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NBR 13714: Sistemas de Hidrantes e Mangotinhos — Tipos, Componentes e o Papel da Bomba de Incêndio

A NBR 13714 define os sistemas de hidrantes e mangotinhos das edificações brasileiras: os três tipos de sistema por risco, a reserva técnica de incêndio, a rede, o registro de recalque e a bomba que sustenta tudo. Guia do fabricante para entender o que a norma cobra — e como ela conversa com a NBR 16704 e a NFPA 20.

Engenharia
Publicado em 10 de junho de 202610 min de leitura·Equipe de Engenharia FB Bombas

Em resumo

  • A NBR 13714 rege os sistemas de hidrantes e mangotinhos das edificações brasileiras: três tipos de sistema conforme o risco da ocupação, definidos pela Instrução Técnica do Corpo de Bombeiros estadual.

  • Tipo 1 usa mangotinhos operáveis por qualquer ocupante sem treinamento; tipos 2 e 3 usam hidrantes com mangueiras para brigadas e bombeiros, com vazões e pressões mínimas da Tabela 1 da norma.

  • A bomba é dimensionada pela condição de pior caso: as duas saídas hidraulicamente mais desfavoráveis operando simultaneamente — nunca pela média do sistema.

  • O registro de recalque no passeio não é bomba: é a conexão para o caminhão do Corpo de Bombeiros injetar água na rede. Quem pressuriza o sistema é o conjunto principal + reserva + jockey, conforme NBR 16704 e NFPA 20.

  • A FB Bombas entrega o conjunto de bombas para sistemas de hidrantes em skid pré-montado com painel e documentação de ensaio para o AVCB, com base na série FBCN.

Resposta direta

A ABNT NBR 13714 estabelece condições de dimensionamento, instalação, manutenção, aceitação e operação dos sistemas de hidrantes e mangotinhos para combate manual por água. A Instrução Técnica do Corpo de Bombeiros do estado define se a ocupação exige o sistema e qual tipo deve ser adotado; a norma orienta como projetá-lo. O projeto aprovado e a IT estadual prevalecem para a edificação.

Quem define a exigência: NBR 13714 ou Corpo de Bombeiros?

A exigência para cada ocupação parte da legislação e da Instrução Técnica do Corpo de Bombeiros competente. A NBR 13714 fornece os critérios técnicos para o sistema exigido. Por isso, tipo do sistema, processo de aprovação e eventuais requisitos complementares devem ser conferidos na IT estadual e no projeto aprovado.

Na prática, isso vale para a grande maioria das edificações que precisam de AVCB — condomínios residenciais e comerciais, galpões, indústrias, escolas, hospitais e shoppings. O projetista trabalha com as duas referências em conjunto: a IT estadual diz "o quê" e a norma diz "como" — a rede fixa de tubulação que alimenta hidrantes e mangotinhos, abastecida pela reserva técnica de incêndio e, na maioria dos projetos, pressurizada por um conjunto de bombas.

Qual é a diferença entre NBR 13714, NBR 10897, NBR 16704 e NFPA 20?

A NBR 13714 trata de hidrantes e mangotinhos; a NBR 10897, de sprinklers. A NBR 16704 e a NFPA 20 tratam dos conjuntos de bombas estacionárias usados nesses sistemas. A Instrução Técnica estadual conecta essas referências à classificação da ocupação e ao processo de aprovação.

Um mesmo empreendimento frequentemente precisa das quatro referências ao mesmo tempo: hidrantes para combate manual, sprinklers para supressão automática e o conjunto de bombas que pressuriza os dois sistemas — cada bloco com sua norma de projeto.

ReferênciaEscopo
NBR 13714Hidrantes e mangotinhos
NBR 10897Sprinklers (chuveiros automáticos)
NBR 16704Conjuntos de bombas estacionárias
NFPA 20Instalação de bombas estacionárias de proteção contra incêndio
IT estadualExigência e aprovação da ocupação
Papel de cada referência normativa no sistema de combate a incêndio

Quais são os tipos 1, 2 e 3 da NBR 13714?

