazamento na rede enterrada, enquanto a tubulação acima do solo deve ser estanque quando nova.

Uma orientação que o anexo registra como usada com sucesso é selecionar uma bomba que reponha a taxa de vazamento admissível em 10 minutos ou 1 gpm (3,8 L/min), o que for maior. Para tubulação só acima do solo, vale o teto da seção 1: vazão menor que a de um único sprinkler.

Nenhum desses critérios parte de uma porcentagem da vazão da bomba principal. A regra de 1% da vazão da principal circula como alvo prático entre projetistas, mas não aparece nos itens da jockey da NFPA 20, na IT 22 de São Paulo, na NT 22 de Goiás nem na NBR 13714.

Aplicada a uma principal de 1.500 gpm, ela daria uma jockey de 15 gpm, cerca de 57 L/min, quase o triplo do teto de 20 L/min que essas três regras brasileiras fixam para redes de hidrantes e mangotinhos.

Nas regras brasileiras, o critério é de vazão máxima. Em São Paulo e em Goiás, a rede de hidrantes ou mangotinhos com mais de seis saídas leva jockey, com vazão máxima de 20 L/min, e a jockey é dispensada quando o reservatório de incêndio é elevado, qualquer que seja o número de saídas (IT 22, C.1.15; NT 22, C.2.1).

A NBR 13714 pede a jockey quando for necessário manter a rede pressurizada e fixa o mesmo teto de 20 L/min (B.1.13). A pressão máxima de operação da jockey é igual à da bomba principal medida sem vazão (shutoff); na NT 22, à da bomba de reforço fixa (IT 22, C.1.15.1; NT 22, C.2.2; NBR 13714, B.1.13.1).

ReferênciaQuando há jockeyVazãoPressão
NFPA 20 (4.27)Bomba acionada por pressão: jockey ou outro meio aprovadoRepõe vazamento admissível e quedas normaisSuficiente para manter a pressão desejada
IT 22 de SP (C.1.15)Mais de seis saídas, salvo reservatório elevadoAté 20 L/minMáxima igual à da principal sem vazão
NT 22 de GO (C.2)Mais de seis saídas, salvo reservatório elevadoAté 20 L/minMáxima igual à da bomba de reforço fixa sem vazão
NBR 13714 (B.1.13)Quando for necessário manter a pressãoAté 20 L/minMáxima igual à da principal sem vazão
Vazão e pressão da jockey em cada referência. O projeto indica qual delas vale para a instalação.

3. Tipo de bomba, tubulação e válvulas

As regras não fixam uma construção única para a jockey. A NBR 13714 e a NT 22 de Goiás a descrevem como equipamento centrífugo. O anexo da NFPA 20 diz que a jockey do tipo centrífugo é preferível, e o texto da norma prevê também a bomba periférica (turbine vane), que exige válvula de alívio na descarga (4.27.5.1).

Número de estágios, posição de montagem, materiais e motor saem da seleção para o ponto de trabalho e para a água do sistema e devem constar da folha de dados do equipamento.

A válvula de alívio também é exigida quando a jockey centrífuga, operando em shutoff, tem pressão total de descarga acima da pressão de trabalho dos equipamentos de proteção contra incêndio; ela é dimensionada para evitar sobrepressão no sistema (4.27.5.1). Onde a jockey é capaz de passar da pressão de trabalho do sistema, não se usam temporizadores de tempo de funcionamento (4.27.5.2).

Na tubulação, a NFPA 20 pede tubo de aço na sucção e na descarga da jockey, inclusive nos sistemas pré-fabricados em conjunto (4.27.6.1); válvula de bloqueio na sucção, para isolar a bomba para reparo (4.27.6.3); válvula de retenção e válvula de bloqueio na descarga (4.27.6.4); e válvulas indicadoras onde for preciso para dar acesso de reparo à bomba, à retenção e às demais conexões (4.27.6.5).

Válvulas e componentes da jockey não precisam ser listados (4.27.6.2), e as válvulas de bloqueio dela não precisam ser supervisionadas (4.27.6.7).

O anexo lembra que a sucção da jockey pode vir da linha de enchimento do reservatório, o que permite manter pressão alta no sistema mesmo com o reservatório vazio para reparo. Nos conjuntos FBFS da FB Bombas, a jockey faz parte das três configurações; peça que a proposta identifique o fabricante, o modelo, a curva, os materiais, o motor e o manual dela, porque a integração num skid FB não torna automaticamente todo componente um produto fabricado pela FB Bombas.

