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Vibração em Bombas Centrífugas: Limites ISO 10816-7, Causas e Pontos de Medição

Guia técnico de manutenção sobre medição e interpretação da vibração em bombas centrífugas conforme ISO 10816-7 (bombas rotodinâmicas): zonas A/B/C/D de severidade, valores RMS de velocidade em mm/s, principais causas de vibração elevada, pontos de medição corretos e thresholds de ação — alinhado ao balanceamento ISO 21940 G2.5 das Séries FBCN, FBOT e FBEI da FB Bombas.

Manutenção
Publicado em 8 de maio de 202610 min de leitura·Equipe de Engenharia FB Bombas

Em resumo

  • A norma ISO 10816-7 classifica a vibração de bombas rotodinâmicas em quatro zonas de severidade (A, B, C e D) pela velocidade RMS em mm/s.

  • A zona A indica bomba em excelência mecânica (≤ 2,5 mm/s), enquanto a zona D exige parada imediata para diagnóstico do equipamento.

  • O desbalanceamento residual do rotor é a causa de vibração que se corrige rebalanceando o rotor conforme o grau ISO 21940 G2.5.

  • A FB Bombas entrega as 53 bombas FBCN com rotor balanceado em ISO 21940 G2.5 e registra o baseline de vibração de fábrica para comparar com a manutenção preditiva em campo.

Resposta direta

A ISO 10816-7 classifica a vibração de bombas rotodinâmicas em quatro zonas — A (máquina nova), B (operação contínua aceitável), C (insatisfatória, corrigir em manutenção próxima) e D (não aceitável) — medida como velocidade RMS em mm/s nos mancais DE e NDE e na direção axial. Causas mais comuns: desbalanceamento, desalinhamento, cavitação e operação fora do POR. As bombas FB saem de fábrica balanceadas conforme ISO 21940 G2.5.

1. ISO 10816-7 — norma específica para bombas rotodinâmicas

A série de normas ISO 10816 trata da avaliação de vibração mecânica em máquinas pela medição em partes não rotativas. A parte 7 (ISO 10816-7) é dedicada especificamente a bombas rotodinâmicas — categoria que inclui bombas centrífugas radiais (FBCN, FBOT), bombas de fluxo misto e axial. A norma estabelece os procedimentos de medição, os pontos de transdutor padronizados e os limites de vibração para classificar o estado mecânico da máquina em operação.

A grandeza padronizada de monitoramento é a velocidade RMS de vibração em mm/s — escolhida porque a velocidade é proporcional à energia cinética da vibração e correlaciona melhor com dano de fadiga em mancais e selos do que aceleração ou deslocamento isoladamente. A norma define duas categorias de bomba (Categoria I para bombas estacionárias horizontais com potência ≥ 200 kW; Categoria II para bombas menores ou verticais) e quatro zonas de severidade.

2. Zonas de severidade A, B, C e D

A zona A representa máquinas em estado mecânico de excelência — tipicamente o que se espera de uma bomba nova após FAT (Factory Acceptance Test) ou de uma bomba em manutenção bem feita. A zona B representa o limite superior de operação contínua aceitável — não há urgência de intervenção, mas a tendência deve ser monitorada.

A zona C indica condição mecânica insatisfatória — operação contínua é tolerável apenas até a próxima parada planejada de manutenção; a causa deve ser investigada. A zona D é a faixa de risco — o equipamento pode falhar a qualquer momento, e a parada para diagnóstico é mandatória.

ZonaCategoria I (bombas grandes)Categoria II (bombas menores)Interpretação
A≤ 2,5 mm/s≤ 3,5 mm/sExcelente — bomba nova ou recém-revisada
B≤ 4,0 mm/s≤ 5,0 mm/sAceitável para operação contínua
C≤ 6,6 mm/s≤ 8,3 mm/sInsatisfatório — investigar e corrigir em manutenção próxima
D> 6,6 mm/s> 8,3 mm/sNão aceitável — parada para diagnóstico
Limites de velocidade RMS de vibração conforme ISO 10816-7 — bombas rotodinâmicas em mancais

3. Pontos de medição padronizados — DE, NDE e axial

A medição segue uma convenção universal em três posições principais por mancal: vertical, horizontal e axial. Os mancais são identificados como DE (Drive-End, lado do acionamento — onde está acoplado o motor) e NDE (Non-Drive-End, lado oposto — onde fica o rotor próximo da carcaça). Em uma bomba FBCN típica, isso resulta em até seis posições de medição: DE-V, DE-H, DE-A, NDE-V, NDE-H, NDE-A.

O valor de severidade que se compara à tabela ISO 10816-7 é o maior valor RMS observado entre todas as posições — a bomba é classificada pela pior posição, não pela média.

