
Guia de Aplicação — Série FBE
Bomba de engrenagem para circulação, transferência, lubrificação e circuitos auxiliares de óleo: o que a série FBE cobre, como a viscosidade do óleo hidráulico define a rotação, o que significam os tipos HL, HLP e HVLP, o grau ISO VG e o código de limpeza ISO 4406, e como é o fornecimento pela FB.
Pontos para a análise
- Separe transferência e circulação de óleo da geração de potência em uma unidade hidráulica.
- O catálogo FBE publica até 22 kgf/cm² para a série, com limites menores conforme a execução.
- Informe pressão diferencial, vazão, óleo, temperaturas e condições de sucção antes de avaliar o modelo.
- Na reposição, o desenho e o esquema do circuito ajudam a conferir interfaces e compatibilidade.
Papel da bomba de engrenagem no circuito hidráulico
Em um sistema de potência hidráulica, a potência é transmitida e controlada por um líquido sob pressão em circuito fechado (ISO 4406, introdução). A bomba de engrenagem entra nesse circuito como bomba de deslocamento positivo: a vazão teórica é proporcional à rotação, e a pressão resulta do que o circuito impõe. Uma unidade hidráulica reúne bomba, acionamento, reservatório e outros componentes definidos pelo projeto, e ter engrenagens externas não torna duas bombas equivalentes. O catálogo FBE 2026 (p.3) cita a série em máquinas e equipamentos hidráulicos, filtros prensa, sistemas de lubrificação e queimadores de óleo, com pressão de descarga até 22 kgf/cm², sujeita à configuração. Esse limite não autoriza apresentar a FBE como bomba de alta pressão para prensa. Em circuitos de óleo, avalie a função específica, seja transferência, circulação, lubrificação ou outro serviço, e os limites do modelo.
- Função: circulação, transferência, lubrificação ou geração de potência.
- Pressão: valor diferencial e transientes previstos no projeto.
- Vazão: demanda por condição de operação.
- Óleo: composição e viscosidade na partida e em regime.
- Interfaces: eixo, montagem, conexões e sentido de giro.
- Limites: confirmar a execução antes de propor substituição.
Limites da FBE no circuito de óleo
O catálogo FBE 2026 (p.3) publica, para a série, pressão de descarga até 22 kgf/cm², rotação máxima de 1.750 rpm e viscosidade de 30 a 100.000 SSU. São máximos da série: não valem juntos nem para todo modelo. A tabela de seleção (p.6), feita para viscosidade abaixo de 1.000 SSU, mostra o limite de cada modelo. Nela, a coluna de 22 kgf/cm² só tem valores nos modelos de 1/8″ a 1″ DA a 1.150 rpm; a 1.750 rpm, a tabela vai até 16 kgf/cm², e os modelos de 1.1/2″ em diante param em 14 kgf/cm² ou menos. Para um circuito com picos de pressão, informe o valor e a duração, e a proposta confere o modelo na coluna aplicável. Na construção, os eixos giram em buchas de bronze autolubrificante, ferro fundido, PTFE, grafite ou metal patente, e a vedação é por gaxeta, selo mecânico ou retentor (p.3). Os modelos de 1/8″ a 1″ têm corpo com rosca BSP, e os de 1.1/2″ a 10″, flanges ANSI B16.5 150 lbs (p.6). Entre os acessórios estão a válvula de alívio interna, em latão ou aço inox AISI 304, e o mancal externo (p.3).
Dimensionamento de bomba para HPU
Defina a vazão e a pressão diferencial requeridas pelo circuito, incluindo as condições transitórias informadas pelo projetista. Acrescente o óleo, a viscosidade na partida e no regime, a rotação disponível e as condições de alimentação na sucção. Na FBE, a rotação sai da viscosidade na temperatura de bombeamento, pela tabela do catálogo FBE 2026 (p.5): 1.750 rpm de 30 a 250 SSU, 1.150 rpm de 250 a 2.500 SSU e 850 rpm de 2.500 a 7.500 SSU, com transmissão direta e os modelos listados em cada linha. O grau ISO VG vale só a 40 °C (ASTM D2422): um ISO VG 68 tem cerca de 68 cSt a 40 °C, ou 315 SSU pela conversão do catálogo (SSU ≈ cSt × 4,635 acima de 300 SSU), e cai na linha de 1.150 rpm. Na partida a frio, a viscosidade sobe, e a linha pode mudar. Com vazão Q em m³/h e pressão Δp em kgf/cm², a potência no eixo é P (cv) = Q × Δp ÷ (27 × η). A tabela de rendimento η do catálogo (p.5) começa em 1.000 SSU. Abaixo disso, use a tabela de seleção (p.6), feita para viscosidade inferior a 1.000 SSU: ela dá a vazão em l/min e a potência no eixo da bomba, em cv, por modelo, rotação e pressão de descarga. Para escolher o motor comercial, some a reserva de potência do catálogo (p.5): 50% até 2 cv, 30% de 3 a 5 cv, 25% de 6 a 10 cv, 15% de 11 a 25 cv e 10% acima de 25 cv.