4. Partidas frequentes e operação contínua

Compare a frequência e a duração das partidas da jockey com os registros da aceitação. Uma mudança de comportamento pode indicar alteração da rede, perda de pressão ou problema no comando, e a operação prolongada, sozinha, não identifica a causa.

O anexo de conectividade e coleta de dados da NFPA 25, que é informativo, lista para a jockey o número total de partidas e o tempo total de funcionamento desde o último reset, as pressões de partida e de parada e a duração da última partida. Registrar os mesmos dados na aceitação dá a referência para a comparação.

Antes de mexer nos ajustes, a equipe responsável confere vazamentos, válvulas, alimentação de água, instrumentos e pressostatos. Entre as observações antes de operar a bomba, o anexo da NFPA 25 registra que leituras dos manômetros de sucção e de descarga acima da pressão de sucção indicam vazamento de retorno da pressão do sistema pela bomba de incêndio ou pela jockey.

Na sinalização, a IT 22 de SP, a NT 22 de GO e a NBR 13714 permitem que a jockey tenha só sinal ótico de bomba em funcionamento (IT 22, C.2.14; NT 22, C.4.11; NBR 13714, B.2.8). Defina no plano de manutenção como registrar eventos e comunicar falhas, e não altere pressostatos nem desligue o sistema para silenciar um alarme sem avaliação do responsável técnico.

5. Comando, linha de sensor e ajuste dos pressostatos

Na NFPA 20, o controlador da jockey precisa ser listado, mas não para serviço de bomba de incêndio (4.27.8). Em toda instalação, inclusive a da jockey, cada controlador tem a sua própria linha de sensor de pressão (4.32.1), ligada entre a válvula de retenção e a válvula de bloqueio da descarga da própria bomba (4.32.2), em latão, tubo de cobre rígido tipos K, L ou M ou tubo de aço inoxidável série 300, com conexões de 1/2″ (15 mm) (4.32.3).

Os desenhos do projeto indicam, quando aplicável, o arranjo da jockey e do controlador, com o detalhe da linha de sensor (4.2.3.2).

Nas regras brasileiras, os pressostatos do cavalete de automação ligam e desligam a jockey automaticamente e só ligam a bomba principal (na NT 22, a bomba de reforço fixa), e ficam conectados aos painéis de comando e às chaves de partida dos motores de cada bomba (IT 22, C.1.15.2; NT 22, C.2.3; NBR 13714, B.1.13.2).

Depois de partir, a bomba principal só desliga manualmente, no próprio painel de comando, na casa de bombas (IT 22, C.1.6; NBR 13714, B.1.6); a NT 22 de Goiás pede o desligamento só manual para a bomba fixa ou de reforço (C.1.7).

Para os valores, as regras brasileiras recomendam um diferencial de aproximadamente 10 mca (100 kPa) entre os acionamentos sequenciais das bombas (IT 22, C.1.15.1; NT 22, C.2.2; NBR 13714, B.1.13.1). O anexo da NFPA 20, para o sistema com partida por queda de pressão, propõe este escalonamento, com os ajustes finais pelas pressões lidas nos manômetros de ensaio:

  • Parada da jockey: pressão de shutoff da bomba principal somada à pressão estática mínima de alimentação.
  • Partida da jockey: pelo menos 10 psi (0,69 bar) abaixo da parada da jockey.
  • Partida da bomba principal: 5 psi (0,34 bar) abaixo da partida da jockey, com mais 10 psi (0,69 bar) de intervalo para cada bomba adicional.
  • Onde houver temporizador de tempo mínimo de funcionamento, as bombas continuam operando na pressão de shutoff além do ajuste de parada, e as pressões finais não devem passar da pressão nominal dos componentes do sistema.
  • Onde o diferencial dos pressostatos não permitir esses valores, os ajustes ficam o mais perto deles que o equipamento permitir.
AjusteContaResultado
Parada da jockey115 + 50 psi165 psi (11,4 bar)
Partida da jockey165 − 10 psi155 psi (10,7 bar)
Parada da bomba principal115 + 50 psi165 psi (11,4 bar)
Partida da bomba principal155 − 5 psi150 psi (10,3 bar)
Shutoff máximo da principal115 + 60 psi175 psi (12,1 bar)
Exemplo do anexo da NFPA 20: bomba de 1.000 gpm e 100 psi, com shutoff de 115 psi e alimentação da rede pública com pressão estática mínima de 50 psi e máxima de 60 psi (1 psi = 0,0689 bar).

