
Guia de Aplicação — Séries FBE e FBEI
Bomba para resina, tinta e verniz escolhida pela viscosidade na temperatura de bombeamento: como converter cP em SSU, ler a tabela de rotação da FBE, quando considerar a FBEI e como tratar aquecimento, sólidos, materiais e vedação, com os catálogos FBE e FBEI 2026 e o manual MTEC-01/01.
Pontos para a análise
- Envie a ficha da formulação efetivamente bombeada: resina base, endurecedor, tinta, verniz ou pasta pigmentada.
- Registre partículas, viscosidade e temperatura, além dos critérios de cisalhamento e qualidade do produto.
- Na dosagem ou mistura, informe a tolerância exigida para o sistema completo.
- Compatibilidade inclui os agentes de limpeza e o resíduo permitido entre bateladas.
Bomba para resina: o que as séries FBE e FBEI cobrem
O catálogo FBE 2026 (p.3) põe tintas, vernizes, esmaltes, solventes e resinas no card de aplicações químicas da série, e a indústria gráfica entre os outros segmentos. O manual MTEC-01/01 (p.1) descreve a FBE como desenvolvida para fluidos viscosos, com aplicações na indústria química, farmacêutica e têxtil, entre outras. A série vai de 1/8″ a 6″, além do 10″ que o catálogo FBE 2026 lista na tabela de seleção (p.6), e o catálogo dá a faixa de 30 a 100.000 SSU e a pressão de descarga até 22 kgf/cm² (p.3). A FBEI, de engrenagem interna, aparece no catálogo FBEI 2026 como ideal para a transferência de líquidos de alta viscosidade, com limites de 136 m³/h, 14 bar de pressão diferencial e 140.000 cP (p.3 e p.4). São limites de série: cada tamanho tem o seu, e eles não valem ao mesmo tempo. O nome da família química não seleciona a bomba. Identifique o que passa por ela: resina base, endurecedor, tinta acabada, verniz ou pasta pigmentada, com a ficha técnica e a ficha de segurança do produto efetivamente bombeado, incluindo solventes, aditivos e partículas. A viscosidade vem com a temperatura e o método de medição; se o laboratório mediu em mais de uma velocidade de ensaio e os valores diferem, envie todos.
Da viscosidade em cP à rotação da FBE
A ficha da resina costuma trazer a viscosidade dinâmica, em centipoise (cP), e a tabela de rotação da FBE usa SSU, uma medida de viscosidade cinemática. O Hydraulic Institute define a viscosidade cinemática como a viscosidade relativa à densidade do líquido. O catálogo FBE 2026 (p.5) faz a conversão em dois passos: centistokes = centipoise ÷ peso específico (g/cm³) e, acima de 300 SSU, SSU ≈ centistokes × 4,635. Exemplo: uma resina com 5.000 cP na temperatura de bombeamento e peso específico de 1,1 tem cerca de 4.545 cSt, ou 21.068 SSU. Na tabela do catálogo, a linha de 10.000 a 50.000 SSU pede 500 a 300 rpm, com polia ou redutor, e lista a FBE de 1.1/2″ a 6″. O diâmetro sai da vazão pedida nessa rotação, e a potência, da pressão e do rendimento: o catálogo tabela o rendimento por viscosidade e pressão e recomenda uma reserva de potência de 50% a 10% no motor comercial, conforme a potência absorvida. Na bomba de deslocamento positivo, como a de engrenagem, a viscosidade maior reduz o escorregamento e aumenta o rendimento volumétrico, mas as perdas por atrito aumentam a potência absorvida, e a pressão positiva líquida exigida na entrada (NPIPR) também sobe com a viscosidade, segundo o Hydraulic Institute. Por isso a sucção entra na consulta junto com a viscosidade: comprimento e diâmetro da linha, nível do tanque e temperatura do produto.
- 30 a 250 SSU: 1.750 rpm, transmissão direta (FBE 1/8″ a 1″D).
- 250 a 2.500 SSU: 1.150 rpm, direta (FBE 1/8″ a 5″).
- 2.500 a 7.500 SSU: 850 rpm, direta (FBE 1/2″ a 6″).
- 7.500 a 10.000 SSU: 700 a 500 rpm, polia ou redutor (FBE 1.1/2″ a 6″).
- 10.000 a 50.000 SSU: 500 a 300 rpm, polia ou redutor (FBE 1.1/2″ a 6″).
- 50.000 a 100.000 SSU: 300 a 150 rpm, polia ou redutor (FBE 3″ a 6″).
