1. O processo Kraft: arquitetura e pontos de bombeamento
O processo Kraft separa fibras da madeira por cozimento químico e recupera reagentes em um ciclo próprio. Para organizar a seleção de bombas, diferencie linha de fibras, recuperação química, máquina de papel e utilidades. Uma fábrica de celulose de mercado pode não ter máquina de papel integrada.
O licor branco fornece a química alcalina do cozimento, incluindo hidróxido de sódio e sulfeto de sódio. As condições de digestor e transferência diferem: temperatura, pressão e concentração devem vir do balanço e da especificação da planta, sem uma faixa única aplicada a todos os pontos.
Após o cozimento, a lavagem separa fibras e licor negro. A recuperação concentra esse licor e aproveita seu conteúdo energético; o ciclo de licor verde e recaustificação regenera licor branco. Esses fundamentos, descritos pela Valmet, ajudam a identificar correntes que não devem receber a mesma seleção de bomba.
Para cada corrente, registre sólidos dissolvidos e suspensos separadamente. Na massa, informe consistência, tipo de fibra e gás incorporado; no licor, acrescente viscosidade nas temperaturas de partida e operação. Água branca e efluentes também exigem caracterização, pois não equivalem automaticamente a água limpa.
Na FB Bombas, três manuais citam papel e polpa entre as aplicações. O da centrífuga normalizada FBCN (MTEC-03/00, p.1) e o da centrífuga multiestágio FBME (MTEC-08/01, p.1) descrevem séries desenvolvidas para líquidos limpos ou turvos; o da bomba de engrenagem externa FBE (MTEC-01/01, p.1), uma série desenvolvida para fluidos viscosos. O catálogo FBE 2026 (p.3) põe papel e celulose entre os mercados com grande utilização dos vários tipos de bombas de engrenagem fabricadas pela FB.
Citar o setor não aprova uma corrente: os três manuais mandam consultar a FB quando o fluido tem sólidos em suspensão (item 2.3 de cada um).
Os dados de operação publicados são máximos de série, que não ocorrem ao mesmo tempo. A FBCN vai de DN 25 a 300 mm, com vazão até 2.200 m³/h, altura manométrica até 135 m, temperatura até 260 °C e rotação até 3.500 rpm. A FBME vai de DN 80 a 150, com até 400 m³/h, 300 m, 140 °C e 3.500 rpm.
Na FBE, a viscosidade máxima da Tabela 2 do manual cresce com o diâmetro, de 2.500 SSU em 1/8″ a 1/4″ até 100.000 SSU de 3″ a 6″, e a rotação desce de 1.750 até 150 rpm, com polia ou redutor. O ponto real de cada corrente sai da curva ou da tabela da configuração.
| Execução | Selagem | Fluido indicado no manual | Temperatura |
|---|---|---|---|
| ST (gaxetas) | Lubrificação pelo próprio fluido, selagem interna | Execução padrão, para fluidos limpos e não agressivos | Até 160 °C |
| S1 (gaxetas) | Selagem por líquido limpo de fonte externa | Fluidos tóxicos, agressivos ou de mau odor; sucção de tanque sob vácuo ou abaixo da pressão atmosférica | Até 105 °C |
| S2 (gaxetas) | Lubrificação e selagem por líquido de fonte externa | Partículas sólidas ou pequenas fibras em suspensão | Até 105 °C |
| S3 (gaxetas) | Lavagem com líquido limpo de fonte externa | Partículas abrasivas em suspensão ou tendência de cristalização | Até 105 °C |
| S (selo mecânico) | Selo mecânico | Conforme a necessidade da aplicação e a solicitação | Não fixada no item 10 |
Nota
Nas execuções com fonte externa (S1, S2 e S3), o manual FBCN diz que não é possível usar câmara de resfriamento. Com selo mecânico, a execução segue a linha S, e o arranjo, o plano de suporte e o fluido auxiliar se definem com o fornecedor do selo para a corrente real.
2. Bomba de licor branco: alcalinidade, material e vedação
Identifique concentração alcalina, sulfidez, temperatura, sólidos residuais e condição de limpeza do licor branco. A linha após filtração não deve ser confundida com suspensão de lama de cal ou com o circuito de licor verde. A posição da bomba no processo faz parte da especificação.
O manual FBCN lista construções em ferro fundido, WCB e CF8M, mas não aprova CF8M para todo licor branco nem documenta duplex 2205 como padrão. A avaliação de corrosão deve considerar concentração e temperatura reais, além de cada componente molhado.
O material do rotor também limita a rotação. O item 6 do manual FBCN fixa a velocidade periférica máxima por material: ferro fundido até 40 m/s, ferro nodular e aço carbono até 60 m/s e aços inoxidáveis até 80 m/s.