O tipo 1 usa mangotinho semirrígido já conectado e foi concebido para o primeiro combate por ocupantes; os tipos 2 e 3 usam hidrantes e mangueiras acopláveis para brigadas treinadas e bombeiros. A capacidade cresce do tipo 1 ao tipo 3. A seleção decorre da ocupação definida na IT estadual, e vazão e pressão vêm da Tabela 1 da norma.

No detalhe: o tipo 1 é o sistema de mangotinhos — pontos de tomada com mangueira semirrígida já conectada e esguicho regulável, projetados para serem operados por qualquer ocupante da edificação, sem treinamento, nos minutos iniciais. Os tipos 2 e 3 são sistemas de hidrantes, com mangueiras de incêndio acopláveis e vazões maiores; o tipo 3 é o mais exigente, usado em ocupações de maior risco.

TipoDispositivoOperador previstoFonte da seleção
Tipo 1Mangotinho semirrígido conectadoOcupantes sem treinamentoIT estadual + Tabela 1 da norma
Tipo 2Hidrante com mangueira acoplávelBrigada treinadaIT estadual + Tabela 1 da norma
Tipo 3Hidrante com mangueira acoplável (maior capacidade)Brigada treinada e Corpo de BombeirosIT estadual + Tabela 1 da norma
Tipos de sistema da NBR 13714 — dispositivo, operador e fonte da seleção

Como a NBR 13714 define a vazão e a pressão de projeto?

Cada tipo possui vazão e pressão mínimas na Tabela 1, verificadas com as duas saídas hidraulicamente mais desfavoráveis operando simultaneamente. Esse par vazão–pressão é o dado de entrada do conjunto de bombas. Altura geométrica e perdas da rede são somadas antes da seleção do equipamento.

As saídas mais desfavoráveis são tipicamente as mais altas e mais distantes da bomba. É essa condição de pior caso, e não a média do sistema, que dimensiona a bomba de incêndio: ela precisa entregar a vazão de projeto na pressão mínima exigida no ponto mais difícil da rede.

Quais componentes formam um sistema de hidrantes e mangotinhos?

O sistema tem cinco blocos: reserva técnica de incêndio, tubulação exclusiva, hidrantes ou mangotinhos em abrigos, dispositivo de recalque acessível ao Corpo de Bombeiros e, quando a gravidade não basta, conjunto de bombas. A reserva e a rede atendem à demanda; o dispositivo permite reforço externo; as bombas mantêm o ponto hidráulico do projeto.

Um sistema NBR 13714 completo tem cinco blocos. A reserva técnica de incêndio (RTI) é o volume de água exclusivo para combate, mantido em reservatório próprio ou em compartimento dedicado do reservatório do prédio — o volume mínimo decorre do tipo de sistema e da IT estadual. A rede de tubulação é exclusiva do combate a incêndio, não pode ser compartilhada com o consumo predial.

Os hidrantes e mangotinhos são os pontos de tomada, instalados em abrigos sinalizados com mangueiras, esguichos e chaves.

O quarto bloco é o registro de recalque: a conexão instalada no passeio, junto à entrada da edificação, que permite ao Corpo de Bombeiros injetar água do caminhão diretamente na rede de hidrantes do prédio. É um requisito clássico de vistoria — precisa estar sinalizado, acessível, com tampa identificada e voltado para a via pública.

Atenção ao vocabulário: o "hidrante de recalque" do passeio não é uma bomba; quem pressuriza a rede no dia a dia é o quinto bloco, o conjunto de bombas de incêndio.