Resina que engrossa no frio: aquecimento da bomba
Quando o produto engrossa muito ou tende a solidificar com a queda de temperatura, é fundamental manter a bomba aquecida durante a operação. Os documentos da FB trazem a câmara de aquecimento, acessório da FBE e da FBEI nos catálogos 2026, que circula o fluido de aquecimento da planta, como o óleo térmico. Na FBE, a variante com câmara (CA) começa na 1.1/2″ (catálogo FBE 2026, p.6 e p.7; MTEC-01/01, Tabela 1), com entrada e saída de 3/8″ BSP na 1.1/2″ e de 1/2″ BSP de 2″ a 4″ (MTEC-01/01, Tabela 17). Na consulta, informe a temperatura de bombeamento, a temperatura mínima que o produto atinge em parada e a viscosidade nas duas.
Baixo cisalhamento e dosagem: o que verificar
O Hydraulic Institute define a viscosidade como a resistência do líquido à tensão de cisalhamento, e a viscosidade absoluta como a tensão dividida pela taxa de cisalhamento. Se a formulação tem restrição de cisalhamento, transforme-a em critério verificável: a propriedade que não pode mudar, como viscosidade, cor ou teor de sólidos, a tolerância e o ensaio feito depois do bombeamento. Os documentos da FB dão as condições de operação, não uma taxa de cisalhamento por modelo. Na FBE, a rotação cai à medida que a viscosidade sobe, de 1.750 rpm até 300 a 150 rpm (catálogo FBE 2026, p.5). A série padrão da FBEI trabalha com redutor em baixa rotação, o que o catálogo associa a maior vida útil, baixo NPSH requerido, maior rendimento e menor ruído (p.4). Para dosar, vale o que o Hydraulic Institute diz sobre o deslocamento positivo: a vazão teórica é proporcional à rotação, e a pressão e a viscosidade alteram a vazão entregue pelo escorregamento interno. O catálogo FBEI fala em vazão constante, mas a proporção de mistura se garante no conjunto de bomba, acionamento, medição e controle. A tolerância exigida entra na consulta e se demonstra nesse conjunto.
Materiais e vedação para resina, tinta e solvente
O catálogo FBE 2026 (p.3) lista carcaça e tampas em ferro fundido ASTM A48 CL30, ferro fundido nodular ASTM A536 60-40-18, aço carbono ASTM A216 WCB ou aço inox ASTM A743 CF8M; eixos e engrenagens em aço SAE 1045 ou inox AISI 316L; buchas em bronze autolubrificante, ferro fundido, PTFE, grafite ou metal patente; e válvula de alívio em latão ou inox AISI 304. A vedação é por gaxeta, selo mecânico ou retentor. No manual MTEC-01/01, o selo padrão é o tipo 21, em cerâmica × grafite × viton, com mola de inox AISI 304 (item 2.5), e o acoplamento magnético é a vedação especial para aplicações em que não pode haver vazamento, com fluidos corrosivos, tóxicos ou explosivos (item 2.7). Na FBEI, o catálogo lista gaxetas e selo mecânico simples, duplo ou cartucho (p.4). O catálogo lista opções construtivas; não aprova cada material para toda resina, solvente ou pigmento. Compare materiais e elastômeros com a composição completa do produto e com o agente de limpeza. Para produto inflamável, inclua a classificação de área e os requisitos dos componentes no projeto: o manual prevê protetor de acoplamento em aço carbono ou em material anti-centelhante e acionamento por motor elétrico ou a combustível. No Brasil, a certificação dos equipamentos elétricos para atmosferas explosivas segue o regulamento Inmetro aplicável. A indicação de inox ou de um tipo de selo, sozinha, não comprova a segurança da instalação.
- Resina base e endurecedor: fichas separadas e proporção de mistura.
- Tinta pigmentada: natureza, tamanho e concentração das partículas.
- Formulação aquosa: aditivos e restrições de contaminação.
- Formulação com solvente: ficha de segurança e classificação de área.
- Produto sensível: critério de aceitação após bombeamento.
- Troca de cor: resíduo permitido e sequência de limpeza.
- Materiais e vedação: compatibilidade também com o agente de limpeza.
