1. A metodologia: medir antes de intervir
A primeira ação ao diagnosticar uma bomba que perdeu pressão não é abrir a bomba — é medir. Sem o ponto de operação atual (Q × H) plotado sobre a curva de catálogo, qualquer intervenção é palpite. A medição exige três instrumentos: manômetro na sucção (com escala adequada à pressão esperada, normalmente -1 a +3 bar), manômetro na descarga (escala 0 a 10/16/25 bar conforme a aplicação), e um medidor de vazão.
Em sistemas sem medidor permanente, a vazão pode ser estimada por método volumétrico (cronometrar enchimento de reservatório de volume conhecido) ou ultrassônico portátil aplicado externamente à tubulação.
Com Q e H medidos, plote o ponto sobre a curva de catálogo da bomba.
Três cenários possíveis: (A) ponto exatamente sobre a curva original — a bomba está mecanicamente íntegra, e a queda de pressão sentida pelo processo vem de mudança no sistema (mais perda de carga a jusante, ou demanda de vazão diferente); (B) ponto deslocado para a esquerda da curva (mesma vazão, altura menor) — desgaste interno; (C) ponto deslocado para baixo (menor vazão e menor altura) — combinação de desgaste com cavitação ou viscosidade alterada.
Cada cenário tem direcionamento de diagnóstico distinto.
2. Desgaste do rotor e folgas excessivas nos anéis
O desgaste progressivo do rotor é a causa mais comum de queda gradual de pressão em bombas centrífugas FBCN com vários anos de operação. A erosão acontece principalmente nas bordas externas das pás (zona de maior velocidade) e nos cubos próximos ao olho do rotor.
Em fluidos com sólidos abrasivos ou pH agressivo, o desgaste pode reduzir o diâmetro efetivo do rotor em 5% a 15%, e cada 1% de redução de diâmetro corresponde a ~2% de redução na altura manométrica (lei de afinidade aplicada ao corte do rotor).
Os anéis de desgaste — peças de sacrifício instaladas entre o rotor e a carcaça em todas as FBCN — são projetados exatamente para concentrar o desgaste em componentes de troca rápida e barata, preservando rotor e carcaça. Quando a folga radial entre o anel do rotor e o anel da carcaça aumenta de ~0,3 mm (novo) para acima de 0,8 mm (desgastado), a recirculação interna entre descarga e sucção cresce exponencialmente.
O efeito é igual ao de um bypass interno: parte do líquido recircula sem sair pela descarga, reduzindo vazão útil e altura. Solução: substituir os anéis de desgaste — operação de manutenção planejada que recupera ~95% da performance original sem necessidade de trocar rotor ou carcaça.
3. Cavitação parcial recorrente
A cavitação não é apenas um fenômeno catastrófico — ela ocorre frequentemente em forma parcial e crônica, especialmente em instalações onde o NPSHa está marginalmente acima do NPSHr (margem inferior a 0,5 m). Nessa condição, bolhas de vapor se formam intermitentemente na entrada do rotor, colapsam, e geram tanto desgaste localizado (pitting na face de sucção das pás) quanto perda de eficiência hidráulica.
Sintomas de cavitação parcial: ruído intermitente (não constante como na cavitação plena), queda de altura manométrica entre 5% e 15% em relação à curva, vibração levemente acima da norma ISO 10816 nas baixas frequências, e desgaste característico em formato de cratera nas pás após meses de operação. Diagnóstico: verificar histórico de mudanças na instalação (temperatura do fluido aumentou? altura geométrica de sucção mudou? filtro novo com mais perda de carga?).
Solução: recalcular NPSHa atual, comparar com NPSHr da bomba e identificar o ofensor — frequentemente é o filtro ou a tubulação, não a bomba.
4. Bypass externo, ar na sucção e filtro entupido
Um bypass aberto na linha de descarga é causa frequentemente esquecida — especialmente em sistemas com retorno para o tanque de sucção (recirculação para controle de vazão ou aquecimento). Se a válvula do bypass está parcialmente aberta sem que a operação tenha sido informada, parte do líquido bombeado retorna ao tanque sem chegar ao processo.
Diagnóstico: medir a vazão na linha principal e na linha de bypass com vazonômetro ultrassônico — se a soma é igual à vazão da bomba na curva, o bypass é o problema.
Entrada de ar na sucção é causa que se manifesta como queda intermitente de pressão acompanhada de oscilação no manômetro de descarga. A bomba ainda gera pressão, mas o ar diluído no líquido reduz a densidade efetiva e a transferência de energia do impelidor.
Filtro entupido a jusante (na linha de descarga) ou entupimento parcial em trocadores de calor, válvulas de controle ou bicos de processo aumentam a perda de carga do sistema sem que a bomba esteja com problema — a bomba simplesmente está operando em ponto de menor vazão e maior pressão sobre a curva. Sintoma característico: pressão de descarga subiu, mas a vazão de processo caiu — o oposto do que parece "perda de pressão", e diagnosticável apenas com medição completa.
5. Viscosidade alterada e queda de rotação do motor
Em bombas centrífugas, o aumento de viscosidade do fluido reduz drasticamente a altura manométrica entregue. Uma FBCN dimensionada para água (1 cP) operando com fluido de 50 cP entrega ~80% da altura nominal; com 200 cP, ~50%; com 500 cP, ~25%. A regra das curvas de correção viscosa do Hydraulic Institute é o método padrão.
Em bombas de engrenagem FBE, o efeito é diferente: o aumento de viscosidade aumenta a altura entregue por melhor vedação interna entre dentes — mas reduz a vazão se a rotação não for ajustada para permitir preenchimento completo das câmaras (referência: tabela de RPM × SSU do manual MTEC-01/01).
A queda de rotação do motor é causa elétrica que se manifesta como perda de pressão proporcional ao quadrado da rotação (lei de afinidade: H₂/H₁ = (n₂/n₁)²). Causas: queda de tensão na rede, motor com rolamento desgastado patinando, escorregamento aumentado em motor de indução com 10+ anos de operação, ou simplesmente motor especificado abaixo da rotação correta na troca por similar. Diagnóstico: medir a rotação real com tacômetro óptico no eixo.
Uma diferença de 60 rpm em motor 4-polos (1.760 vs 1.700 rpm) corresponde a ~7% de queda de altura — perceptível e frequentemente atribuído erroneamente a desgaste interno.
6. Árvore de decisão FB Bombas
Após medir Q × H e plotar sobre a curva, siga esta árvore para chegar à causa raiz: se a vazão caiu e a pressão também caiu, comparar com curva — se ponto está sobre a curva mas deslocado para baixo-direita, a bomba está saudável e o sistema mudou; se ponto está abaixo da curva, é desgaste interno (rotor + anéis).
Se apenas a pressão caiu mantendo a vazão, é cavitação parcial ou viscosidade aumentada — verificar NPSHa e propriedades do fluido. Se a queda é intermitente e oscilante, é entrada de ar — pressurizar a sucção e verificar com solução de sabão. Se a queda surgiu de repente após manutenção elétrica, é rotação inadequada — medir RPM com tacômetro.
Se a queda surgiu após mudança em outra parte do sistema, é bypass aberto ou nova restrição na linha — auditar todas as válvulas.
A FB Bombas mantém engenharia de aplicação disponível para auxílio em diagnóstico de campo: medições remotas via fotos de manômetros, planilha de cálculo Q × H em comparação com a curva original do modelo, e visita técnica quando necessário. Contato: comercial@fbbombas.com.br ou WhatsApp +55 11 97287-4837.