Quando a avaliação de corrosão leva a rotor em aço inoxidável, a Tabela 4 manda reduzir o rendimento indicado nas curvas conforme a largura de passagem do rotor: 3 pontos até 12 mm, 2 pontos de 12 a 15 mm e nenhuma redução acima de 15 mm. Compare propostas com esse rendimento corrigido.
A selagem precisa considerar depósitos, condições de parada, pressão e compatibilidade do fluido auxiliar. Se houver arranjo duplo, o fornecedor do selo deve definir materiais, plano de suporte, pressão e monitoramento. Não adote plano 53B/54, barreira de água ou elastômero apenas pelo nome licor branco.
Com gaxetas, o item 10 do manual FBCN escolhe a execução pela condição do fluido, e não pelo nome da corrente. A S3, com lavagem por líquido limpo de fonte externa, é indicada para fluidos com partículas abrasivas em suspensão ou tendência de cristalização; a S1, com selagem por líquido limpo de fonte externa, para fluidos tóxicos, agressivos ou de mau odor. As duas vão até 105 °C e não admitem câmara de resfriamento.
Com selo mecânico, vale a linha S do mesmo item, e o arranjo se define com o fornecedor do selo.
3. Bomba de licor negro: alta viscosidade, abrasão e recuperação química
O licor negro da lavagem passa por evaporação antes da recuperação energética. A concentração muda ao longo da planta; por isso, informe teor de sólidos medido e temperatura no ponto da bomba. Uma classificação como fraco ou forte não substitui a análise do fluido.
Viscosidade, densidade, cristais e gás podem variar com a condição operacional. Use amostras e dados do processo para calcular perdas, potência e sucção, incluindo partida e parada. Não atribua uma faixa fixa de 500–2.000 cP nem vida de rotor em meses a todo licor concentrado.
O manual FBCN (MTEC-03/00) não associa rotações de 1.750, 1.450 ou 1.150 rpm a faixas de sólidos de licor negro; para fluidos com sólidos em suspensão, o item 2.3 manda consultar a FB. Também não se presume que FBE ou FBEI aceite cristais e abrasivos por bombear fluidos viscosos. Construção, curva corrigida quando aplicável, vedação e compatibilidade devem ser confirmadas para a corrente.
O manual da FBE (MTEC-01/01, item 2.3, p.6) traz a mesma regra: fluido com sólidos em suspensão exige consulta à FB. Quando a corrente é um fluido viscoso sem sólidos abrasivos, a seleção da FBE parte da Tabela 2 do manual, pela viscosidade na temperatura de bombeamento e pelo diâmetro, com a rotação reduzida por polia ou redutor.
A FBE não tem rotor nem rolamento: os eixos giram em mancais de buchas, e a câmara de aquecimento, acessório da série, existe de 1.1/2″ a 6″.
Atenção
Não há base documental para prometer FBCN em licor negro acima de 65% de sólidos. Envie composição, reologia, temperatura e instalação para avaliar a tecnologia adequada, antes de escolher a série.
4. Massa de celulose: consistência e limites da bomba centrífuga
Consistência informa a proporção de fibras secas na suspensão, mas não descreve sozinha o comportamento hidráulico. Tipo e comprimento das fibras, gás incorporado, temperatura e condição da polpa também interferem no bombeamento.
Na massa de média consistência, o gás incorporado pode prejudicar a entrada e a capacidade de bombeamento. Existem construções com gerador de turbulência para fluidizar a suspensão e um circuito específico de retirada de gás. A seleção deve confirmar esses recursos para a condição da polpa; suas faixas de consistência não se transferem à FBCN.
No retrofit, envie curva e desenho da bomba existente, tipo de rotor, condição de sucção e histórico do fluido. A substituição deve demonstrar atendimento aos mesmos cenários, incluindo variações de consistência e de nível do tanque.
O manual FBCN não estabelece um limite universal de consistência de fibras nem documenta uma execução para 6% de polpa. A análise precisa confirmar passagem de sólidos, comportamento da fibra e construção disponível antes de apresentar um modelo para a massa. Informe também ar incorporado, temperatura e variação entre regimes.
Para filtrados e água com pequenas fibras em suspensão, o item 10 do manual FBCN indica a execução S2 da câmara de selagem, com lubrificação e selagem por líquido de fonte externa, até 105 °C. É uma indicação de vedação, não um limite de consistência: o item 2.3 continua exigindo consulta à FB para fluidos com sólidos em suspensão, e a passagem do rotor, a curva e a sucção precisam ser conferidas para a corrente.
| Corrente | Dados do fluido | Verificação hidráulica | Critério de atendimento |
|---|---|---|---|
| Água branca e filtrados | Fibras, sólidos, química e temperatura | Curva, passagem e sucção | Construção a confirmar para o fluido |
| Massa após lavagem | Consistência, fibra e gás | Hidráulica adequada à suspensão | Sem limite universal FBCN publicado |
| Massa em torres e preparação | Variação de consistência e alimentação | Entrada, fluidização e desgaseificação | Avaliar tecnologia específica |
| Lodo e rejeitos fibrosos | Sólidos, contaminantes e reologia | Passagem, risco de obstrução e potência | Não presumir bomba de água limpa |
5. Branqueamento: a química muda por estágio
O branqueamento reúne etapas com reagentes e condições diferentes. Identifique a corrente da bomba, em vez de tratar toda a planta como um único serviço químico.