Limpeza em circuito, troca de cor e batelada curta
Descreva a sequência de bateladas, o produto de limpeza e o limite de resíduo permitido entre cores. Informe se a limpeza prevista é em circuito ou com acesso ao equipamento e confira a compatibilidade dos materiais. Na FBE, o corpo é fundido em peça única, com pés e bocais opostos a 180° (MTEC-01/01, item 2.1), e o catálogo lista como peças de reposição os eixos motriz e acionado, as engrenagens, os jogos de buchas, as tampas, o aperta-gaxeta e sua porca, o retentor, o selo mecânico e a válvula de alívio (catálogo FBE 2026, p.4). Para fluido com sólidos em suspensão, o manual pede consulta à FB (item 2.3). O catálogo FBEI lista sentido de rotação reversível e válvula de alívio interna (p.3); se o procedimento de limpeza inverte o fluxo, diga isso na consulta. O tempo de limpeza deve ser medido no processo e validado pelo critério de aceitação do produto. Não há tempo universal por série nem redução percentual comprovada neste guia. A facilidade de acesso e a drenagem da instalação devem entrar na comparação das propostas.
FBE ou FBEI para resina
As duas são de deslocamento positivo, com princípios diferentes. Na FBE, duas engrenagens externas de dentes helicoidais, montadas uma sobre a outra, levam o produto pela periferia, entre os dentes e a carcaça, até a descarga, e o próprio engrenamento impede o retorno à sucção (catálogo FBE 2026, p.2; MTEC-01/01, p.1). Na FBEI, o princípio é o da engrenagem dentro da engrenagem, e os dentes formam um selo entre a sucção e a descarga (catálogo FBEI 2026, p.2). Os limites publicados também diferem. A FBE vai de 1/8″ a 6″, além do 10″ que o catálogo FBE 2026 lista na tabela de seleção (p.6), até 100.000 SSU e 22 kgf/cm² de pressão de descarga, com acionamento direto por motor elétrico ou por motor-redutor (p.3 e p.4). A FBEI tem seis tamanhos, de 1.1/2″ (até 6,8 m³/h) a 6″ (até 136 m³/h), até 140.000 cP e 14 bar de pressão diferencial, com a série padrão acionada por redutor; o catálogo a descreve como auto-escorvante (p.3 e p.4). A comparação se faz no mesmo ponto de operação: viscosidade na temperatura de bombeamento, vazão, pressão, sólidos e aquecimento. A proposta confirma a série, o tamanho e o acionamento.
Dados para especificar o conjunto
A análise técnica deve reunir os requisitos do produto e da operação: ficha da formulação, batelada, vazão, pressão, temperatura, viscosidade, limpeza e tolerâncias. Para substituição, acrescente a placa e o desenho da bomba atual. A proposta confirma a execução, acessórios, documentação, adaptações e condições de fornecimento. Há modelos FBE em estoque, e a disponibilidade sai na cotação. Nem a bitola nem o nome da resina comprovam equivalência entre bombas ou garantia de qualidade do produto bombeado.
Referências documentais
- tamanhos da FBE no catálogo 2026, p.6
- 1/8″–10″
- pressão de descarga máxima da série FBE
- 22 kgf/cm²
- tamanhos da FBEI no catálogo 2026
- 1.1/2″–6″
- equipamentos elétricos Ex no Brasil
- Inmetro 115/2022
Valores gerais publicados nos documentos indicados. Confirme modelo, rotação, fluido, materiais e vedação; os máximos não são simultâneos nem garantidos em toda configuração.
Perguntas frequentes
Que bomba usar para resinas, tintas e vernizes?
Uma bomba de engrenagem, que é de deslocamento positivo. O catálogo FBE 2026 lista tintas, vernizes, esmaltes, solventes e resinas entre as aplicações químicas da série, que cobre de 30 a 100.000 SSU. A FBEI, de engrenagem interna, publica viscosidade até 140.000 cP no catálogo FBEI 2026. A escolha sai da viscosidade na temperatura de bombeamento, dos sólidos, da pressão e da vazão, e se confirma na proposta.
Por que baixo cisalhamento é importante para resinas?
Se a formulação tem restrição de cisalhamento, ela precisa virar critério verificável na consulta: a propriedade que não pode mudar, a tolerância e o ensaio depois do bombeamento. Os catálogos não publicam uma taxa de cisalhamento por modelo. Publicam as condições de operação: na FBE, a rotação cai com a viscosidade, até 300 a 150 rpm de 50.000 a 100.000 SSU, e a série padrão da FBEI trabalha com redutor em baixa rotação.
Qual bomba usar para resina viscosa acima de 10.000 SSU?
Pela tabela do catálogo FBE 2026 (p.5), de 10.000 a 50.000 SSU a FBE trabalha a 500–300 rpm, com polia ou redutor, nos diâmetros de 1.1/2″ a 6″; de 50.000 a 100.000 SSU, a 300–150 rpm, de 3″ a 6″. Acima de 100.000 SSU, o produto sai da faixa publicada da FBE; a FBEI publica até 140.000 cP, e a comparação com SSU passa pela densidade. Informe a viscosidade medida na temperatura de bombeamento, a sucção e a pressão.
