1. Bomba não escorvada — a causa nº 1
Bombas centrífugas convencionais — incluindo toda a linha FBCN e a FBOT — não são autoescorvantes. Isso significa que o impelidor só transfere energia ao líquido quando a carcaça e o trecho até a válvula de pé estão completamente preenchidos com o fluido. Se houver bolsa de ar dentro da carcaça, o rotor gira no ar e não consegue gerar a depressão necessária para puxar líquido do reservatório de sucção.
A solução é o procedimento de escorva: com a bomba parada, abrir o respiro superior da carcaça e injetar líquido (água limpa ou o próprio fluido de processo, conforme o serviço) até que saia continuamente pelo respiro sem bolhas. Em sucção afogada (bomba abaixo do nível do reservatório), basta abrir a válvula de bloqueio da sucção e o respiro até purgar todo o ar.
Em sucção positiva (bomba acima do nível), é necessário um sistema auxiliar: tanque elevado de escorva com gravidade, bomba de vácuo, ou ejetor.
Sintoma característico de partida sem escorva: o motor parte, atinge rotação nominal, a leitura de corrente fica abaixo do nominal (porque o rotor está movendo apenas ar), e o manômetro de descarga não indica pressão. A bomba pode operar nessa condição por minutos antes de aquecer perigosamente — desligar imediatamente.
2. Entrada de ar na sucção
A linha de sucção opera em pressão negativa (vácuo parcial) sempre que a bomba está acima do nível do reservatório. Qualquer descontinuidade de vedação na sucção — junta de flange ressecada, parafusos frouxos, conexão roscada sem fita ou pasta vedante, gaxeta da válvula de bloqueio mal apertada, trinca em luva de redução — funciona como um furo por onde o ar entra.
O ar dilui o líquido bombeado, reduz a vazão, gera ruído de borbulhamento e, em casos graves, impede totalmente a aspiração.
Para diagnosticar entrada de ar, o teste de campo mais simples é pressurizar a sucção: feche a válvula de pé (ou tampone a entrada da tubulação) e pressurize a linha com 1 a 2 bar de ar comprimido. Aplique solução de água com sabão sobre todas as juntas, conexões e a caixa de gaxetas — bolhas indicam vazamento.
A solução é trocar gaxetas, reapertar parafusos com torque correto, refazer conexões roscadas com Loctite 567 ou fita de PTFE, e substituir luvas trincadas. Em sistemas críticos, especificar todas as conexões da sucção como flangeadas (não roscadas) reduz drasticamente os pontos de falha.
3. Válvula de pé travada ou com vedação comprometida
A válvula de pé é instalada na extremidade inferior da tubulação de sucção, mergulhada no reservatório. Sua função é dupla: filtrar partículas grossas e — sobretudo — manter a coluna de líquido na linha de sucção quando a bomba para, evitando a perda da escorva. Se a válvula trava aberta (objeto preso entre o disco e a sede), a coluna esvazia toda vez que a bomba desliga, e a partida seguinte falha.
Se trava fechada (corrosão, sedimento), a bomba parte mas não consegue puxar o líquido.
Diagnóstico: após escorvar a bomba e parar, espere 10 a 15 minutos com a bomba desligada. Se ao reiniciar a partida exigir nova escorva, a válvula de pé está abrindo e drenando — substitua. Se a partida nunca completa mesmo com escorva fresca, a válvula pode estar travada fechada — desmonte e inspecione. Recomendação FB: sempre instalar válvula de pé em ferro fundido com filtro removível, e em fluidos com sólidos especificar bronze ou inox 304 conforme a química local.
4. NPSHa insuficiente e altura geométrica acima do limite físico
A altura máxima absoluta que qualquer bomba consegue aspirar ao nível do mar é cerca de 10,33 metros — limite imposto pela própria pressão atmosférica que empurra o líquido para dentro da tubulação. Na prática, considerando a pressão de vapor da água, perdas de carga e o NPSHr da bomba, o limite real cai para 6 a 7 metros para água fria, e bem menos para fluidos quentes ou voláteis.
Em altitudes elevadas (Brasília está a 1.170 m, onde a pressão atmosférica cai para ~88 kPa), o limite reduz proporcionalmente.
O parâmetro técnico que materializa esse limite é o NPSH (Net Positive Suction Head). Se o NPSH disponível na instalação (NPSHa) for menor que o NPSH requerido pela bomba (NPSHr no catálogo), a bomba cavita ou simplesmente não estabelece fluxo. A FB Bombas recomenda margem mínima de 0,5 m para FBCN em água e 1,0 m para fluidos quentes ou viscosos.