Nota de engenharia

A linha de parada da principal do exemplo não se aplica onde a regra adotada exige desligamento manual, como a IT 22, a NT 22 e a NBR 13714. Na aceitação, a NBR 13714 manda ensaiar a automação no cavalete, conferindo as pressões de regulagem dos pressostatos da jockey (liga e desliga) e da principal (liga) e o acionamento dos alarmes (C.1.3.1). Registre os valores efetivos e entregue ao operador o diagrama atualizado.

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Envie a vazão, a pressão, os acionamentos previstos e as normas exigidas no projeto de incêndio. A proposta deve identificar a configuração, a curva, os ensaios e os documentos incluídos no fornecimento.

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Perguntas frequentes

Respostas técnicas sobre seleção, instalação e operação nesta aplicação.

A bomba jockey é obrigatória em todos os sistemas?

Depende da regra adotada. Na NFPA 20, a bomba de incêndio acionada por pressão precisa de um meio de manter a pressão do sistema, e a jockey é uma das opções, ao lado da unidade de névoa d’água do capítulo 8 e de outro meio aprovado que não seja a bomba principal (4.27.1). Em São Paulo e em Goiás, a jockey é exigida quando a rede de hidrantes ou mangotinhos tem mais de seis saídas e dispensada com reservatório elevado (IT 22, C.1.15; NT 22, C.2.1). A NBR 13714 a pede quando for necessário manter a rede pressurizada (B.1.13).

A jockey deve ter exatamente 1% da vazão principal?

Não. A NFPA 20 dimensiona a jockey pelo vazamento admissível e pelas quedas normais de pressão (4.27.2.2), e o anexo registra a orientação de repor a taxa de vazamento admissível em 10 minutos ou 1 gpm (3,8 L/min), o que for maior, com vazão menor que a de um sprinkler quando a jockey atende só tubulação acima do solo. A IT 22 de SP, a NT 22 de GO e a NBR 13714 limitam a jockey a 20 L/min. Nenhuma dessas referências usa porcentagem da vazão da principal.

A jockey precisa ser de aço inoxidável?

Os itens da jockey na NFPA 20, nas regras de SP e de GO e na NBR 13714 não exigem bomba de inox. A NFPA 20 pede tubo de aço na sucção e na descarga (4.27.6.1), e o anexo prefere a jockey centrífuga; a norma prevê também a periférica, com válvula de alívio (4.27.5.1). A NBR 13714 e a NT 22 de Goiás a descrevem como centrífuga. O material da bomba sai da seleção para a água e as condições de operação e deve constar da folha de dados do fabricante.

O que verificar se a jockey funciona continuamente?

Registre o evento e compare o número de partidas e o tempo de funcionamento com os da aceitação; o anexo de coleta de dados da NFPA 25 lista esses dados para a jockey. Depois, peça a inspeção da rede, das válvulas, da alimentação de água, da bomba e dos comandos. Pelo anexo da NFPA 25, leituras dos manômetros acima da pressão de sucção indicam vazamento de retorno pela bomba de incêndio ou pela jockey. Não aumente a jockey para compensar: uma jockey grande demais impede que a principal parta quando um sprinkler abre (NFPA 20, A.4.27.2.2).

A jockey pode compartilhar o controlador da principal?

Pelas referências desta página, cada bomba tem o seu comando. Na NFPA 20, o controlador da jockey é listado, mas não para serviço de bomba de incêndio (4.27.8), e cada controlador tem a sua própria linha de sensor de pressão (4.32.1). Nas regras de SP e de GO e na NBR 13714, os pressostatos ficam ligados aos painéis de comando e às chaves de partida dos motores de cada bomba (IT 22, C.1.15.2; NT 22, C.2.3; NBR 13714, B.1.13.2).

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Informe o fluido, a vazão, a pressão e a temperatura de operação. Inclua as condições de sucção e os dados do equipamento instalado, quando houver. Com esse contexto, a equipe FB Bombas avalia sua aplicação.

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