Óleo hidráulico: tipos HL, HLP e HVLP, grau ISO VG e a bomba
A norma DIN 51524 fixa requisitos mínimos para óleos hidráulicos em três partes: HL na parte 1, HLP na parte 2 e HVLP na parte 3. Pelos resumos publicados pela DIN Media, a parte 1 vale para sistemas hidrostáticos em que o estresse térmico encurtaria demais a vida de um óleo sem aditivos e em que se espera corrosão, por exemplo por ingresso de água. As partes 2 e 3 acrescentam os óleos com aditivos antidesgaste para atrito misto, exigidos em bombas ou motores hidráulicos por projeto ou condição de operação. O grau ISO VG classifica o óleo pela viscosidade cinemática a 40 °C, em cSt, do ISO VG 2 ao ISO VG 3200, e não diz nada sobre outra temperatura (ASTM D2422). Informe na consulta o tipo e o grau que a ficha do óleo declara, com a viscosidade na partida e no regime. A composição e os aditivos entram na compatibilidade de materiais e elastômeros: na FBE, o selo mecânico padrão é o tipo 21, em cerâmica × grafite × viton (MTEC-01/01, item 2.5), e há opções de gaxeta e retentor. Para trocar o óleo ou a vedação, consulte as especificações do equipamento e do fornecedor do fluido; a temperatura ambiente, sozinha, não define o grau nem o elastômero.
Contaminação do óleo, código ISO 4406 e filtragem
O código ISO 4406 descreve a quantidade de partículas sólidas no fluido de um sistema hidráulico com três números separados por barras: partículas iguais ou maiores que 4 µm(c), 6 µm(c) e 14 µm(c) por mililitro, contadas por contador automático. Subir um número indica, em geral, o dobro de contaminação. No exemplo da própria norma, o código 22/18/13 significa mais de 20.000 e até 40.000 partículas de 4 µm(c) ou mais, mais de 1.300 e até 2.500 de 6 µm(c) ou mais e mais de 40 e até 80 de 14 µm(c) ou mais em 1 mL. A introdução da ISO 4406 registra que a maioria dos fabricantes de componentes hidráulicos exige um nível de limpeza para a garantia. Por isso, a classe-alvo sai do componente mais exigente do circuito, e não da bomba. Este guia não publica uma classe para toda a FBE, e o manual MTEC-01/01 pede consulta à FB quando o fluido tem sólidos em suspensão (item 2.3). Descreva a condição real do óleo, incluindo água e partículas conhecidas. Posicione os filtros considerando a perda de pressão, também na sucção, porque a viscosidade aumenta a pressão exigida na entrada da bomba (Hydraulic Institute), sobretudo na partida a frio.
Comercialização e fornecimento da FBE para circuito de óleo
A FB fabrica a FBE em Cabreúva-SP, e a empresa atua desde 1944. O fornecimento pode ser a bomba ou o conjunto moto-bomba, com acionamento direto no motor elétrico ou no motor-redutor, os dois sobre base metálica com acoplamento flexível (catálogo FBE 2026, p.3 e p.4). Os acessórios do catálogo incluem câmara de aquecimento, válvula de alívio interna e mancal externo, e a lista de reposição cobre eixos, engrenagens, buchas, tampas, aperta-gaxeta, retentor, selo mecânico e válvula de alívio. Há modelos FBE em estoque, e a disponibilidade sai na cotação. A avaliação começa pela função da bomba no circuito. Para substituir uma unidade existente, envie placa, código, esquema hidráulico e ponto de operação, além das dimensões e interfaces mecânicas. A proposta precisa confirmar que os limites da FBE atendem ao serviço. Quando a pressão ou outra condição ultrapassa o escopo documentado, não se promete uma adaptação de alta pressão sem projeto e especificação próprios. Ensaios e documentação são confirmados no fornecimento.
Referências documentais
- pressão de descarga máxima da série; confirmar a execução
- 22 kgf/cm²
- rotação escolhida pela viscosidade
- 1750–150 rpm
- tamanhos da FBE no catálogo 2026, p.6
- 1/8″–10″
- código de limpeza do óleo por partículas
- ISO 4406
Valores gerais publicados nos documentos indicados. Confirme modelo, rotação, fluido, materiais e vedação; os máximos não são simultâneos nem garantidos em toda configuração.
Perguntas frequentes
Que bomba usar em sistema hidráulico industrial?
A função do circuito orienta a seleção: transferência, circulação, lubrificação e geração de potência têm requisitos próprios. O catálogo FBE 2026 cita a série em máquinas e equipamentos hidráulicos e em sistemas de lubrificação, com pressão de descarga até 22 kgf/cm² e limites menores por configuração. Acima disso, a FBE não é a bomba do circuito. Informe pressão diferencial, vazão, óleo e temperaturas para confirmar a execução.
Por que eficiência volumétrica é crítica em hidráulica?
