Meça vazão, pressões de sucção e descarga, rotação e temperatura do fluido. Calcule a altura e compare com a curva da mesma execução e condição de ensaio. Um ponto abaixo da curva pode envolver desgaste, ar, cavitação, propriedades do fluido, rotação ou erro de medição; não identifica sozinho a causa. Verifique também alterações de válvulas, bypass e perdas do sistema antes de definir uma intervenção.
Em resumo
- Queda de pressão é sintoma, não causa: o diagnóstico começa medindo o ponto Q×H e sobrepondo à curva de catálogo.
- Na Tabela 7 do manual de serviço da FBME, altura insuficiente tem oito causas, e seis se conferem sem desmontar a bomba.
- Folgas e critérios de reparo dependem da execução, sem recuperação percentual garantida.
- Confirme fluido, rotação e diâmetro do rotor antes de comparar o ponto com a curva; a da FBCN vale para água limpa a 20 °C.
- Na bomba de engrenagem, a vazão entregue é a teórica menos o slip, que diminui quando a viscosidade sobe.
1. A metodologia: medir antes de intervir
Registre pressões nos pontos de sucção e descarga, vazão, rotação, temperatura e estado das válvulas. Os instrumentos precisam ter faixa, precisão, instalação e compatibilidade adequadas. Quando houver estimativa de vazão, declare o método e sua incerteza; não compare uma estimativa sem contexto com a curva como se fosse ensaio de aceitação.
Confira qual curva corresponde ao rotor ou engrenagens, rotação e fluido da execução. Deslocamentos do ponto orientam hipóteses, não conclusões automáticas. Em uma centrífuga, redução de rotação ou alteração de viscosidade muda a referência de desempenho; em engrenagens, analise vazão real, pressão diferencial, slip e alimentação.
Nas folhas de curva da FBCN, o cabeçalho informa que os valores são para água limpa a 20 °C, e cada folha traz uma família de diâmetros de rotor. Na folha CC-124.07, da FBCN 65-315 a 1.750 rpm, os rotores vão de 271 a 320 mm, e em todas as curvas a altura sobe quando a vazão diminui. Confirme o diâmetro instalado antes de ler o ponto: comparar com o diâmetro errado cria uma perda que não existe.
H = (Pd − Ps)/(ρg) + (Vd² − Vs²)/(2g) + Zd − Zs. Use pressão em Pa, densidade em kg/m³, velocidades em m/s e cotas em m. Só despreze termos de velocidade e elevação quando a geometria dos pontos de medição justificar.
2. Desgaste do rotor e folgas excessivas nos anéis
Desgaste ou dano do rotor pode alterar a curva, mas sua extensão precisa de inspeção e medição. As leis aproximadas de corte de rotor não descrevem erosão irregular de pás e canais. Registre a geometria encontrada e compare com a referência do fabricante, incluindo a causa provável do dano.
Folgas em anéis e superfícies internas influenciam recirculação e desempenho. Identifique os componentes existentes na execução e seus limites dimensionais. Não há uma folga única de 0,8 mm nem recuperação garantida de 95% para toda FBCN. Após reparo, confirme o critério e o escopo de verificação de desempenho acordados.
Os manuais dizem onde ficam os anéis. Na FBCN, a carcaça tem anel de desgaste do lado da sucção, e o rotor tem anel de desgaste no lado pressão, exceto nos tamanhos 25-150, 32-125 e 32-125.1 (MTEC-03/00, itens 2.1 e 2.2, p.7). A lista de peças da FBOT traz anel de desgaste do corpo e do rotor (peças 502 e 503; MTEC-16/00, p.8).
No manual de serviço da FBME, anéis gastos são causa de vazão insuficiente, e a solução é trocá-los (item 29, p.22). O guia do Departamento de Energia dos EUA feito com o Hydraulic Institute cita folga excessiva nos anéis de desgaste entre as causas de operação ineficiente (p.14) e põe anéis de desgaste e rotores entre os itens de reparo que costumam ser trocados com regularidade (p.34).
3. Cavitação parcial recorrente
Avalie a sucção com pressão absoluta, nível, temperatura e perdas atuais. Quando a curva informa NPSH3, ela usa um critério de queda de altura em ensaio e não representa ausência de cavitação. A margem necessária depende da aplicação e deve ser definida com a referência técnica e o fabricante.
Ruído, vibração e perda de desempenho podem acompanhar cavitação, mas também outras anomalias. Compare mudanças de temperatura, nível, filtro e tubulação com o histórico. O diagnóstico não deve depender de uma porcentagem fixa de perda de altura nem de uma frequência isolada.
No manual de serviço da FBME, a sucção reúne várias causas de vazão insuficiente: altura de sucção muito elevada (item 3: verificar o NPSH e alterar a altura de sucção), NPSH insuficiente (item 4: diminuir a altura de sucção), válvula de pé subdimensionada ou obstruída (itens 9 e 10) e submergência insuficiente da tubulação de sucção (item 11). Nenhuma delas exige abrir a bomba.
Quando a curva informa o NPSH3, ele é o NPSH em que o ensaio registra queda de 3% na altura, segundo o Hydraulic Institute. Com a sucção nesse ponto, a bomba já entrega menos altura que a curva, mesmo sem desgaste.
