1. O que é a NBR 13714 e quando ela se aplica
A ABNT NBR 13714 — Sistemas de hidrantes e de mangotinhos para combate a incêndio — é a norma que rege o sistema de combate manual por água nas edificações brasileiras: a rede fixa de tubulação que alimenta hidrantes e mangotinhos distribuídos pelos pavimentos, abastecida pela reserva técnica de incêndio e, na maioria dos projetos, pressurizada por um conjunto de bombas.
Ela se aplica à grande maioria das edificações que precisam de AVCB — condomínios residenciais e comerciais, galpões, indústrias, escolas, hospitais e shoppings. Quem define se a edificação precisa de sistema de hidrantes, e de qual tipo, é a Instrução Técnica do Corpo de Bombeiros do estado, que usa a NBR 13714 como referência técnica de projeto. Na prática, o projetista trabalha com as duas em conjunto: a IT estadual diz "o quê" e a norma diz "como".
É importante separar os papéis dentro da família normativa de incêndio: a NBR 13714 cuida de hidrantes e mangotinhos (combate manual), a NBR 10897 cuida de chuveiros automáticos (sprinklers), e a NBR 16704 — em conjunto com a NFPA 20 — cuida das bombas estacionárias que pressurizam esses sistemas. Um mesmo empreendimento frequentemente precisa das três.
2. Os três tipos de sistema: mangotinho ou hidrante, conforme o risco
A norma classifica os sistemas em três tipos, em ordem crescente de capacidade. O tipo 1 é o sistema de mangotinhos: pontos de tomada com mangueira semirrígida já conectada e esguicho regulável, projetados para serem operados por qualquer ocupante da edificação, sem treinamento — o primeiro combate nos minutos iniciais.
Os tipos 2 e 3 são sistemas de hidrantes, com mangueiras de incêndio acopláveis e vazões maiores, destinados a brigadas treinadas e ao próprio Corpo de Bombeiros; o tipo 3 é o mais exigente, usado em ocupações de maior risco.
Cada tipo tem vazão e pressão mínimas definidas na Tabela 1 da norma, verificadas nas duas saídas hidraulicamente mais desfavoráveis operando simultaneamente — tipicamente as mais altas e mais distantes da bomba. É essa condição de pior caso, e não a média do sistema, que dimensiona a bomba de incêndio: ela precisa entregar a vazão de projeto na pressão mínima exigida no ponto mais difícil da rede.
3. Componentes: reserva, rede, abrigos e o registro de recalque
Um sistema NBR 13714 completo tem cinco blocos. A reserva técnica de incêndio (RTI) é o volume de água exclusivo para combate, mantido em reservatório próprio ou em compartimento dedicado do reservatório do prédio — o volume mínimo decorre do tipo de sistema e da IT estadual. A rede de tubulação é exclusiva do combate a incêndio, não pode ser compartilhada com o consumo predial.
Os hidrantes e mangotinhos são os pontos de tomada, instalados em abrigos sinalizados com mangueiras, esguichos e chaves.
O quarto bloco é o registro de recalque: a conexão instalada no passeio, junto à entrada da edificação, que permite ao Corpo de Bombeiros injetar água do caminhão diretamente na rede de hidrantes do prédio. É um requisito clássico de vistoria — precisa estar sinalizado, acessível, com tampa identificada e voltado para a via pública.
Atenção ao vocabulário: o "hidrante de recalque" do passeio não é uma bomba; quem pressuriza a rede no dia a dia é o quinto bloco, o conjunto de bombas de incêndio.
- Reserva técnica de incêndio (RTI) — volume exclusivo, dimensionado pelo tipo de sistema e IT estadual
- Rede de tubulação exclusiva — independente da rede de consumo predial
- Hidrantes e mangotinhos em abrigos sinalizados — com mangueiras, esguichos e chaves
- Registro de recalque no passeio — conexão para o caminhão do Corpo de Bombeiros
- Conjunto de bombas de incêndio — principal, reserva e jockey, conforme NBR 16704/NFPA 20
4. O papel da bomba de incêndio no sistema de hidrantes
A NBR 13714 admite sistemas pressurizados por gravidade, quando o reservatório elevado tem altura suficiente para garantir a pressão mínima na saída mais desfavorável. Na prática, isso é raro: a maioria das edificações não tem coluna d’água suficiente, e a pressão precisa vir de um conjunto de bombas dedicado — a bomba principal de incêndio, a bomba reserva e a bomba jockey de pressurização.
O dimensionamento dessa bomba não está na NBR 13714 — está na NBR 16704 e na NFPA 20. A 13714 entrega os dados de entrada: a vazão de projeto (as duas saídas mais desfavoráveis simultâneas do tipo de sistema escolhido) e a pressão mínima exigida nelas.
Com esses dados, soma-se a altura geométrica e as perdas de carga da rede, e seleciona-se uma bomba cuja curva característica atenda ao envelope da NFPA 20 — 100% da vazão a 100% da pressão, 150% da vazão a no mínimo 65% da pressão, shutoff limitado a 140%.
Em edificações que também têm sprinklers (NBR 10897), o conjunto de bombas costuma ser dimensionado para a demanda combinada definida em projeto — e é exatamente por isso que a especificação da bomba de incêndio deve começar pelos dados das normas de demanda (13714 e 10897), nunca pelo catálogo.
A FB Bombas usa a série FBCN como base dos sistemas FBFS e entrega o conjunto completo em skid: principal elétrica, reserva diesel quando exigida, jockey, painel e ensaio de bancada documentado para o AVCB.
5. Manutenção, vistoria e AVCB: o sistema precisa continuar funcionando
A NBR 13714 não termina na instalação: ela exige que o sistema seja mantido operacional ao longo da vida da edificação. Isso significa hidrantes desobstruídos, mangueiras dentro da validade de ensaio, abrigos completos, registro de recalque acessível, RTI no nível e — o ponto mais negligenciado — o conjunto de bombas partindo nos setpoints corretos, com teste periódico documentado.
Na renovação do AVCB, o vistoriador testa o sistema de hidrantes na prática — e a causa mais comum de reprovação ligada a bombas é simples: bomba que não parte automaticamente na queda de pressão, jockey com setpoint errado ou painel em modo manual. Manter contrato de manutenção ativo e registro dos testes é responsabilidade legal do síndico ou do gestor da edificação, com jurisprudência consolidada no Brasil.
6. Erros comuns de especificação em sistemas de hidrantes
Quatro erros se repetem nos projetos que chegam à engenharia de aplicação. Primeiro: dimensionar a bomba pela saída média em vez das duas saídas mais desfavoráveis simultâneas — o sistema passa no papel e falha no hidrante do último pavimento. Segundo: ignorar a IT estadual e classificar o tipo de sistema por conta própria. Terceiro: esquecer a bomba jockey, deixando a principal partir a cada microvazamento.
Quarto: comprar a bomba antes do projeto hidráulico, pelo catálogo — quando o cálculo de perda de carga termina, a bomba comprada não atende ao ponto de operação.
A forma de evitar todos eles é a mesma: começar pela classificação de risco da IT estadual, extrair da NBR 13714 a demanda de projeto, calcular a rede e só então especificar o conjunto de bombas conforme NBR 16704/NFPA 20. A engenharia de aplicação da FB Bombas faz esse caminho completo a partir dos dados da edificação e responde com a especificação do skid em 48-72 horas úteis.