  • Reserva técnica de incêndio (RTI) — volume exclusivo, dimensionado pelo tipo de sistema e IT estadual
  • Rede de tubulação exclusiva — independente da rede de consumo predial
  • Hidrantes e mangotinhos em abrigos sinalizados — com mangueiras, esguichos e chaves
  • Registro de recalque no passeio — conexão para o caminhão do Corpo de Bombeiros
  • Conjunto de bombas de incêndio — principal, reserva e jockey, conforme NBR 16704/NFPA 20

O que é o dispositivo de recalque e quais medidas ele deve ter?

O dispositivo de recalque é uma conexão passiva para o Corpo de Bombeiros injetar água na rede; não é uma bomba. A instalação no passeio usa caixa de 0,40 m × 0,60 m, afastada 0,50 m da guia, com entrada a 45° e profundidade máxima de 0,15 m. A configuração aprovada na IT estadual prevalece.

O nome oficial na norma é dispositivo de recalque: o dispositivo para uso do Corpo de Bombeiros que permite o recalque de água para o sistema — na prática, o ponto onde a viatura conecta o mangote e injeta água do caminhão na rede do prédio. O mercado o chama de hidrante de recalque, registro de recalque ou tomada de recalque.

Dois cuidados de vocabulário: ele não é o hidrante urbano de coluna da rua (que pertence à rede pública da concessionária) e não é uma bomba de recalque — é uma conexão passiva.

Todos os sistemas de hidrantes e mangotinhos devem ter o dispositivo: um prolongamento com o mesmo diâmetro da tubulação principal, entre DN 50 (2") e DN 100 (4"), com engates compatíveis com os utilizados pelo Corpo de Bombeiros local. Quando a vazão do sistema supera 1.000 L/min, a norma exige um registro de recalque adicional.

Instalado no passeio, ele fica enterrado em caixa de alvenaria com fundo permeável ou dreno, tampa articulada e requadro em ferro fundido identificada pela palavra "INCÊNDIO", com dimensões de 0,40 m × 0,60 m, afastada 0,50 m da guia; a introdução aponta para cima em ângulo de 45°, a no máximo 0,15 m de profundidade, e o volante da válvula fica a no máximo 0,50 m do nível do piso.

A válvula do dispositivo é do tipo gaveta ou esfera, permitindo o fluxo de água nos dois sentidos — detalhe que surpreende: no sistema de hidrantes não se usa válvula de retenção no recalque (a retenção é exigência das normas técnicas dos Corpos de Bombeiros para a tomada de recalque de sprinklers).

A norma também admite a instalação na fachada principal ou no muro de divisa, com a introdução voltada para a rua e para baixo em ângulo de 45°, a uma altura entre 0,60 m e 1,00 m do piso. Em qualquer posição, a regra que decide vistoria: a localização deve permitir a aproximação da viatura a partir do logradouro público, sem qualquer obstáculo que dependa de remoção.

Quando a bomba de incêndio é necessária e qual norma a dimensiona?

A bomba é necessária quando a coluna d’água disponível não mantém a vazão e a pressão requeridas nas duas saídas mais desfavoráveis. A NBR 13714 fornece a demanda hidráulica; a NBR 16704 e a NFPA 20 orientam o conjunto de bombas. O modelo deve ser escolhido no ponto vazão–altura após incluir altura geométrica e perdas de carga.

A NBR 13714 admite sistemas pressurizados por gravidade, quando o reservatório elevado tem altura suficiente para garantir a pressão mínima na saída mais desfavorável. Na prática, isso é raro: a maioria das edificações não tem coluna d’água suficiente, e a pressão precisa vir de um conjunto de bombas dedicado — a bomba principal de incêndio, a bomba reserva e a bomba jockey de pressurização.

O dimensionamento dessa bomba não está na NBR 13714 — está na NBR 16704 e na NFPA 20. A 13714 entrega os dados de entrada: a vazão de projeto (as duas saídas mais desfavoráveis simultâneas do tipo de sistema escolhido) e a pressão mínima exigida nelas.

Com esses dados, soma-se a altura geométrica e as perdas de carga da rede, e seleciona-se uma bomba cuja curva característica atenda ao envelope da NFPA 20 — 100% da vazão a 100% da pressão, 150% da vazão a no mínimo 65% da pressão, shutoff limitado a 140%.