4. Bypass externo, ar na sucção e filtro entupido
Confira a função e a posição do bypass no projeto. Compare a vazão total da bomba com a que chega ao processo e a que retorna. Um retorno pode ser intencional para controle ou proteção; sua presença não prova defeito, e sua regulagem deve respeitar a vazão mínima e o procedimento da instalação.
O manual de serviço da FBME separa as entradas de ar e gás: ar ou gases em excesso no fluido e bolsas de ar na linha de sucção (itens 5 e 6: alterar o posicionamento da tubulação e, se necessário, instalar tubulação de vent), tubulação de sucção mal vedada (item 7) e entrada de ar pelas gaxetas (item 8).
Para a entrada pelas gaxetas, o manual indica apertar o aperta-gaxetas, trocar as gaxetas ou desentupir o canal de lubrificação da selagem. Na Tabela 7, ar ou gases em excesso é causa tanto de vazão quanto de altura insuficiente, e a oscilação de pressão sozinha não separa essa causa das outras.
Obstrução depois da bomba é outro caso. Segundo o Hydraulic Institute, o sistema opera onde a curva da bomba cruza a curva do sistema, e fechar uma válvula acrescenta resistência em toda a faixa de vazão; qualquer componente que obstrui o escoamento soma perda. Numa centrífuga, filtro, trocador, válvula de controle ou bico parcialmente obstruído deslocam o ponto para a esquerda na curva: menos vazão e mais altura.
Por isso, pressão de descarga que subiu com vazão de processo que caiu é o oposto de uma perda de pressão da bomba e aponta primeiro para o sistema. Só a medição completa, com vazão e pressões nos dois lados, separa os dois casos.
5. Viscosidade alterada e queda de rotação do motor
Em centrífugas, a correção para viscosidade depende de vazão, altura, rotação e propriedades do fluido; não existe uma redução fixa de altura para 50, 200 ou 500 cP. Em engrenagens, viscosidade influencia slip, atrito e enchimento. Use dados de desempenho e condições de entrada da execução para avaliar a alteração.
O Hydraulic Institute descreve o efeito na centrífuga: com líquido viscoso, altura e vazão caem e a potência sobe em relação ao ensaio com água, e a correção segue a ANSI/HI 9.6.7. No manual de serviço da FBME, viscosidade diferente da prevista é causa de altura insuficiente, e a solução é ajustar a bomba ao ponto compatível com o fluido ou trocar o diâmetro do rotor (item 20, p.22).
Na engrenagem, a vazão teórica é proporcional à rotação, e a diferença para a vazão entregue é o slip, que depende da viscosidade e da pressão (Hydraulic Institute). Como viscosidade mais alta reduz o slip, fluido menos viscoso que o previsto tende a aumentá-lo e a reduzir a vazão entregue.
Na FBE, a rotação recomendada cai com a viscosidade, de 1.750 rpm entre 30 e 250 SSU até 300 a 150 rpm entre 50.000 e 100.000 SSU (catálogo FBE 2026, p.5). Compare a rotação medida e a viscosidade na temperatura de bombeamento com as da seleção antes de suspeitar de desgaste.
Meça a rotação e confira acionamento e transmissão. Para pontos homólogos de uma centrífuga em condições de similaridade, a altura varia aproximadamente com o quadrado da rotação; o ponto do sistema ainda depende de sua curva. Não atribua queda de velocidade apenas à idade do motor ou use a aproximação para diagnosticar uma falha elétrica.
6. Árvore de decisão FB Bombas
Organize as hipóteses pela evidência: valide instrumentos e dados da execução; confira rotação e fluido; examine mudanças do sistema; avalie sucção e, quando indicado, condição mecânica. Queda intermitente não prova entrada de ar, assim como ponto abaixo da curva não prova desgaste. Ensaios de estanqueidade ou pressão exigem procedimento específico e limites dos componentes.
A tabela reproduz, do manual de serviço da FBME, as oito causas de altura manométrica insuficiente e a solução indicada para cada uma. Seis se conferem com a bomba montada: ar, rotação, sentido de rotação, altura requerida, viscosidade e operação em paralelo. Rotor e juntas pedem desmontagem. O item 31 é próprio da construção multiestágio; a FBCN, de um estágio, como indicam as suas folhas de curva, não tem juntas entre estágios.
| Item | Causa | Solução indicada no manual |
|---|---|---|
| 5 | Ar ou gases em excesso no fluido | Alterar o posicionamento da tubulação; se necessário, instalar tubulação de vent |
| 14 | Rotação muito baixa | Aumentar a rotação |
| 16 | Sentido de rotação errado | Inverter uma das fases do cabo do motor |
| 17 | Altura requerida pela instalação maior que a da bomba | Colocar um rotor de diâmetro maior |
| 20 | Viscosidade do fluido diferente da prevista | Ajustar a bomba ao ponto compatível com o fluido ou colocar rotor de diâmetro maior ou menor |
| 22 | Bomba não apropriada para trabalhar em paralelo | Adequar o layout das tubulações |
| 30 | Rotor danificado | Trocar o rotor e seus acessórios |
| 31 | Juntas dos corpos de pressão, sucção e estágio com defeito, permitindo vazamentos internos | Trocar as juntas |
Envie identificação do conjunto, curva de referência e medições com condições de operação para a engenharia FB Bombas. Confirme o escopo de suporte e de eventuais ensaios na consulta: comercial@fbbombas.com.br ou WhatsApp +55 11 97287-4837.