ECF não utiliza cloro elementar e pode empregar dióxido de cloro; TCF evita reagentes clorados. As sequências e a química variam por projeto, como mostram os sistemas descritos pela Valmet. Registre o estágio, reagentes, concentração e arraste entre etapas.
Temperatura, pH, cloretos, oxidantes e sólidos precisam ser analisados juntos. O PREN serve como comparação preliminar entre ligas, não como prova de resistência no banho real; a Outokumpu explicita essa limitação.
O manual FBCN não documenta duplex 2205, superduplex 2507 ou 254 SMO como construções padrão para branqueamento. Materiais especiais e selagem precisam de confirmação específica. Não se fixa plano 53B, fluido de barreira ou elastômero para todo estágio ECF.
Do lado da FB, o manual FBCN documenta carcaça em ferro fundido, em aço carbono A216 WCB e em aço inoxidável A743 CF8M (Figuras 1 e 2, p.6). Liga fora dessa lista é construção especial, que depende de confirmação de disponibilidade e viabilidade antes da proposta.
Com gaxetas, a execução S1 do item 10, com selagem por líquido limpo de fonte externa, é a indicada para fluidos agressivos, até 105 °C; com selo mecânico, vale a linha S, com arranjo definido pelo fornecedor do selo para a química do estágio.
6. Máquina de papel: água branca, chuveiros e secagem
Água branca, filtrados e chuveiros possuem requisitos diferentes de sólidos, pressão e estabilidade. Para cada ponto, envie qualidade da água, vazão, altura e exigência dos bicos. A FBCN publica limite geral de 135 m; não é apresentada como uma linha multiestágio para qualquer chuveiro de alta pressão.
Quando o chuveiro ou outro ponto da máquina pede altura acima do alcance da FBCN, a série da FB é a centrífuga multiestágio FBME: DN 80 a 150, até 400 m³/h, 300 m, 140 °C e 3.500 rpm (manual MTEC-08/01, p.1), máximos que não ocorrem ao mesmo tempo. Os rotores são radiais e fechados, montados em difusores (item 2.2), e o item 2.3 manda consultar a FB para fluido com sólidos em suspensão.
Por isso, a qualidade e a filtragem da água do chuveiro entram na consulta junto com a vazão e a pressão nos bicos.
O retorno de aparas e quebras de papel, conhecido como broke, deve ser avaliado como suspensão fibrosa. Informe consistência, desagregação, contaminantes e sucção; não existe aprovação automática por estar abaixo de 4%.
Não se presume óleo térmico em toda máquina moderna: a Voith descreve cilindros secadores aquecidos a vapor e sistemas de condensado. A FBOT deve ser avaliada apenas onde exista circuito de fluido térmico compatível. Seu limite de série de 350 °C não comprova ganho energético sobre vapor nem define a vazão de uma máquina de papel.
7. Mercado brasileiro de papel e celulose: contexto e cotação
Em comunicado de março de 2026, a Ibá informou produção brasileira de 29,4 milhões de toneladas de celulose e exportação de 20,7 milhões em 2025. São dados anuais do setor, não capacidade instalada nem participação comercial da FB Bombas.
A escala da indústria não elimina diferenças entre fábricas. O mapa de correntes, os pontos de operação e as condições de manutenção são a base para comparar bombas e preparar uma proposta técnica.
A recuperação química conecta a fábrica à geração de energia pelo aproveitamento do licor negro. Seus auxiliares de água, condensado e óleo devem ser especificados separadamente dos circuitos de massa; consulte também a página de usinas de energia quando o projeto incluir cogeração.
A FBCN, a FBME e a FBE são fabricadas em Cabreúva-SP, onde a FB tem usinagem CNC, montagem e bancada de ensaio de desempenho conforme ANSI/HI 14.6, a norma de ensaio de bombas rotodinâmicas como a FBCN e a FBME. A curva e o FAT certificados entram quando fazem parte do escopo contratado.
Para cotar com a FB Bombas, envie dados do fluido, operação normal e contingências, instalação existente, materiais exigidos e documentos de compra. A proposta deve confirmar configuração e alcance antes de atribuir adequação a licores, fibras ou branqueamento. Prazo e suporte precisam de confirmação para o fornecimento.