Em edificações que também têm sprinklers (NBR 10897), o conjunto de bombas costuma ser dimensionado para a demanda combinada definida em projeto — e é exatamente por isso que a especificação da bomba de incêndio deve começar pelos dados das normas de demanda (13714 e 10897), nunca pelo catálogo.

A FB Bombas usa a série FBCN como base dos sistemas FBFS e entrega o conjunto completo em skid: principal elétrica, reserva diesel quando exigida, jockey, painel e ensaio de bancada documentado para o AVCB.

Manutenção, vistoria e AVCB: o sistema precisa continuar funcionando

A NBR 13714 não termina na instalação: ela exige que o sistema seja mantido operacional ao longo da vida da edificação. Isso significa hidrantes desobstruídos, mangueiras dentro da validade de ensaio, abrigos completos, registro de recalque acessível, RTI no nível e — o ponto mais negligenciado — o conjunto de bombas partindo nos setpoints corretos, com teste periódico documentado.

Na renovação do AVCB, o vistoriador testa o sistema de hidrantes na prática — e a causa mais comum de reprovação ligada a bombas é simples: bomba que não parte automaticamente na queda de pressão, jockey com setpoint errado ou painel em modo manual. Manter contrato de manutenção ativo e registro dos testes é responsabilidade legal do síndico ou do gestor da edificação, com jurisprudência consolidada no Brasil.

Erros comuns de especificação em sistemas de hidrantes

Quatro erros se repetem nos projetos que chegam à engenharia de aplicação. Primeiro: dimensionar a bomba pela saída média em vez das duas saídas mais desfavoráveis simultâneas — o sistema passa no papel e falha no hidrante do último pavimento. Segundo: ignorar a IT estadual e classificar o tipo de sistema por conta própria. Terceiro: esquecer a bomba jockey, deixando a principal partir a cada microvazamento.

Quarto: comprar a bomba antes do projeto hidráulico, pelo catálogo — quando o cálculo de perda de carga termina, a bomba comprada não atende ao ponto de operação.

A forma de evitar todos eles é a mesma: começar pela classificação de risco da IT estadual, extrair da NBR 13714 a demanda de projeto, calcular a rede e só então especificar o conjunto de bombas conforme NBR 16704/NFPA 20. A engenharia de aplicação da FB Bombas faz esse caminho completo a partir dos dados da edificação e responde com a especificação do skid em 48-72 horas úteis.

Perguntas frequentes

O que é hidrante de recalque?

Hidrante de recalque é o dispositivo de uso do Corpo de Bombeiros — a norma o chama de dispositivo de recalque — que permite injetar água dos caminhões diretamente na rede de hidrantes da edificação. Fica no passeio, na fachada ou no muro de divisa, sempre acessível à viatura. Não é uma bomba: quem pressuriza a rede no dia a dia é o conjunto de bombas de incêndio.

Quais as medidas da caixa do hidrante de recalque no passeio?

Pela norma de hidrantes, a caixa de alvenaria enterrada no passeio tem dimensões de 0,40 m × 0,60 m, com tampa articulada e requadro em ferro fundido identificada pela palavra "INCÊNDIO", afastada 0,50 m da guia. A introdução fica voltada para cima em ângulo de 45°, a no máximo 0,15 m de profundidade, e o volante da válvula a no máximo 0,50 m do piso acabado.

O hidrante de recalque leva válvula de retenção?

No sistema de hidrantes, a norma pede válvula do tipo gaveta ou esfera, permitindo o fluxo de água nos dois sentidos — não é válvula de retenção. Já a tomada de recalque dos sistemas de sprinklers, nas normas técnicas dos Corpos de Bombeiros, leva válvula de retenção com fluxo de fora para dentro. Em qualquer caso, vale a configuração do projeto aprovado no seu estado.

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