Qual bomba devo usar para resina epóxi líquida bi-componente?
Avalie separadamente cada componente: composição, viscosidade, temperatura, vazão e pressão. Informe a proporção de mistura e a tolerância exigida. A precisão depende do sistema completo e deve ser comprovada; uma bomba por componente não garante proporção exata por si só.
Bombas de engrenagem degradam o polímero da resina?
A compatibilidade com a formulação precisa ser verificada nas condições propostas. Informe restrições de cisalhamento e os critérios de qualidade após o bombeamento. Os catálogos FBE/FBEI não apresentam uma taxa de cisalhamento universal ou garantia de ausência de alteração em qualquer polímero.
Posso bombear tinta com pigmento sem entupir a bomba?
Tinta pigmentada e dispersão de negro de fumo são fluidos com sólidos em suspensão, e o manual MTEC-01/01 pede consulta à FB nesses casos (item 2.3). Informe tamanho, concentração, natureza e condição de dispersão das partículas. A presença de pigmento não comprova compatibilidade com FBE ou FBEI: admissibilidade, folgas e filtragem se avaliam para a execução, e não há um limite universal de partículas publicado neste guia.
A bomba FBE serve para tinta em base água (látex)?
A formulação precisa ser analisada, incluindo pigmentos, aditivos, viscosidade e agentes de limpeza. Os materiais e a vedação devem atender aos requisitos de compatibilidade e contaminação do produto. O termo base água não determina sozinho inox, elastômero ou modelo.
Como especificar bomba para linha de envase de verniz com solvente inflamável?
Envie a ficha de segurança, condições de processo, classificação de área e requisitos do projeto. A proposta deve identificar materiais, vedação, acionamento e documentos aplicáveis. Certificação do motor não deve ser confundida com certificação universal de toda bomba ou da instalação.
Qual o tempo médio de limpeza entre trocas de cor?
O tempo depende dos produtos, resíduos permitidos, circuito e procedimento validado de limpeza. Defina primeiro o critério de aceitação da próxima batelada e avalie acesso, drenagem e compatibilidade. Não há tempo padrão comprovado por modelo neste guia.
A FBE ou a FBEI assume o serviço de uma bomba de engrenagem em fábrica de tintas?
A substituição pode ser analisada com placa, desenho, interfaces e dados da formulação e do processo. A engenharia compara condições hidráulicas, materiais, vedação, acionamento e requisitos de limpeza. Confirme adaptações e desempenho na proposta, sem presumir equivalência automática.
Como converter a viscosidade da resina de cP para SSU?
Divida os centipoise pelo peso específico, em g/cm³, para ter centistokes e, acima de 300 SSU, multiplique por 4,635 (catálogo FBE 2026, p.5). Uma resina de 8.000 cP com peso específico de 1,2 dá cerca de 6.667 cSt, ou 30.900 SSU: na tabela da FBE, 500 a 300 rpm com polia ou redutor, de 1.1/2″ a 6″. Use a viscosidade na temperatura de bombeamento; a calculadora de viscosidade da FB converte cSt, SSU e cP.
A FB fabrica bomba de engrenagem para polímero?
A FB fabrica bombas de engrenagem externa (FBE) e interna (FBEI), e o catálogo FBE 2026 lista resinas entre as aplicações químicas. Os limites publicados são de até 100.000 SSU e 22 kgf/cm² na FBE e de até 140.000 cP e 14 bar na FBEI, que não valem ao mesmo tempo. Os catálogos FBE e FBEI 2026 não tratam de polímero fundido na saída de extrusora. Para qualquer polímero líquido, envie viscosidade na temperatura, pressão, vazão, sólidos e aquecimento para avaliação.
Como evitar que a resina endureça dentro da bomba?
Mantendo a bomba aquecida quando o produto engrossa ou solidifica com a queda de temperatura. A opção é a câmara de aquecimento, na FBE a partir da 1.1/2″ e na FBEI. Informe a temperatura mínima em parada e a viscosidade nessa temperatura.
Catálogo e manual têm funções diferentes
O catálogo apresenta a linha; o manual contém instruções e tabelas das configurações documentadas. Os limites da execução selecionada devem constar da proposta e da folha de dados.
Fontes e revisão do conteúdo
Conteúdo revisado em .
Documentação e próximos passos
Consulte o documento da linha e os cenários relacionados antes de definir o conjunto.
Vamos avaliar sua aplicação
Informe fluido, vazão, pressão diferencial, temperatura e viscosidade na partida e em operação. Para reposição, inclua placa e dimensões da instalação.