A interpretação direcional do espectro fornece a primeira pista de causa: vibração predominantemente radial (vertical + horizontal) com pico na rotação (1×) sugere desbalanceamento; vibração com pico em 2× sugere desalinhamento; vibração axial elevada sugere desalinhamento angular ou empuxo axial irregular; banda larga em alta frequência sugere cavitação ou desgaste de rolamento. Esta análise é feita com instrumentos de FFT (Fast Fourier Transform) — analisadores de vibração modernos.

4. Sete causas mais frequentes de vibração elevada

A engenharia de manutenção de bombas industriais classifica as causas de vibração em sete grupos recorrentes, cada um com assinatura espectral distinta:

  • Desbalanceamento residual do rotor — pico dominante em 1× rotação, predominantemente radial. Originário de erosão por cavitação, depósitos sólidos no rotor ou perda de material após manutenção mal executada. Solução: rebalancear conforme ISO 21940 G2.5 (grade de qualidade adotado pela FB Bombas em todos os rotores).
  • Desalinhamento bomba-motor — pico em 2× rotação e vibração axial elevada. Causa frequente após troca de motor, manutenção do acoplamento ou movimento da fundação. Solução: alinhamento a laser com tolerância apropriada (paralelo ≤ 0,05 mm; angular ≤ 0,05 mm/100 mm).
  • Cavitação — banda larga em alta frequência (acima de 1 kHz), ruído característico de "brita". Causada por NPSHa insuficiente ou operação fora da faixa preferencial. Solução: revisar a linha de sucção, verificar NPSH e ajustar ponto de operação para POR (70-120% BEP).
  • Recirculação interna por operação fora do POR — vibração baixa frequência (sub-síncrona) e flutuação de pressão. Frequente em bombas operando muito abaixo do BEP (vazão < 50%). Solução: instalar válvula de recirculação mínima ou redimensionar a bomba.
  • Folga ou desgaste de mancal — picos em frequências características do rolamento (BPFI, BPFO, BSF, FTF) e crescimento progressivo de aceleração. Solução: substituição do rolamento; investigar contaminação, lubrificação ou empuxo axial irregular.
  • Ressonância da fundação ou estrutura — pico em frequência natural da estrutura, amplitude muito sensível a pequenas variações de rotação. Solução: rigidificar fundação, alterar massa do conjunto ou modificar rotação operacional para fora da frequência natural.
  • Estresse de tubulação (pipe strain) — vibração que cresce após aperto da tubulação, frequentemente assimétrica. Causada por tubulação que força a bomba para fora do alinhamento. Solução: soltar todos os flanges, verificar planicidade dos espelhos e reapertar com a tubulação suportada por seus próprios suportes.

5. Baseline de fábrica — bancada hidráulica e ISO 21940 G2.5

Toda bomba das Séries FBCN, FBOT e FBEI sai da fábrica da FB Bombas em Cabreúva-SP com dois requisitos mínimos de qualidade que determinam o "baseline" de vibração: (1) balanceamento dinâmico do rotor conforme ISO 21940 grade G2.5 — garantindo que o desbalanceamento residual seja proporcional à massa rotativa em níveis adequados a operação contínua; (2) teste hidráulico em bancada própria, onde curva característica e ponto de operação são validados.

Em bombas FBCN, o teste de bancada inclui medição de vibração em mancais como verificação adicional de qualidade.

Esse baseline de fábrica é a referência para diagnóstico de regressão em campo: se uma bomba que entregou zona A na FAT começa a apresentar zona B/C alguns meses depois, o foco do diagnóstico é encontrar o que mudou na instalação ou no equipamento (pipe strain, desalinhamento, cavitação iniciada por mudança de processo, deterioração de rolamento). Pedir o relatório de FAT da FB Bombas durante a aquisição é uma boa prática de manutenção preditiva.

6. Programa de monitoramento de rotina

Em plantas industriais com bombas críticas, recomenda-se rotina de medição de vibração baseada em ISO 10816-7: medição mensal em bombas em operação contínua dentro do POR; medição quinzenal em bombas operando próximas aos limites do AOR; medição semanal em bombas que apresentaram zona C em medição anterior. Para cada bomba, registrar histograma temporal das medições — uma tendência ascendente é mais informativa do que um valor isolado, mesmo que o valor absoluto ainda esteja em zona B.

Quando a engenharia de manutenção identifica padrão sugestivo de problema interno (não atribuível à instalação), o suporte técnico da FB Bombas pode revisar o relatório espectral, comparar com o baseline de FAT e indicar componentes a inspecionar — encurtando significativamente o tempo de diagnóstico e a probabilidade de troca de peças desnecessárias.

Linhas FB aplicadas neste artigo

Série FBCNSérie FBOTSérie FBEI

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