Solução quando NPSHa é insuficiente: rebaixar a bomba (sucção afogada), aumentar o diâmetro da tubulação de sucção, reduzir o número de curvas e válvulas, resfriar o fluido se possível, ou trocar por um modelo com NPSHr menor.
5. Filtro entupido e sentido de rotação invertido
O filtro de sucção entope progressivamente conforme acumula sedimento, biofilme ou folhas (em captações de água superficial). O efeito é o aumento da perda de carga na sucção, que reduz o NPSHa até o ponto em que a bomba para de aspirar. Sintoma típico: bomba opera normalmente por dias ou semanas, depois apresenta queda gradual de vazão e finalmente deixa de puxar.
Diagnóstico: medir a perda de carga através do filtro com manômetros antes e depois — se acima de 0,3 a 0,5 bar, limpar ou substituir.
O sentido de rotação invertido é uma causa comum após manutenção elétrica: ao trocar o motor ou refazer a fiação do contator, duas das três fases podem inverter, fazendo o motor girar ao contrário. Em uma bomba centrífuga FBCN girando no sentido errado, o impelidor ainda gera certa pressão (cerca de 30% a 40% da nominal), mas a vazão é muito reduzida e há ruído anormal.
Diagnóstico: verificar a flecha indicada na voluta da bomba e comparar com o sentido real de rotação observado pelo lado do acoplamento. Solução: trocar duas fases na régua do motor. Sempre verificar antes do acoplamento — partir uma bomba sem acoplar ao motor é o procedimento padrão de comissionamento exatamente para evitar danos.
6. Rotor desgastado e gaxeta seca aspirando ar
Um rotor desgastado por anos de operação — especialmente em fluidos com sólidos ou pH agressivo — perde diâmetro efetivo nas bordas das pás e nos anéis de desgaste. O resultado é queda progressiva de pressão e vazão até o ponto em que a bomba não vence as perdas de carga da instalação e parece "não puxar". Diagnóstico: comparar a curva de operação atual (medir Q e H em ponto conhecido) com a curva de catálogo.
Se a vazão estiver abaixo de 70% do esperado, o rotor está desgastado. Solução: substituir o rotor (peça de reposição padrão FB Bombas para todas as séries) e os anéis de desgaste, e investigar a causa raiz (abrasão, corrosão, cavitação prévia).
A gaxeta seca é uma causa frequentemente esquecida de entrada de ar. Em bombas com gaxeta tradicional (não selo mecânico), a vedação depende de pequeno gotejamento de líquido para lubrificação. Se a gaxeta foi apertada além do recomendado, ou se a bomba ficou parada por muito tempo permitindo ressecamento, a caixa de gaxetas aspira ar pela própria zona que deveria vedar — o efeito sobre a sucção é idêntico ao de um furo na linha.
Solução: afrouxar a porca da sobreposta para liberar gotejamento controlado de 30 a 60 gotas por minuto, ou planejar conversão para selo mecânico simples (recomendação FB para a maioria das aplicações modernas).
7. Procedimento correto de partida — referência FB Bombas
Para evitar todas as nove causas acima na partida inicial e nas partidas subsequentes, a FB Bombas estabelece o seguinte procedimento padrão para FBCN e FBOT: (1) verificar alinhamento bomba-motor com relógio comparador antes do acoplamento — desalinhamento causa vibração e desgaste de mancais; (2) verificar sentido de rotação do motor desacoplado — observar a flecha na voluta; (3) acoplar bomba e motor, verificar folga axial do acoplamento; (4) escorvar a bomba — abrir respiro superior, encher carcaça e linha de sucção, fechar respiro quando sair líquido sem bolhas; (5) abrir totalmente a válvula de sucção; (6) fechar totalmente a válvula de descarga; (7) partir o motor; (8) abrir gradualmente a válvula de descarga até o ponto de operação especificado; (9) verificar pressão de descarga, corrente do motor, temperatura dos mancais e ausência de vibração anormal.
Se após o procedimento completo a bomba ainda não estabelece fluxo, a engenharia de aplicação FB Bombas pode auxiliar no diagnóstico remoto via telemetria de partida (corrente, pressão, vazão) ou visita técnica. Contato: comercial@fbbombas.com.br ou WhatsApp +55 11 97287-4837.



