1. Visão geral: por que a usina precisa de múltiplas tecnologias de bomba
O processo sucroalcooleiro abrange fluidos com propriedades radicalmente diferentes. Caldo de cana é leve e aquoso. Melaço é denso e pegajoso. Óleo térmico opera acima de 300°C. Vinhaça é corrosiva e abrasiva. Nenhuma tecnologia de bomba única cobre todos esses requisitos com eficiência.
A FB Bombas atende o setor sucroalcooleiro com múltiplas tecnologias: engrenagem para viscosos, centrífuga para leves e FBOT para térmico. Isso permite que a usina padronize o fornecedor de bombas, com peças de reposição de uma única fábrica e suporte técnico unificado.
2. Melaço e mel final — Série FBE (engrenagem)
Melaço e mel final são os fluidos mais viscosos da usina. A viscosidade pode ultrapassar 50.000 SSU dependendo da temperatura e do teor de sólidos. A bomba de engrenagem externa FBE é a tecnologia correta para essa aplicação.
- Viscosidade típica: 10.000 a 50.000 SSU (conforme temperatura e Brix)
- Rotação recomendada: 300 a 850 rpm (Tabela 2 do manual FBE — faixa 2.500 a 50.000 SSU)
- Transmissão: polia ou redutor (acionamento direto apenas até 2.500 SSU)
- Modelos típicos: FBE 1.1/2" a 6" (conforme vazão requerida)
- Material: ferro fundido ASTM A48 CL30 (padrão) ou aço inox para contato alimentício
3. Caldo de cana, vinhaça e água de processo — Série FBCN (centrífuga)
O caldo de cana, a vinhaça e a água de embebição são fluidos de baixa viscosidade que exigem bombas com alta vazão e eficiência energética. A série FBCN atende essas demandas com construção back-pull-out e conformidade ASME B73.1.
- Caldo de cana: FBCN em aço inox 316 para higiene. Vazão conforme porte da moenda
- Vinhaça: FBCN em aço inox 316L — fluido altamente corrosivo (pH 3,5 a 5,0) com sólidos em suspensão. Selo tipo S3 (flushing) recomendado
- Água de embebição e lavagem: FBCN em ferro fundido (padrão). Vazões até 2.200 m³/h nos modelos maiores
- Manutenção: design back-pull-out permite retirar o conjunto rotativo sem desconectar tubulação — ideal para paradas de entressafra
4. Óleo térmico em evaporadores e cozedores — Série FBOT
Evaporadores de múltiplo efeito e cozedores a vácuo exigem aquecimento preciso e contínuo. O óleo térmico é o fluido de aquecimento mais comum nessas etapas. A série FBOT é a bomba centrífuga específica da FB Bombas para essa aplicação.
- Temperatura de operação: tipicamente 280°C a 320°C (máximo FBOT: 350°C)
- Vedação dupla: gaxeta de grafite (primeiro estágio) + selo mecânico submerso em óleo (segundo estágio)
- Pressão máxima: ~12 bar a 300°C (curva pressão × temperatura do manual FBOT)
- Construção back-pull-out — mesma vantagem de manutenção da FBCN
5. Combate a incêndio na usina
Usinas sucroalcooleiras operam com bagaço (combustível sólido), etanol (inflamável) e temperaturas elevadas em caldeiras e destilarias. O sistema de combate a incêndio é obrigatório. A FB Bombas fornece sistemas completos conforme NFPA 20 e NBR 16704.
- Bomba principal (elétrica) + bomba reserva (diesel) + bomba jockey (pressurização)
- Skid completo pré-montado com painel de controle automático
- Conformidade NFPA 20 (internacional) e NBR 16704 (ABNT)
6. Por que caldo e vinhaça castigam bombas comuns
O caldo de cana não é água açucarada — ele carrega bagacilho fibroso e areia que vem da lavoura com a cana. Essa fração abrasiva trabalha como lixa contínua sobre rotor e voluta, e é a razão de usinas especificarem folgas e materiais pensados para desgaste, além de revisarem internos no fim de cada safra.
A vinhaça soma agressões: sai da destilação quente (tipicamente 85 a 95 °C) e com pH ácido, na faixa de 3,5 a 5 — combinação que acelera corrosão em ferro fundido comum e degrada elastômeros de vedação não especificados para o serviço.
No outro extremo do processo, o melaço pune o erro oposto: bombeá-lo rápido. Acima da rotação adequada, o fluido viscoso não preenche as câmaras entre dentes a tempo, a bomba cavita por enchimento incompleto e a vazão real despenca. É por isso que a FBE para mel final roda entre 300 e 850 rpm — e por isso a pergunta correta na especificação nunca é só "qual a vazão?", mas "qual fluido, em qual temperatura, com quantos sólidos?".
7. Safra e entressafra: o calendário que dita a manutenção
A usina opera em regime que quase nenhum outro setor industrial conhece: meses de operação contínua 24/7 durante a safra, seguidos de uma parada longa de entressafra. Para o parque de bombas, isso cria dois momentos críticos. Na parada, equipamento drenado e mal preservado sofre corrosão interna e ressecamento de vedações — a preservação correta inclui drenagem completa, proteção das superfícies internas e giro periódico dos eixos.
Na partida de safra, todas as bombas precisam voltar juntas, e qualquer reparo esquecido vira gargalo com a moenda já recebendo cana.
A entressafra é também a única janela real de manutenção pesada — e ela é curta para o tamanho da lista. É aqui que o fornecedor nacional pesa no resultado: peças de reposição com semanas de prazo, e não meses de importação, definem se a revisão de dezenas de bombas cabe ou não na janela. Usinas que mapeiam o parque por criticidade e fecham o pacote de sobressalentes antes da parada entram na safra seguinte sem improviso.
8. Resumo: qual bomba FB em cada etapa da usina
Referência rápida para especificadores e engenheiros de projeto:
| Etapa / Fluido | Série FB | Por quê |
|---|---|---|
| Transferência de melaço e mel | FBE | Viscosidade 10.000-50.000 SSU |
| Circulação de caldo de cana | FBCN | Baixa viscosidade, alta vazão |
| Vinhaça | FBCN (inox 316L) | Corrosivo (pH 3,5-5,0) |
| Água de embebição / lavagem | FBCN | Água limpa, alta vazão |
| Óleo térmico (evaporadores) | FBOT | Até 350°C, selo refrigerado |
| Combate a incêndio | Incêndio NFPA | NFPA 20 + NBR 16704 |
| Dosagem de aditivos viscosos | FBEI | Baixa pulsação, fluxo suave |