Porque a vazão entregue ao circuito é a vazão teórica menos o escorregamento interno. Pelo Hydraulic Institute, a vazão teórica é proporcional à rotação, e o escorregamento varia com a pressão e a viscosidade: óleo mais viscoso escorrega menos e eleva o rendimento volumétrico, e pressão maior faz o contrário. Compare os dados de desempenho no ponto de operação, sem adotar um rendimento fixo para toda a linha.
A FBE assume o serviço de uma bomba hidráulica de engrenagem externa importada?
Só dentro dos limites da FBE e depois de comparar operação e interfaces. Envie placa, código completo, esquema hidráulico, desenhos e dados do óleo. A engenharia verifica pressão, vazão, rotação, vedação, conexões, eixo e montagem; na FBE, o corpo tem rosca BSP de 1/8″ a 1″ e flanges de 1.1/2″ a 10″ (catálogo FBE 2026, p.6). A proposta confirma a configuração e as adaptações antes do fornecimento.
FBE serve para pressões acima de 22 kgf/cm²?
O catálogo FBE 2026 publica pressão de descarga até 22 kgf/cm² para a série, e cada configuração tem o seu limite, que não vale junto com os máximos de vazão e rotação. As fontes deste guia não sustentam prometer a FBE acima disso. Envie a exigência do circuito para verificar se existe uma solução documentada adequada.
Qual óleo hidráulico é melhor para FBE em HPU?
O óleo é o que o fabricante do equipamento especifica; a FB seleciona a bomba para ele. Forneça a ficha com o tipo (por exemplo, HL, HLP ou HVLP da DIN 51524), o grau ISO VG e a viscosidade nas temperaturas de partida e de operação. A rotação da FBE sai dessa viscosidade, e a vedação se confere com a composição e os aditivos.
Qual classe de filtragem recomendada para FBE hidráulica?
A classe vem do componente mais exigente do circuito: pela introdução da ISO 4406, a maioria dos fabricantes de componentes hidráulicos exige um nível de limpeza para a garantia. O código tem três números, para partículas de 4, 6 e 14 µm(c) ou mais por mL. Este guia não publica uma classe única para toda a FBE; informe a exigência dos componentes, a condição do óleo e a perda de pressão dos filtros, inclusive na partida.
A FBE atende a HPU de máquina-ferramenta com bomba de engrenagem externa?
Depende do circuito e do ponto de operação. O fato de a bomba existente ter engrenagens externas não comprova equivalência com a FBE. Envie pressão, vazão, óleo, temperaturas, placa e desenho para verificar o desempenho e as interfaces antes de propor a substituição.
Qual a vida útil esperada de uma FBE em HPU de prensa hidráulica?
Não há uma vida útil universal publicada para essa aplicação. Ela depende da execução, das condições reais e da manutenção. Primeiro confirme se a FBE atende à pressão e ao regime da unidade; para equipamento existente, use histórico de operação e inspeções para planejar manutenção.
Por que minha bomba hidráulica faz ruído excessivo em baixa rotação?
Ruído é um sintoma que exige diagnóstico, não prova isolada de cavitação ou desgaste. Registre quando ocorre, pressão de entrada e saída, rotação, temperatura e estado do óleo. A viscosidade aumenta a pressão exigida na entrada da bomba (Hydraulic Institute), o que torna a partida a frio e o filtro de sucção sujo pontos a conferir. Verifique instalação e manutenção conforme o manual antes de definir a intervenção.
O que é óleo hidráulico HLP?
É o tipo da parte 2 da DIN 51524, que fixa requisitos mínimos para óleos hidráulicos. Pelo resumo da DIN Media, ela vale para sistemas hidrostáticos com estresse térmico, com risco de corrosão por ingresso de água e em que bombas ou motores hidráulicos exigem aditivos antidesgaste para atrito misto. A parte 1 cobre o HL e a parte 3, o HVLP. Para a bomba, o que decide é a viscosidade do óleo na temperatura de trabalho.
O que significa ISO VG 68 no óleo hidráulico?
Que o óleo tem cerca de 68 cSt de viscosidade cinemática a 40 °C; o grau não informa a viscosidade em outra temperatura (ASTM D2422). Pela conversão do catálogo FBE 2026 (p.5), 68 cSt dão cerca de 315 SSU, na linha de 250 a 2.500 SSU da tabela da FBE: 1.150 rpm com transmissão direta, nos modelos de 1/8″ a 5″ listados nessa linha. Mais frio, o mesmo óleo fica mais viscoso, e a rotação se confere na ficha do óleo.
Catálogo e manual têm funções diferentes
O catálogo apresenta a linha; o manual contém instruções e tabelas das configurações documentadas. Os limites da execução selecionada devem constar da proposta e da folha de dados.
Fontes e revisão do conteúdo
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Documentação e próximos passos
Consulte o documento da linha e os cenários relacionados antes de definir o conjunto.
Vamos avaliar sua aplicação
Informe fluido, vazão, pressão diferencial, temperatura e viscosidade na partida e em operação. Para reposição, inclua placa e dimensões da instalação.


